Cães a uivar

Era por volta das duas da manhã da matina – talvez três – da sexta do dia 17. Meu horário padrão para ir dormir, diga-se de passagem. Meus olhos cansados já não aguentavam manter-me acordado. Vacilava, enquanto tentava jogar uma partida qualquer, de um jogo qualquer. Terminei a dita partida, e decidi que iria dormir. Coloquei alguns Assets para baixar, e desliguei o monitor.

Com muito pesar, e já muito cansado subi as escadas do beliche, cobri-me e fechei meus olhos. Seria uma puta noite de sono, adoro dormir até tarde no sábado, sabe como é? Soltei um suspiro, e esvaziei a minha mente. Mas em algum lugar, longe da segurança de meu quarto, mas ao mesmo tempo bem próximo, era possível se ouvir um uivo. Era agudo e triste, o som partira meu coração, e provavelmente partiria de outras pessoas também, se elas o pudessem ouvir. Mas todas estavam dormindo, como se o mundo tivesse alcançado a paz mundial. Embora em algum lugar lá fora, uma alma sofria, sofria e sofria; e clamava por socorro e amparo.

Abri meus olhos, e encarei o vazio do teto, que repousava a alguns palmos de minha cara. Soltei o ar pela boca, estava frio. Lembro-me de que na cultura popular, uivos são sinais de mal agouro. Nunca acreditei na cultura popular e seus mitos. Quero dizer, não até essa maldita sexta. E lá estava eu, cético, encarando o vazio do teto, refletindo. A verdade é que o maldito uivo havia me tirado o sono.

Um calafrio subia por minha espinha. Era uma sensação estranha, como se algo estivesse erroneamente certo. Tentei me mover, mas percebi que era inútil, a única coisa ao meu alcance era o frio e o vazio de meu teto. Minha respiração acelerava, acelerava e acelerava, e quando percebi, estava em um estado misto de êxtase e hipnose.

O incômodo causado pelo uivo de alguma alma distante e solitária, me lembrou que alguns dias antes eu também não conseguia dormir, porque algo igualmente maléfico e sombrio me irritava. É fácil de criar uma imagem na mente: Demônios, como aqueles retratados em quadros de Blake, vestindo ternos, sentados em mesas com plaquinhas com seus nomes, o Ambiente dessas mesas se assemelhando aos anéis do inferno de Dante, e em algum lugar do Ambiente, um pedaço de pano verde, amarelo e azul, com pequenos adornos brancos, preso a uma haste de metal.

E no meio de todos os demônios ali, havia um peculiar. Pior de todos, eu diria. Educador Unha, era seu nome. Um nome escroto, para uma pessoa escrota, eu diria. Ele era o representante da ‘bancada satânica’, que nada mais era do que um grupo de demônios que tentavam impedir os avanços humanos, ou a liberdade. Assim como também Presidente daquele Ambiente – não lembro o nome do Ambiente, pois não sou atento ao modo organizacional e hierárquico demoníaco. Por isso, chamarei esse lugar apenas de Ambiente.

O Ambiente tinha um único propósito: votar o destino da humanidade. É como um congresso, onde os demônios se reúnem e votam como ele podem afetar o destino da humanidade, direta ou indiretamente. Alguns deles não aceitam perder – eles são demônios, afinal – e por isso sempre arranjar um jeito de ganhar. Uma prática muito comum no meio Demo-corporativista, diga-se de passagem. Uma das pessoas que não aceitam perder, é nosso querido Presidente-do-Ambiente, Educador Unha. E por mais cômico e irreal que pareça, – lembre-se que quando falamos de demônios, tudo é possível! – o Educador Unha tem diversos laços no meio demo-corporativista. Então ele é o maior puxador de tapete de seus amiguinhos demônios, e o maior puxador de saco de demônios-corporativistas.

Algumas escolhas e boicotes de Educador Unha me deixaram sem sono, por diversos dias. Ele é o exemplo mais nítido de corrupção, que eu consigo manter minha mente. Ele consegue, de alguma forma, mobilizar diversos grupos satanistas anti-corrupção. Algo que não entra na minha cabeça, e me deixa confuso. Ele pega essa camada satanista, e coloca ela contra outro grupo satanista, acusando esse grupo de corruptos, enquanto a própria bunda está suja. A verdade é que nenhum demônio dentro do Ambiente, e ambientes similares, é bonzinho. Primeiro porque o objetivo deles – assim como o dos demônios-corporativistas – é foder os humanos. Algo que humanos satanistas (tanto os azuis, quanto vermelhos), não notam. A simples existência do Ambiente e dos demônios é uma forma de coerção à liberdade humana, uma forma de oprimi-los e deles fazer de capacho.

E enquanto eu encarava o gélido e vazio teto, que repousava a alguns palmos de minha cara, eu só consegui pensar na necessidade que os humanos deveriam ter, para abolir os demônios da terra, e coloca-los embaixo da terra, para assim finalmente ser livres. Eu só conseguia pensar no crânio demoníaco de Educador Cunha, preso em uma estaca em frente ao Ambiente. E enquanto eu pensava em diversos meios de emancipação e exorcismo social, para livrar os humanos dos demônios, assim como livrar alguns humanos de seu satanismo-ideológico, o horário passava, e por fim o sol subia tímido no horizonte.

O vazio gélido do teto, e a maneira com a qual os demônios que repousavam solenemente no Ambiente me incomodavam. Minha respiração acelerava, acelerava e acelerava, e eu percebi, eu estava em estado de êxtase e hipnose. De uma forma grotesca, que me punha em reflexões sobre morte, exorcismo e liberdade. E me fez perder o sono por dias e dias consequentes.

O vazio gélido do teto, e a maneira com a qual uma alma solitária em algum lugar lá fora sofria, clamando por amparo e socorro me incomoda. Minha respiração acelera, acelera e acelera, e eu percebo que estou em um estado de êxtase e hipnose. De uma forma sublime, que me põe em reflexões sobre a morte, possessões demoníacas e autoritarismo. E me fará perder o sono por dias e dias subsequentes.

No fim, a forma com a qual os demônios (demônios-corporativistas inclusos) tratam o mundo e os humanos, e a forma como alguns humanos satanistas defendem os demônios, faz com que meu cão interior uive, uive e uive, até que as gargantas sangrem, em busca de amparo, ajuda. Em busca de que apenas seja ouvido. Deveríamos todos usar uma de nossas noites, para ouvir cães a uivar.

2015 – O ano do Avesso

Não consigo entender os eleitores do Aécio, principalmente meus familiares, que são os principais exemplos que eu tenho de Eleitores-do-Aécio. Então esse texto eu direciono aos meus familiares Eleitores-do-Aécio, e para os propriamente ditos Eleitores-do-Aécio, que estão sendo incoerentes e levianos.

*Atenção: Não fiquem de butt-hurt, se se ofenderem, sentem e chorem*

Nessas últimas semanas tenho tentado entender a Dilma, e ainda por cima os PSDBistas de plantão. A V.S.ª Presidenta Dilma De La Merda, tem adotado políticas totalmente opostas das quais ela havia proposto. Ficou falando de esquerdismo[sic], e agora lambe as bolas dos direitistas[sic] e grandes corporações – Que novidade! –. O que mais me confunde e me dá um nó na cabeça, são os PSDBistas, que são de direita e agora ficam chorando pelas medidas adotadas pela Dilma.

Achei que todos – lê-se todos aqueles que deixaram de votar no Aécio, ou pessoas de direita – tinham consciência de que o Aécio aumentaria os impostos, reduziria os direitos trabalhistas – esse em especial, já que um dos miguxos e possível ministro do Aécio, tinha declarado que o Salário mínimo está bem alto – e qualquer coisa do gênero que foda a população num geral.

Se a Dilma fez o que fez, é porque ela também ama vocês, Eleitores-do-Aécio. Ela queria agradá-los. Não é uma fofa? É claro que não. Se ela adotou políticas duras, ela está tentando consertar a cagada econômica que ela e os outros políticos fizeram – PMDB, PSDB, PP, todos incluídos –, todo cidadão tem consciência dos salários altos vereadores, deputados, governadores, todo cidadão tem plena consciência de que são os próprios políticos que aumentam seus salários, todo cidadão tem consciência de que os políticos recebiam até o 15º salário há 2 anos atrás – coisa que acabou após um projeto de lei da Ex-Ministra da Casa Civil em 2013 –. Bem, eu pelo menos considero que essas pessoas saibam disso, e tenham plena consciência de que seus partidos também usufruem dessa putaria. Sim até o seu querido Senador Aécio Neves.

O que mais me espanta é o Eleitor-do-Aécio estar preocupado com o preço da gasolina. Amigo, chega aqui. Vem. Isso. Mais perto, deixa eu falar um negocinho no seu ouvido, chapa: Que se foda a porra da gasolina! O estado de São Paulo está ficando sem água, amigo! O querido governador decidiu aumentar o preço da água também, e sabe de uma coisa? Você só tem uma culpa parcial na falta de água. Os maiores culpados são as grandes empresas, elas gastam litros e litros para fazer roupas, tintas carne, para regar plantinhas pra você colocar na sua salada. Existem mulheres que tem bolsas em excesso, homens com roupas em excesso. E você consome excessivamente esses produtos. Você tem uma parcela de culpa aí, chapa. Mas cobrar mais de você e deixar as empresas impunes, ora, ora, é bem típico do Dom Geraldinho Alckmin Rola-Bosta.

Mas foi como um amigo meu disse, 2015 é o ano do avesso, Dilma fazendo coisas de direitista e Alckmin fazendo coisas de esquerdista. Um sobe os impostos, o outro libera mais cotas – esse escritor tem uma perspectiva positiva em relação as cotas -. O que sobra é a pergunta: Aonde vamos parar? Oras, como todo poeta tem um caráter profético, eu me sinto tentado a fazer algumas previsões sobre o que vem por aí em 2015. É claro que são coisas óbvias, e baseada em estudos de especialistas, mas que parecem bem reais.

Temos dois/três meses de água, que pode se estender mais alguns dias, ou meses, caso chova. Se a água de fato acabar, muitas pessoas serão demitidas, principalmente essas pessoas que trabalham [Os proletários, não os patrões] em agronegócios, indústria alimentícia, indústria de roupas e acessórios, até mesmo a indústria dos eletrônicos. O custo de produção envolve muita água, e para uma empresa é preferível trabalhar em ritmo mais lento, do que não trabalhar – importar grandes quantidades de água e trabalhar com poucas pessoas na linha de produção –, logo elas [As empresas] precisariam retirar dinheiro de algum lugar para comprar água, causando diversas demissões. O preço desses produtos estará superfaturado – sem somar o aumento dos impostos –, muitas pessoas sairão do estado, haverá pouca água para beber, para nós pobres e classe média, enquanto os ricos estarão tranquilos – E mais ricos! –.

E a culpa disso tudo não está só na Dilminha, ou só no Alckminho, a culpa está com você também, que votou neles, que acha que partidos fazem a diferença, que consome como uma vaca louca. Você deve se perguntar até quando você vai continuar a fazer cagadas, e deixar eles fazerem cagadas? Até quando você continuará a se portar de forma tão leviana?

O quê? Espera. Quer dizer que a maioria dos Eleitores-do-Aécio eram pessoas de Classe Média? Ué, achei que as pessoas que votavam no PSDB eram ricas, e tinham consciência de que a maioria das medidas adotadas pelo PSDB – até hoje –, sempre favoreceram os ricos e foderam com os pobres e a classe média. É, parece que o povo simplesmente é idiota, e esse texto gigantesco que você leu não teve propósito algum. Apenas o apague de sua mente.

Porco Social Democrata Brasileiro

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Acabei de ver uma galera pró-Aécio em frente a facul, uma renca de gente da força sindical, carregando bandeiras e fizeram uma sujeira nojenta com panfletos e copos plásticos e caixas dos Habbib’s. Bando de porcos, escrotos. Isso me emputece.
Havia algumas crianças no meio, provavelmente filhos dos sindicalistas. Crianças num jogo de adultos, todos felizes: tudo faz parte duma grande brincadeira. Pobres coitados. Ninguém deveria forçar os filhos a seguir suas convicções políticas e religiosas.
Uma zona total, fretados e mais fretados, carregados de pessoas.
Aquele homem com um walki-talk, velho, de camisa aberta e pêlos que devem cair em sua comida, é um tipo de segurança, me olhou feio quando ameacei chutar uma placa do Aécio, ontem. ‘Tá ali no meio, talvez guardando a camionete, deve ‘tarde me marcando, eu amassaria aquela porta, provavelmente. Não, talvez não. Muita gente, iam arrancar minha cabeça, na certo, me acusar de ser petista: irmão espiritual deles.
Um cara distribuindo bandeiras, adesivos amarelos com um 45 azul pra todo lado, mesmo em pessoas. Não vejo mais o sol, onde ele foi? Pessoas, fumaça de cigarro, carros buzinando, a guitarra de sultans of swing, calma e melancólica em meus ouvidos. O vento começa a ficar frio, cadê o maldito sol?
Trombando em pessoas por todo lado, e vejo tucanos e  45’s pra todos os lados, onde diabos eles vão? Eu não me importo, mas deixem a maldita liberdade limpa, porcos. É sério que votarão nele? – escrito às 18h30.

Remando contra o fluxo.