6 – O mundo anda tão sem graça

“O mundo anda tão sem graça”, diz o branco deformado, e aí a galera concorda com ele, porque ele é branco, e aí a galera ri dele, porque ele é deformado, aí ele reclama e chora e aí “O mundo anda tão sem graça”, diz o amigo dele que é evangélico fanático, e aí a galera diz que cristo era na verdade um gogo-boy, que fazia strip em festas de crianças porque naquela época todo mundo era pederasta, e aí ele fica puto e joga uma bomba em todo mundo, porque evangélico é tudo terrorista e não tem deus no coração e aí “O mundo anda tão sem graça”, diz o cara que perdeu uma perna no atentado do evangélico, e o primo dele começa a dar risada e chama ele de cotoco porque é engraçado zoar pessoas que não andam mais, e falar que eles são menos úteis que bonecas infláveis, porque o mundo anda tão sem graça e é isso aí, vocês tem que parar de mimimi, porque essa geração é cheia de mimimi.

E aí a Pepsi lança aquele comercial falando que “o mundo anda tão sem graça”, e aí a gente lembra eles que todo mundo prefere Coca-cola do que Pepsi, e que a fórmula da Pepsi envolve resto de bebês abortados, porque eles fazem parte duma conspiração global de abortistas contra o cristianismo, e os marketeiros ficam cheio de mimimi, porque essa é a geração do mimimi, e todo mundo sabe que Pepsi Twist é horrível e a indústria agrícola que produz limão poderia aproveitar melhor a safra vendendo limão para uns botecos fazerem caipirinha, mas aí faliria a Pepsi, e não é minha culpa que eles ficam com esse mimimi de falir e mimimi só tem Pepsi pode ser.

O mundo anda tão sem graça, porque você é cheio de mimimi, e tudo o que você é mimimi porque nada é do jeito que você quer, porque tudo depende do seu mimimi e você é o único e apenas o centro das atenções mimimicaístas.

Fundando uma nova religião baseado nessa sua chatice de reclamar das coisas quando elas não andam de acordo com o seu bel prazer, você encontra um baú protegido por um dragão e esse dragão é bem engraçado, mas o mundo anda tão sem graça e você usar seu mimimimi pra matar o dragão com suas chatices do caralho, e o dragão morrer, porque é só isso que ele pode fazer porque o mundo anda tão chato e aí você abre o baú e tinha um único papel, escrito em letras gigantes PARA DE MIMIMI CARALJO.

E você não para, porque o mundo anda tão sem graça e isso é a única coisa que importa, porque assim você pode ficar de mimimi e seus amigos vão dar risada e dizer ‘mimimi concordo dimais kkkk mundo sem graça nenhuma kkkk’ e você vai achar que você é legal, ou engraçado, mas você não é, porque o mundo anda tão sem graça, né?

5 – Memeys

Eu tinha esse amigo e ele era um memester, e ele se achava engraçado, porque afinal ele era engraçado e todo mundo dava risada. Ele fazia algo e hell yeah, e aí alguém falava algo assustador e mother of god, e aí ele trollava alguém e cool face.

Ele começou a trabalhar no Habbib’s, até porque, porque não, né? E aí de segunda à terça as esfihas eram em dobro no Habbib’s, de sexta à domingo as pizza eram em dobro no Habbib’s, e quando ele entrou foi tipo num piscar de olho que de quarta à quinta a piada era em dobro no Habbib’s. E todo mundo ria, kkkk esfiha, como assim esfiha, kkkkk. E aí ele meio Yao Ming e a galera ria, porque não rir, é o melhor remédio e todos ria, era engraçado, trabalhar num emprego bosta, recebendo um salário bosta, quem nunca.

O Snopp Dog uma vez disse algo assim, eu não me lembro, porque ele é meio meme, né? Vai saber, e esse amigo era todo smoke weed everyday, para-rara, tum tum tum tum. Não que ele fosse um canguru, porque ele não lutava boxe, ele nem lutava, mas também não era aqueles hippies nada a ver, que fuma maconha namastê com flor na barba.

Uma coisa que admiro, é que ele é tipo um Digimon, que digievolui com digicondições diginecessárias. E cada vez que os memeys mudavam, tava lá ele mudado. De uns meme nada-a-ver pra nóis hoje, ele já tava louco, porque ele sempre foi louco, não que seja necessário ressaltar isso, porque ter dodói na cabeça faz parte, ninguém tem problemas com autistas aqui, eu mesmo sou amigo desse meu amigo autista. Vai saber. Mas aí ele dava aquelas sarrada, porque era engraçado, mas aí não foi mais engraçado e ele parou de fazer isso, embora eu ainda ache engraçado, a gente precisa manter tradição, porque esse tipo de coisa une nossa tribo e a gente pode continuar aí memeando, com memes que nem tem graça porque já foram exacerbadamente utilizados, e aí ficou sem graça de uma forma cômica.

E tipo, a gente fica meio assim, em relação a essa situação, mas isso não deixa de ser verdade, você pode até perguntar pra esse amigo, ele vai confirmar, porque é tipo de coisa nada a ver com nada, que mantém a ligação covalente nesse mar de átomos pré-direcionados de forma aleatória e tal. Cê tá ligado o que eu tou querendo dizer?

Tipo, isso é o tipo de coisa que não se fala, mas que tem que ser dito. Não porque isso é um problema, mas a galera tem que se divertir, porque divertir é importante, né não? E é isso aí, a gente corre pra lá e pra cá, vacilando nisso e aquilo, testando disso e aquilo lá, e tá tudo certo. Essas pequenas coisas valem a pena, não que grandes coisas não valham a pena saca? E é isso aí, tudo tem que acabar com uma risada, kkkk.

4 – Como assim ‘Jabuti’?

Como assim ‘jabuti’, velho? Todo mundo perdeu a cabeça? Não faz sentido ‘jabuti’, velho! Eu não tenho um ‘jabuti’, velho. Puta que o pariu jabuti, velho. Hoje o dia tá tão jabuti, velho, porque jabuti, velho, como assim, velho, não faz jabuti, velho.

Tinha um jabuti na minha porta hoje, ele queria falar sobre a palavra do nosso senhor e salvador, o cágado. Eu não entendi o jabuti do sentido, velho. Temos nosso direito de Jabuti sim, e nada menos do que jabuti.

Na banheira tinha um jabuti cagado e um cágado jabuti, velho. Eu não sabia o que jabuti, velho, era tão fazer sentido não fazia. O Jabuti corria de um lado para o outro, mas de uma forma devagar, que a gente não considera como correr, velho.

Tinha uma moça muito bonita, mas ela era um jabuti e tinha um cabelo meio jabuti, mas mesmo assim ela era muito jabuti, velho. Eu tomei um refrigerante outro dia e nome dele era jabuti, ele me fez peidar por 4 dias seguidos, velho. Puxando a proporção iconoclasta do jabuti, podemos assumir que ele se interessa por almoços e desenhos com jabutis e isso é lindo, velho, lindo.

Uma vez eu amei uma jabota, mas eu não cheguei a ficar com ela, por ela ser muito jabuti. Seu belo, belo corpo me lembrava um jabuti e eu não sei porque eu desgosto de jabutis, velho. Mas todo dia tinha sopa de jabuti, tinha um jabuti no meu café, tinha jabuti em minha mente, em meus sonhos e em meus pesadelos. Jabuti everywhere, mate, everywhere. Jabuti em tudo que é lugar, velho, tudo que é lugar.

Eu não aguentava mais jabuti, mas jabuti, velho, era um animal estranho. Tinham jabutis fodendo em minha janela, eles faziam um barulho idêntico a de jabutis fodendo, isso me perturbava, porque eu tentava me concentrar, mas eles jabutizavam, velho, jabutizavam. Eles insistiam, e eu joguei um balde de água neles, mas jabutis são aquáticos, eu sou burro como um jabuti, velho, tentei tacar fogo neles, mas eles estavam molhados, quem diabos molhou os jabutis, velho?

Você faz qualquer coisa e as pessoas ficam jabuti, você explica, explica e se explica e eles jabuti, você tenta dizer e dizer novamente e eles ficam jabuti e você fica jabuti, e quando vai ver vocês dois jabuti juntos, e tudo acaba jabuti quando se jabuti, velho. Eles tentaram jabuti o sentido, mas não tem jabuti, velho.

Aí você quando já muito cansado de jabuti, você para de jabuti e olha para si mesmo no espelho, sorri, mostrando os dentes como um jabuti e então se senta no canto da sala, e fica um tanto jabuti que começa a chorar, por estar muito jabuti. E então você para e pensa, ‘como assim jabuti, velho? Todo mundo perdeu a cabeça? Não faz sentido jabuti, velho! Eu não tenho um jabuti, velho’. E então tu és iluminado, e finalmente entende jabuti, velho. E percebe que nada jabuti, quando jabuti, velho, quando jabuti.

3 – Como assim Mariano é um Marciano?

Eu voava suave pelas ruas, batendo minhas belíssimas asas de papelão, como uma borboleta desengonçada de cabelos pubianos de pé. E então eu encontrei o Mariano, que foi um antigo professor de marxiais meu. Ele era faixa preta em liberação do broletariado. Claro que acabei renegando as artes marxiais, quando eu ainda era faixa vermelha-soviética em descentralização da propriedade privada. Não é segredo para ninguém, que hoje sigo minha vida com o anarco-traficante de ideias, nem mesmo para Mariano.

Mariano parecia bem, eu olhava para ele e suas antenas até brilhavam, assim como seus grandes olhos, sobre a suave luz do fim de tarde do Inferno Paulistano, suas afeições e sua pele cinza, davam a ele um caráter complexo e sublime. Cumprimentei ele com o toque-ultrasecreto de pessoas que praticam Artes Marxiais, que fez com que ele me desse uma bronca, pelo fato de eu ser uma Anarco-traficante de ideias, e não mais um Lutador de Artes Marxiais.

Depois ele elogiou minhas belas asas de papelão, com as quais eu não poupo modéstia, devo dizer. Falamos sobre a vida e então nos despedimos, prometendo a ele que iríamos combinar algum rolê, qualquer dia. Assim que viro a esquina, me deparo com um carinha que eu vejo todo maldito dia, e digo que vi o Mariano. Eis que ele me diz que Mariano era um Marciano.

Eu ri muito, admito Mariano era uma Marciano! Mas ele olhou para mim sério e disse que eu estava louco, por não perceber. Ele disse que nunca havia mencionado com ninguém, porque isso seria desconfortável perguntar se ele era de fato um Marciano. Eu disse que isso era nonsense, ele novamente me chamou de doido. “Tu é doido de me chamar de doido tenha respeito doido”, eu disse já doido da vida.

O maldito insistia na ideia, falou sobre a bela pele cinza de Mariano, sobre as sublimes Antenas de sua cabeça, e seus grandes, grandes olhos pretos e vazios, que te olham apreensivo a todo momento. E eu ficava ‘nonsense cara’, e ele dizia que minha cara era nonsense.

Ele disse que o fato de Mariano ser marxista, é porque ele veio do planeta vermelho. Vermelho como a bandeira Russa, a bandeira Russa, a bandeira Russa. Ele disse que os Marcianos trouxeram o marxismo de marte, para que eles pudessem descentralizar a sociedade injusta criadas pelos humanos. O Comunismo e o Marxismo vieram de marte.

Não fazia sentido para mim, mas para ele fazia. Pois Mariano era faixa preta em liberação do broletariado, pois estava em sua natureza Marciana. Mariano o Marciano Marxiano, mestre das artes marxias, vindo direto do planeta Marte. Esse cara tinha, claramente, merda na cabeça, pois Mariano era o ser mais bonito existente. Dei um soco na cara do maldito, e voltei a voar com minhas belíssimas asas de papelão, pelas ruas da região central do Inferno Paulistano.

Afirmar que o Mariano é Marciano, esse povo tem merda na cabeça, meus amigos leitores, merda na cabeça, só vos digo isso!

2 – Sobre iluminações e lâmpadas

O padre disse que o primeiro caminho para iluminação pessoal, era ficar embaixo da lâmpada. O reverendo, por sua vez, disse que era necessário enfiar uma lâmpada no cu, e acendê-la com uma batata. O cara-da-cientologia-que-não-importa-muito-de-qualquer-maneira, disse para segurar um pepino com a boca e acendê-lo como se fosse uma lâmpada. Buda, por fim, não falou nada, pois ele era mudo, e acabou carregando todos os segredos do universo para seu túmulo, sabe-se lá porquê.

Todos sabemos que o segredo máximo do universo se reverte ao sacro-tanto-fazismo, porque ninguém de fato se importa, então tanto faz. Ninguém se importa, porque estão ocupados demais em seus escritórios chiques, sentados digitando bostas sem sentidos o dia inteiro, para no fim do dia repousarem diante do grande pedaço de plástico-e-silício-e-vidro, para fazerem sabe-se lá o quê.

Um bodisatva uma vez me disse, que um bode disse ao buda, que um outro bode ouviu de uma bode-fêmea, que para atingir a iluminação, o primeiro passo é deixar de tomar Ovo Maltino, pois este é o líquido do anti-buda, seja lá o que isso quer dizer.

Minha cachorra olhou para mim e sorriu, e me disse que eu não era um iluminado, porque eu estava sentado no escuro. E ela ria, ria e ria, e eu não sabia onde diabos ela estava, pois seu pelo é semelhante as trevas que me abraçavam com ternura. Eu de fato não entendia o que isso queria dizer.

Uma chama ardia dentro de minha mente, e então eu passei pomada anti-queimadura – daquelas que se passa na bunda de nenéns – por toda minha cara, e decidi refletir sobre a vida. Lá fora o vento uivava. Uma coisa que eu aprendi na vida, com o conhecimento popular, é que o vento traz mensagens de grande sabedoria, abri a janela, e coloquei minha cabeça para fora. Fechei os olhos e tentei captar a mensagem. O sábio vento disse: “Ih mané, ah lá o picolé de porra”, referindo-se a minha cara com pomada de neném. De qualquer maneira o vento sopra, eu acho.

Tentei refletir o sentido da vida, e todos os seus quarenta e dois, e todas as batatas, gatos e bananas que fascinavam o mundo – menos eu, sou um cara durão, eu acho – e cheguei à conclusão de que o mundo como está, merecia ser explodido e transferido para outra parte do multiverso, deixando-me sozinho no vazio, pois nada poderia impedir o grande fato de que atos minúsculos não fazem sentido nas perspectivas adotadas na vida dos lunáticos desse país, com toda a incerteza do mundo.

Mas tudo isso fazia sentido, em algum sentido, e não fazia sentido em nenhum sentido. A verdade – além de que toda verdade é mentira, e toda mentira é mentira – é que não existe forma alguma de se chegar a iluminação, e por isso o buda ficou em silêncio, quando perguntado em relação ao tema. A melhor maneira de buscar a iluminação, é sempre checar se há cobras em sua bota, para não virarmos um brinquedo.

1 – Perspectiva crônica sobre bombas sentimentalistas

Uma vez me chamaram de terrorista. Eu era meio terrorista na época, devo dizer, mas nem tão terrorista como os terroristas que aterrorizam pessoas aterrorizadas. As vezes era preferível matar, do que morrer. Pessoas gritavam, tudo parecia sumir diante de meus olhos, e eu não conseguia entender a vida ao meu redor, que gritava, gritava e gritava em desespero de não haver para onde fugir, quando tudo decidisse de fato sumir. Era aterrorizante pensar, e eu decidi simplesmente não pensar. Pensar doía e eu simplesmente não pensava.

Eu provavelmente aprenderia alguma coisa com meus erros, dessa vez eu fugiria de pessoas que fugiam de mim. Elas queriam algo, e eu não queria nada, na verdade eu não queria nada, eu não queria estar aqui, ou estar lá, para mim não fazia diferença, pois eu não fazia questão de nada. Meus pais sempre me ensinaram desde de pequeno, que se a vida me desse uma limonada, eu deveria fazer limões dela. Não é isso extremamente depressivo, querido leitor?

Querido leitor meu, que nunca leu e nunca lerá algo meu. Querido leitor sóbrio, querido leitor lúcido, querido leitor soberano das filosofias interdependentes do multiverso. Querido leitor, que tem uma perspectiva de vida organizada em mentes lineares de 100 a 235, que explodem em simples 1000 por infinitos loops de bosta flamejante.

Argumentações indefesas, proferidas às massas, as fazem crescer como fermento de padeiro azedo. As massas se convencem dessa perspectiva cônica, mas eu não me convenço. Terrorismo interglobal, praticado por mestres de guerra, que dividem uma laje em um churrasco em algum lugar do Inferno Paulistano, enquanto ele envia seus cegos seguidores às guerras. As pessoas se matam, enquanto eles dividem um churrasco de gato em uma laje qualquer no Inferno Paulistano, pois o presidente do País dos Lunáticos decidiu receber seus amigos de guerra.

A guerra não se estende nas ruas da burguesia, a guerra não se dá nas ruas do centro do Inferno Paulistano, a guerra não se passa em nenhuma parte dos subúrbios sublimes. A guerra se passa nas periferias do Inferno. As periferias não pertencem ao Inferno, pois o Inferno Paulistano não consegue alcançar a liberdade periférica. A guerra se passa na periferia, pois o Inferno Paulistano não consegue alcançar a liberdade. A guerra se passa nas periferias do mundo, pois a liberdade é insuportável para os chefes de Estado e senhores de guerra.

O terror libertino chega a cidade e bombas rolam da angústia alheia, e bombas rolam do ódio alheio, e bombas rolam da tristeza alheia, e bombas rolam e rolam e rolam. O terrorismo vívido da vida traz uma ideia estranha: O terrorismo é parte de uma perspectiva; todos são terroristas aos olhos de outrem e todos são terroristas por simples respirar.

Mas que horrível perspectiva crônica sobre bombas sentimentalistas a sociedade nos impôs. Todos deveriam pegar bombas e deixa-las explodir, de livre e bom grado, para o fim de algo que nem mesmo a vã existência humana sabe descrever. Trazendo assim um novo conceito.