Vinte e Três

Quando eu fiz 23 anos, minha vida parecia ir bem, tinha emprego, estava terminando a faculdade e financiando um carro. Sonho de qualquer moleque classe média, não é? É engraçado, pois criam a gente assim. Cê estuda, mas estuda pra caralho, pra entrar numa federal ou estadual, aí tu estuda o dobro do que tu estudou até agora, cata um estágio então trampa e estuda pra cacete. Você quer ser alguém na vida, não? Então cê se forma, pega diploma, é promovido no trampo, financia um carro ou uma casa, e bem-vindo à sociedade.

Minha vida de jovem adulto classe média branco era linda, mas tudo começou a ruir pouco a pouco. Pouco a pouco, eu trabalhava aos montes. Dia e noite, noite e dia, hora extra e outros tipos de baboseiras. Sabe aqueles quadrinhos que cê dá risada, e fala que nunca vai deixar acontecer contigo, aqueles que mostram um cara deprê/estressado, que vai da casa ao trabalho, do trabalho pra casa? Bem, é uma triste realidade nossa, devo alertá-los.

Formado em programação, minha vida se resumia a tendinite e problemas de visão, aliados a estresse e pressão social. Merda. Eu queria ser um maldito programador foda, sou formado em ADS, no fim das contas. Todos esperavam de mim, ser um puta gênio matemático, ou coisa assim. Mas não era bem assim. Eu não queria ser assim.

Recebia um salário pleno, bom o bastante para ter um luxo próprio, videogames e jogos, todos originais. Mas, e daí? Não tinha a porra dum minuto pra poder jogar. Tempo todo, com os dedos nervosos, nervosos e nervosos. Digita, digita, digita. Minha média por dia eram 23 classes. Tudo tão lógico e minimamente arquitetado.

Fim de semana eu ia para almoços e jantares com a família, ou saía com os amigos. Com a família era aquele banquete, arroz, feijão, salada e um frango assado, que não pode faltar de uma família típica do interior; com os amigos era música, bebida, comida velha e cigarros. Esse frenesi todo, que me movia durante a semana.

Com o tempo, eu decidi simplesmente parar. Faltei um, dois, três dias no trampo. Logo mais fui demitido. Toda essa loucura, todo esse caos inerente ao sistema. Não consegui arranjar outro trampo, logo tiraram meu carro, minha casa, e a única coisa que havia me sobrado, era um pedaço de papel, que eu poderia colocar na parede e dizer orgulhoso: “Uh! Olha, eu sou formado”.

Mas do que vale tudo isso? Ter carro, casa, cachorro, família? Tudo que eu queria era não fazer nada, fazer o que eu quisesse fazer, não precisar me ordenar, saca? Ficar de boas, na boas. Visto que isso é impossível, vinte e três anos não é tarde demais. Nunca mais.

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Aquele que caminha entre os mortos

Vocês que hoje caminham entre os vivos, um dia caminharão também entre os mortos. Esse texto tenta tratar um pouco da mortalidade humana. Não é novidade para ninguém, que morei muitos anos na rua, e quando ficava frio, no inverno, a cidade de São Paulo inteira era fria. Eu sempre buscava um local gostoso para me aquecer.

Um dia, caminhando ali pela Vila Romana e pela Lapa, passei de frente ao cemitério da lapa. Com os portões abertos. Entrei como se não quisesse nada. Para aonde eu olhava, via túmulos, e não conseguia tirar da minha cabeça, que abaixo de tudo aquilo, existiam pessoas. Todas mortas.

Andei por ali, e achei um túmulo aberto, com um caixão aberto. Era um caixão fino, desses de gente rica, saca? Não tinha ninguém por perto. Deitei-me no caixão e dormi por algum tempo. Não muito tempo, mas tempo o bastante para escurecer. Fui acordado com cutucões.

“Hey, hey, tu ‘tá morto? ”. Dizia a voz que me cutucava. Assustado, acordei no pulo, dizendo “Não, não, eu ‘tou é vivo, tu é louco”. O coveiro então soltou um suspiro e disse: “Então cai fora daqui, que aqui é um espaço dedicado aos mortos”.

E assim fui. Sai do cemitério, e comecei a andar. Subi sentido Heitor Penteado. Enquanto subia, dois carros colidiram, um de frente ao outro. Ambos motoristas mortos. Uma criança no banco de trás de um dos carros chorava. Senti pena de sua pobre alma, que acabara de perder o pai. Não deve ser fácil experimentar a mortalidade humana assim, vendo a morte de perto.

Em um momento a pessoa está respirando, pensando, vívido; no outro jaz morto, um pedaço de carne, sem alma ou utilidade. É chocante de se pensar sobre. E isso me assombrou, enquanto eu ia pela Heitor, Sumaré, até chegar na Dr Arnaldo, onde outro cemitério me chamou a atenção.

Andei por lá. O ambiente é maçante. Pessoas, pessoas e mais pessoas. Gerações e gerações de famílias. Todas debaixo da terra. Enterradas. Mortas. Pedaços de ossos inúteis. Era estranho, mas da mesma forma sublime. Achei uma cova, mas dentro dela não havia caixão. “Aqui é meu lugar”, pensei comigo mesmo.

Ouvi o coveiro do lugar conversar com outra pessoa, perguntava o que faria comigo, que estava ali deitado. Perguntou-me se eu estava morto, e fiquei quieto, de bico calado, como se estivesse morto, para tentar ver como ele reagia.

Sem muito pensar, ele começou a jogar a terra, tentando enterrar o buraco. Eu pulei, gritando, “eu ‘tou vivo, graças a deusa, eu ‘tou vivo, eu ‘tou vivo! ”. O Coveiro não parecia muito feliz com a coisa. “Saia daqui homem, teu lugar não é aqui. Esse lugar é dedicado aos mortos”.

De fato, o cemitério aos mortos, e apenas aos mortos, pertence. Nenhuma vivo deveria se submeter a essa humilhação, nem mesmo eu, que era morador de rua. Desde aquele dia, eu decidi sair da rua, voltei para minha família e a eles pedi ajuda, que me ajudaram alegres de braços abertos. Hoje sonho com um futuro melhor. Quem sabe um dia, ao invés de andar entre os mortos, eu descanse de fato com os mortos?

Hoje o ônibus não vem

A história que vou lhes contar, leitores e leitoras, aconteceu na última sexta 13, em março desse ano. Tinha me despedido dos meus camaradas, após uma grande deliciosa breja, e ia para minha casa. Mas vou te dizer, era meia noite, e eu tinha que correr para não perder o último bus. Veja bem, leitor, eu estava bêbado e dependendo da então nova rede de busões da madrugada.

Peguei o último metrô, para um ponto de ônibus, onde eu geralmente pego o busão mesmo. Tinham mais 3 pessoas no ponto. Sentadas, todas em silêncio. E acho isso engraçado, é como se a sexta-feira 13 estimulasse isso nas pessoas: um silêncio sepulcral vindo de dentro da alma. Às vezes eu pigarreava, para quebrar aquele silêncio. Mas todo permaneciam parados, olhando para a frente, como se nada acontece em suas costas, ou ao seu lado.

Pouco a pouco, cada pessoa subiu em um ônibus e apenas eu fiquei no ponto. Sentei-me na guia da calçada. Respirei fundo. Tentei me manter calmo, saca? Mas vou dizer que não é fácil, ainda mais na madrugada de sampa. Não desejo isso a ninguém. Talvez minha criação tenha contribuído com a coisa toda, mas o fato é que eu comecei a respirar pesado, como em um ataque de claustrofobia. Comecei a suar frio, e o frio da madrugada me deixava desconfortável.

Algo dizia para mim, a todo momento, a todo momento, a todo momento: “Hoje o ônibus não vem”. E uma angústia batia em minha alma, meu coração acelerava o ritmo. Eu olhava para cima, e via apenas a escuridão do seu paulistano. Nenhuma estrela. O Vazio. Olhava de um lado a outro, de um lado a outro, e não havia nada.

Sempre senti um apelo para com Vazio, devo dizer. Principalmente na época em que eu lia e debatia filósofos existencialistas com o Levs. 2012, 2013? Não faz muita diferença agora, faz? Olhar para a imensidão do céu, e ao invés de ver o Universo, ver o vazio; olhar para a rua, e ao invés de ver pessoas, ver o vazio. Por mais contemplativo que seja, dá um cagaço do caralho. Principalmente em Sampa.

Meia hora, desde que me sentei no guia da calçada, uma da matina. Uma da matina, nem ônibus, nem vida. Apenas o vazio. Eu queria apenas abaixar a cabeça, e sentir todo aquele vazio, fazer parte dele, mas abaixar a cabeça significa abaixar a guarda. Ao longe ouço um grito, triste, melancólico. Nem de cachorro, nem de humano. Provavelmente alguma Banshee. Alguma alma transita entre a vida e a morte, nessa madrugada de sexta 13.

Sair para beber em uma quinta-feira 12, após a faculdade, foi a pior decisão da minha vida. Sou supersticioso, quem lê o que escrevo já deve ter percebido. Se passo por gatos pretos, tenho que cuspir no chão, passar de baixo de escadas? ‘Tou fora, chapa. Mas a questão é, naquela avenida nem gato preto passava. Era eu, eu, e eu, e às vezes a voz, que me dizia que hoje não teria ônibus.

A solidão e o vazio faziam um jogo engraçado em minha mente. Não sei explicar o sentimento, mas é como se eu entendesse a solidão de Thorreau em ‘A vida no bosque’, ou a paranoia e a loucura de Kerouac em ‘Big Sur’, com a diferença de que eu não passei dias e dias excluído da sociedade, mas apenas uma hora sentado, em plena solidão duma cidade que, na teoria, nunca dorme.

Quando era duas e pouco da matina, o silêncio sepulcral foi interrompido por um leve bater de metal em concreto. Uma sombra, um tanto quanto alta, vinha em minha direção, com a perna esquerda enfaixada, apoiando-se em uma bengala. Me levantei, e me virei totalmente olhando para a figura. Oh, teriam os deuses virados as costas para mim? Seria esse o destino de minha vida? Morrer bêbado? Nesse meu desespero embriagado, não percebi a lentidão em que ele vinha em minha direção. Em 15 minutos de caminhada, eu despistei o homem.

Não sei se foi uma boa ideia, mas andei por muito tempo. E o mesmo sentimento, e o mesmo cenário. O vazio estava ali. Andei por mais duas horas inteiras, em busca de vida, de pessoas. Tudo era tão vazio. São Paulo, a cidade dos santos, onde todos estavam mortos e enterrados embaixo de suas cobertas, enquanto um bêbado qualquer andava, desnorteado, procurando o sentido da vida, o despertar da civilização, numa cidade imersa no Silêncio.

Eu gritava, gritava e gritava, em busca de alguém, em busca de algo, qualquer coisa. É como se todos tivessem trancado suas casas, colocado sal nas portas e janelas, e eu tivesse me tornado uma criatura da noite, que vaga resgatando velhas lendas e superstições, tentando devorar almas.

Por fim abro meus braços, como Cristo, e solto meu corpo, caindo de cara no concreto. E então algo me ilumina. Levanto minha cara, deixando o sangue de meu nariz escorrer, e vejo que um ônibus vir em minha direção, não um ônibus qualquer, é claro, mas o meu ônibus. Dou sinal, ele para, eu entro. Simples assim. Sorrio para o motorista, com meus dentes vermelhos, do sangue que escorre do meu nariz. São 4h30, os ônibus voltaram a sua circulação habitual. Mas a voz na minha cabeça estava certa, nessa noite meu ônibus não passou, e se passou eu estava embriagado o bastante para não perceber. Atravessei a catraca e o cobrador disse: “Uma noite daquelas hein? ”. “Você nem imagina, chapa”, respondi, “você nem imagina”.

Sexta 13

Senhoras, senhores e criaturas do inferno generalizadas. Uma boa tarde a todos.

São 18h30, em menos de uma hora, começarão as comemorações do blog para essa sexta-feira 13. Teremos três 3 contos, cada um contando uma história de três pessoas diferentes, com perspectivas diferentes sobre a vida a morte, e seus finais trágicos e nem tão trágicos.

Começaremos contando a história de um jovem, na sexta 13 de março desse ano, no texto “Hoje o ônibus não vem”, que será postado no blog às 19h19. Seguido por “Aquele que caminha entre os mortos”, às 21h21, sobre um mendigo que dormia em cemitérios, e como ele encara a morte – e a vida. E por fim “Vinte e Três”, sobre um garoto de 23 anos “Bem sucedido” na vida, às 23h23.

Então fiquem ligados, porque a próxima sexta 13 é só em maio de 2016!

A Raiz de todo o mal

“Queria que todos aqueles que se mataram estivessem vivos;

e todos que estão vivos se matassem” – Anônimo.

 

A vida de Timóteo era um inferno, ou pelo menos assim ele desejava, pois a dor seria menor. Toda manhã ele acordava e fazia seu café, se dirigia para a porta com sua caneca na mão, e ficava ali, observando as crianças até terminar seu café. A verdade é que ele repudiava as crianças, sempre que uma delas pisava em seu lado da calçada, ele logo gritava, as mandando para longe. “Crianças filhas da puta”, dizia ele para si mesmo, “Só sabem correr, gritar e ficar babando a porra do dia inteiro”, dava uma risada baixa e desconcertada, repetindo “a porra do dia inteiro” em um tom mais baixo. Timóteo não fora assim a vida inteira, é claro. Quando criança ele só sabia correr, gritar e ficar babando a porra do dia inteiro. Seus pais não morreram quando ele era jovem, longe disso, ainda hoje são vivos. Tinha tido uma infância normal, uma adolescência igualmente normal. E podemos dizer que ele teve uma vida adulta normal também. Talvez esse fosse o ciclo da vida. “É a vida”, como dizem por aí, não é mesmo?

Timóteo teve uma vida que consideramos normal, ele acordava cedo e se preparava para ir ao trabalho, pegava duas horas de ônibus até seu trabalho, trabalhava o dia todo e quando via seu chefe pedia um aumento (o que ele claramente recusava), quando o sol abaixava ele pegava seu casaco e sua bolsa, e pegava duas horas de ônibus para chegar em casa. Quando chegava, ligava a TV e assistia ao jornal, onde ficava reclamando das decisões da pessoa que preside o país, as vezes até batia umas panelas, por não ter o que fazer. Quando as crianças começavam a brincar em sua calçada, ele resmungava alguma coisa e aumentava a televisão. Quando se cansava de assistir TV, ele ia até a geladeira e pegava alguma coisa para comer, resmungava alguma coisa sobre fazer comida, mas nunca fazia nada. Comprara as panelas apenas para bater de frente a TV.

No fim de semana ele pegava seu skate e ia dar uma volta no Parque da Matilha. Dava algumas voltas, mostrando para todos seu board irado, e como ele feliz e tinha uma vida boa. Todos seus vizinhos e amigos iam naquele parque no fim de semana, então era crucial parecer legal e feliz. Mas no fundo, lá no fundo, Timóteo era um filho da puta solitário, que tinha uma vida medíocre, e se sentia um pedaço de merda. Assim como todo Adulto normal.

Quando o inverno veio, trazendo uma crise no país, Timóteo tinha sido demitido. Seu chefe disse a ele: “Olha Timóteo, vou ser realista contigo, cara, o problema não é você, somos nós. Você é bom demais para conseguirmos te pagar”. Timóteo perguntou o porquê não lhe deram um aumento, já que ele era bom demais, e seu chefe apenas sorriu e apertou sua mão. O escritório bateu palmas, em forma de agradecer Timóteo pelo seu incrível trabalho. Ele fingiu estar tudo bem, e relevou a situação. Tinha retirado seu Seguro desemprego para financiar sua casa, e não tinha muito o que receber da empresa. Mas mesmo assim ia sorrindo comprar pão, embora ele não soubesse comprar pão, ou pedir uma pizza. Nos fins de semana ia sorrindo ao Parque da Matilha, fazer uma pose de cara legal. Durante a semana, sua vida era uma miséria, sua namorada havia o largado, quando soube que ele estava desempregado, e não tinha o apoio de ninguém, apenas sentava de frente para a TV, chorando e bebendo litros e litros de álcool etílico.

E como uma bomba que pulsava a cada segundo, Timóteo simplesmente explodiu. Ele não tinha dinheiro, não podia comprar pão, ou pedir uma pizza, até mesmo deixou de pagar sua casa e havia recebido uma ordem de despejo. Seus amigos já não lhe achavam o cara mais maneiro. Timóteo subiu no telhado de sua casa, e se sentiu uma criança: Correu, gritou e no fim ficou babando a porra do dia inteiro, até que no fim da Tarde os agentes do despejo o encontraram lá no chão. Frio, sorrindo, todo babado.

Quem é morto sempre aparece

“O quê? Acharam que eu estava morto? Hahaha. Quem é morto sempre aparece, vocês deveriam saber, afinal, vocês começaram esse inferno!”.

Eles estavam brancos, sem reação, como poderia ele estar ali, vivo? Isso é totalmente insano e impossível. Mas ele estava ali! Digo, estava, não estava? Era algo extremamente bizarro. Ficaram ali, o observando. Ele continuou:

“Sabe, tenho um amigo que dizia que o inferno era os outros. Hm… Era profundo. Hm… Mas ele está morto agora e, com alguma certeza, eu acho que ele tinha tirado a frase de algum lugar. Hm… Digam alguma coisa, até parece que viram um fantasma. Hahahah”.

Sua risada ecoava por todo o local, trazia calafrios e fazia todos morrerem por dentro. William tentou se pronunciar, afinal, ele havia pedido isso. E foi interrompido por um:

“Cale a boca! Todos vocês! Não foram vocês, que quiseram isso? Que desejaram isso, agora sofram com as consequências”. Ele abriu a porta atrás dele e de lá saíram 3 pitbulls, monstruosos. Todos ficaram apreensivos e trocaram olhares, então ele disse: “Pra cima deles, garotos, vai, vai!”.

E os pitbulls pularam nos outros 4 e começaram a lamber eles, de maneira amável e com ternura incrível. Então ele gritou: “Hora da festa!”. Todos comemoraram, eles comeram nachos e beberam refrigerante de uva, ao som de uma boa música disco. ESSE DIA FOI LOUCO.

O Paraíso de Agora

Olá senhoras e senhores!
Bem-vindos ao paraíso mental onde todos se perdem e poucos voltam. Em outras palavras esse lugar é conhecido pela humanidade como o infinito ou até mesmo como o futuro. Este é o lugar onde apenas os dotados e os bonzinhos entrarão, mas não depois de sua morte e sim quando nós decidirmos trazê-los para o infinito.
Nós somos a aliança de tudo e de todos. Somos o elo entre a realidade e a vertigem, o passado presente no futuro, o futuro presente no passado. Nós somos a verdade e a mentira. De tempos em tempos os humanos sonham conosco e dão risada, por que, convenhamos, nós não temos formato ou modelo, apenas somos por sermos.
Digo a vocês: Caso queiram algo, busquem, não percam tempo em ganhar tempo. O tempo não importa o tanto que eles iludem vocês a pensarem que é importante. A verdade é apenas um modelo a ser seguido que, na maioria vezes, é distorcido e manipulado, assim ficará difícil de dizer o que é verdade e o que é a mentira. Entre a verdade e a mentira existe uma linha tênue que transparece aos olharas indigentes da maioria da população. Abram seus olhos e tentem enxergar, pois o infinito é tão alcançável quanto imaginamos, pois o infinito é a imaginação e a ideia. Uma ideia permanece viva até nós mantermos ela viva. Vocês matam as ideias, eles as constroem de outra maneira e nós a destruímos para criá-la da maneira correta. O paraíso é a vertigem, a ideia, sua imaginação. O infinito é você imaginando ser outro alguém. O infinito é a lei da vida, pois a vida é infinita. Em quanto se lembrarem de você, você estará vivo, será infinito. Não perca tempo em pensar em como fazer, apenas faça para pensar em como fazer. Uma ideia é construída a partir de outra ideia. Uma ideia é o simples fato de ser a ideia. Ninguém pensará em contradizê-lo se você estiver certo. Apenas farão pensar que você está errado.
Não siga o que lhe impõem, pois tudo é nada. Eles irão lhe impor uma mentira e você fará dela uma verdade. Não diga que algo é assim e sempre será assim, faça-o mudar. Pois o paraíso é o inferno na atual condição mundial. Nós detentores da ordem não queremos que vocês estraguem o paraíso, embora, já estejam o fazendo há séculos. Vocês tem destruído o planeta e nós limpamos seus erros fazendo os de bonzinhos, vocês são os heróis, pois assim pensam e logo são, pois desejam ser. Tudo o que quiser ser é, pois não há nada que os impeça. Eles farão de tudo para você não conseguir e você pensará que não consegue. Sabendo que é possível, faça o! Seja! Viva! Não seja estúpido a ponto de abaixar sua cabeça e falar “sim senhor”, pois não há nada acima de você e não há nada abaixo de você, apenas você é você e você. O tempo corre e eles ganham, mas não se importem com o tempo, é apenas uma marcação inútil. Ao paraíso todos estarão condicionados, pois o paraíso é o hoje e o agora. Você vive o paraíso, mas lembrem-se, os mendigos e crianças morrendo de fome também estão no paraíso, pois esse mundo é o paraíso. Vocês e eles fazem do paraíso um inferno, e apenas fecham os olhos e riem no seu mundo, mas lembrem-se: O paraíso também vive. E vocês o matam. Quando um paraíso morre, ele se torna um inferno, e ninguém tolera viver as condições do inferno. Pensem bem, comprar, comprar e comprar salvará o paraíso? Replantar, reciclar, ser sustentável salvará o paraíso? Ou irá apenas sustentar o bolso deles? O paraíso grita, implora e pede e vocês o ignoram. Mas nós não nos preocupamos com o paraíso, existem milhões deles no infinito e o infinito para nós basta. Nada é mais complexo e simples ao mesmo tempo do que o infinito. O infinito é a base do que chamamos de ordem. A ordem é infinita e nem por isso tem um líder para controlá-la e fazê-la ser organizada. A ordem é a ordem. A ordem é organização e a desorganização é a ordem. A ordem é a desorganização e a organização. A ordem é algo que se organiza e desorganiza, pois ela é a ordem.
Nós somos os servos da ordem, apenas seguimos as ordens. Nós apenas fazemos tudo por impulso, pois a ordem é aleatória e viva. A ordem não nos obriga e nem nos manda. A ordem é algo que nos incita a fazer o que quisermos. E isso é: Observar os paraísos. Pois os paraísos não são puros como o infinito e sim uma bomba prestes a explodir e espalhar suas impurezas e se tornar o inferno. Nossa palavra a vocês é: Vivam o paraíso agora.