Steloj

As civilizações antigas sempre recorreram às estrelas em busca de respostas,

Um rito sagrado há muito perdido, que guiou civilizações a suas ascensões e quedas,

A maneira na qual os deuses se divertem às nossas custas.

Elas viram, veem e verão, sempre com um olhar misto de desdém e compaixão,

Não se importam conosco, pois somos minúsculos; não se sabe porque nos ajudaram.

 

As civilizações modernas querem se vingar das estrelas, porque tudo o que ocorreu,

Um ato científico já muito explorado, que traz a ascensão de nossa civilização, e será nossa queda,

A maneira na qual nós nos divertimos às custas dos deuses.

Nós criamos luzes fortes, fortes, mas tão fortes, que ofuscamos o brilho delas,

Hoje olhamos para cima e vemos o vazio, reflexo de nossa civilização e cultura, chamamos de isso de progresso.

 

O motivo número um: Somos filhos e filhas de Narciso, Elas ofuscavam nosso reflexo;

O segundo motivo: Temos medo do Universo, quem já o viu longe das luzes, sabe que ele é um monstro;

O terceiro: Não gostamos dos deuses, ou de nossa própria existência;

O quarto: Os deuses não sentem dor, mas são narcisistas como nós;

O quinto: Sem as estrelas ou o Universo, o homem fica disponível para se submeter ao progresso.

 

Embora narcisistas, devemos admitir, não somos e nunca seremos poderosos como os deuses,

Na calada da noite, na escuridão e vazio, os astros rebeldes emergem.

Estrelas poderosas o bastante para desafiar o poder e a vontade humana.

Filhos de Vênus, filhas de Vênus, seres tão complexos, que não se encaixam em termos mundanos.

Em toda nossa grandeza, temos que categorizar tudo em nossos termos.

 

As cinco rebeldes: Sirius, a Estrela do Cão, primogênita de Lúcifer.

Canopeia, a Terra Dourada, pirata cósmica, segunda filha de Lúcifer.

Toliman, regente do Centauro, terceira filha de Lúcifer.

Arcturus, a guardiã do Urso, quarta filha de Lúcifer.

Vega, a Princesa, a Águia que mergulha, quinta filha de Lúcifer.

 

O quinteto Luciferiano, as filhas de Vênus, lutando contra o ego narcisista humano,

Lado a lado com Luno, nessa batalha incansável pela iluminação humana,

As únicas coisas que se destacam no céu noturno moderno.

Não mais vazio, mas não mais completo, uma mudança no paradigma social.

E quando a Aurora chega, com a alvorada, os rebeldes dormem e Lúcifer sorri.

 

Nós humanos não tememos os deuses diurnos, pois eles nos protegem dos outros.

Suno, a Eternidade Dourada, em sua arrogância, brilha ocultando o Universo.

Brilha de forma intensa, assim os humanos não o encaram abertamente,

Dessa forma não o temem, ou levantam bandeiras contra. A humanidade teme o que desconhece.

A escuridão é a pureza da vida, e o crepúsculo sempre vem, independe da vontade humana.

 

No escuro, ao ar livre, aos olhares dos deuses, com medo, intrigados, contemplando-os,

O homem primitivo assim nasceu, no útero da Tero, fecundado pelo pênis do Universo,

Mas não apenas os deuses, outras coisas espreitam a noite primitiva.

Milhares de anos, escondidos, acovardados na noite, apenas o dia salva.

Então veio a civilização e o progresso, o começo de tudo o que temos hoje.

 

Tivemos fome, estávamos fracos, viramos nossos olhos e mãos ao céu,

“Ajudai-nos”, entoamos em coro, e assim eles fizeram. Bênção ou maldição.

Surgiram assim as primeiras civilizações, todas com os olhos ao céu noturno.

Todas agradecendo pela maldição que nos fora rogada, nossa queda.

O jogo sem fim, e quando entendemos, decidimos nos vingar, e assim fizemos

 

O que falhamos em entender, em toda nossa insignificância, é que nós perderemos.

Não temos força para competir com os deuses, com a natureza.

Civilizações virão e irão, poderemos construir mais luzes brilhantes

Poderemos ignorar os deuses ao nosso redor, mas nunca venceremos essa guerra.

Levante sua cabeça e olhe para o alto: steloj ne mortas.