Em busca de justiça – Amor em chamas.

Lá estava Serg, sentado no telhado de sua casa, fumando e observando a lua. Eram 2 horas da manhã do dia 8. Serg estava refletindo se o que ele fez com o assassino da abóbora fora correto. Ele havia matado o homem há 8 dias, tudo forjado. Será que foi correto? Matar alguém assim? Não seria melhor deixar a justiça resolver? Prender o homem e fazê-lo passar 30 anos na cadeia? Assim ele não aprenderia?

– Não… – Solta a fumaça do cigarro. – Ele pegaria 30 anos, mas cumpriria apenas um terço da pena… A não ser que ele fosse taxado como psicopata e fosse para um hospício… Mas ele teria uma vida boa lá. O que eu fiz realmente foi correto? – Serg fuma o resto do cigarro, joga na rua e se levanta. – Foda-se.

Não sabia Serg que lá embaixo passava um homem, que foi queimado pelo resto do cigarro. Mas isso era o que Serg menos se preocupava.

Serg entrou em sua casa, foi à cozinha em busca de algo para comer. Estava com fome, estava na hora dele jantar, pois já eram quase 3 horas da manhã. Logo após, dirigiu-se ao seu computador e pensou em fazer algo útil. Mas não havia nada para fazer… O que fazer agora? Perguntou-se Serg. Seu nextel apita. Quem será a essa hora? Perguntou-se ele.

– Sérgio.

-Não, aqui é o Eric.

– Puta que o pariu Eric… Eu sei que é você… Eu estava apenas… Esquece.

– Tsc, você é meio louco às vezes Serg.

– E aí?! O que é que há?

– Mais um lunático…

– Oito dias sem nada acontecer… Um Recorde! – Riu Serg.

– É… Mas esse é Sério Serg. Corre logo aqui.

Serg colocou a sua roupa padrão para ir trabalhar. Uma camisa preta com um colete cinza e vermelho. Calça formal preta e sapato preto. Em seu bolso direito um pequeno relógio de bolso banhado a ouro, herdado de seu Avô. Após se vestir ele dirigiu-se a seu carro. Entrou, ligou o rádio e colocou ‘Doomsday Clock’ do Smashing Pumpkins. E foi direto ao serviço.

Foi pelas escadas. Por ser claustrofóbico, Serg quase nunca usava elevadores. Ao subir, parou em frente à porta de vidro de um dos andares e ajeitou seu belo cabelo liso e castanho. Subiu e dirigiu-se à sua sala. Lá ele encontrou toda a equipe reunida. Sentou-se e disse:

– E aí galera? O que acharam?

– Ele é uma espécie de Serial Killer. Matou as vítimas há três dias e as deixou, ao que me parece, enterradas. Depois desenterrou e jogou na rua. – Disse Sandy.

-Enterradas?! Que porra é essa?

-Ao que parece, Serg, ele usou isso para tentar esconder as digitais. E o que deu Sandy? – Perguntou Roberto.

– Infelizmente ele dificultou bastante. Da para perceber detalhes de plástico, talvez ele deva ter usado luvas, sei lá. – Afirmou Sandy.

– Não há espaço para indecisão na justiça, Sandy, investigue direito isso e afirme. – Disse Serg.

– Sim senhor.

– Roberto, pode traçar uma área de ataque do suspeito?

– Posso sim, já, já te chamo no nextel te mostrando resultados – Disse Roberto.

– Tudo bem. – Sorriu Serg, em quanto todos, com exceção do Eric, saiam. Serg abriu a janela, se apoiou nela para olhar a lua e acendeu um cigarro. – E aí Eric? Quantas vítimas?

– 2 vítimas, ao que parece, foram mortas de maneira igual, por isso já lhe chamamos.

– Definiu o Modus Operandi dele? – Serg solta à fumaça com um sorriso no rosto.

– Estamos quase. – Eric se aproxima da janela e acende um cigarro também e volta a dizer. – Todas as vítimas são homens. Mais ou menos 26 anos.

– Isso é bom… Eu tenho 26 anos, da para fazermos uma armadilha. – Serg expelia a fumaça em quanto ria. – Precisamos apenas saber como ele escolhe as vítimas e como ataca. Pode investigar o Modus Operandi dele para mim Eric?

– Claro.

– Irei procurar relação das vítimas com a Sandy. – Jogou o pela janela. Eric fez o mesmo. – Até.

– Até, Serg.

Serg desceu as escadas do prédio, sua claustrofobia era realmente perigosa, qualquer dia ele deveria buscar um psiquiatra, talvez estivesse louco. Talvez não. Ao chegar ao laboratório Sandy disse a ele, sem se virar, algo surpreendente:

– É chefe… O suspeito tem um Modus Operandi assustador.

– Como assim?

-Ele decepa o órgão sexual da vítima.

– Como ele faria com as mulheres?

– Não faz. Aí entra o outro ponto: Todos são homens! Aparentemente todos têm em média 26 anos.

– Que tipo de maníaco deceparia o pau de alguém?!

– Depois do cara da abóbora eu percebi que teve certo aumento de crimes hediondos aqui no distrito.

– Puta que o pariu. – Disse Serg puxando um cigarro do maço.

– Não fume aqui, por favor. Pode comprometer os corpos.

– Ok, ok. – Disse Serg desanimado largando o cigarro no maço. – O que faremos então?

– Não sei. Espero que o Roberto tenha traçado a área, dará para ter uma ideia melhor.

– Vamos ver. – Serg retira o nextel da cintura, segura o botão e diz. – Roberto. E aí caralho? Conseguiu algo?

“Porra cara, ta foda. Mas ele ataca mais ou menos no leste.”

– Leste? Ok, ok. Bem… Vou dar uma passeada por lá.

Serg pegou seu Ipod e colocou o álbum “Are You Experienced”. Subiu as escadas e saiu do prédio, acendeu um cigarro e foi andando até a parte leste, experimentando  a sensação mais psicodélica de sua vida. Até então. Serg olhou para a esquerda e disse:

– Belo pôr-do-sol. – Solta a fumaça. Ao colocar o cigarro novamente, tudo se torna escuro. Algo está errado.

Como o desvanecimento da vida à morte, Serg se foi. Foi arrastado por mãos lisas e suaves. Serg acorda amarrado em uma cadeira e com a boca amordaçada. Tenta se mover e percebe uma pessoa a sua frente. Ela usava uma máscara e Serg já ia pensando quem seria o filho da puta. Mas esse homem, esse homem era diferente. Ele tinha seios, na verdade ela tinha seios. Era uma mulher. Eram seios redondos e perfeitos. Ela agarrou Serg pelo cabelo, levantando sua cabeça. Serg percebeu que seus olhos eram verdes. Quando começou a falar, Serg percebeu certo tom de sarcasmo em sua voz.

– Então você é Serg, o delegado encarregado de cuidar dos casos mais hediondos do distrito de Joe’s Town. Sabe Serg, eu tenho observado você. Péssima ideia ter vindo ao meu lado da cidade. – Ela removeu a mordaça. Serg cuspiu nela. – Papai não te deu educação? Mamãe não te ensinou nada? – Deu um tapa na cara de Serg. – Te ensinarei uma coisa. – Colocou a mão atrás das costas e em uma velocidade impressionante enfiou uma faca na coxa de Serg. – Quando se está em desvantagem, senhor Matos, você deve demonstrar respeito. Nenhum deles demonstrou respeito. Infelizmente eu cheguei ao extremo de minha tortura. Arrancar seus deliciosos pênis me proporciona um prazer imenso. Terei que fazer o mesmo com você, Sérgio?

– Como você sabe meu nome?

– Oh, como? – Jogou a carteira de Serg nele. – Estava em seus documentos, seu distintivo, tudo. Deu azar de eu já estar te monitorando há semanas.

– Monitorando o caralho.

– É eu já vi seu caralho também. É até bonitinho.

– Que porra é essa?!

A sentou-se ao lado de Serg em outra cadeira e acariciou o pênis de Serg. Abriu a braguilha e sorriu. Tirou o pênis para fora e agachou para lambê-lo. Ajeitou seu belo cabelo moreno, tirando o da frente e começou a lamber o pau de Serg.

– Sério. O que você quer de mim? Quem é você?

– Eu sou uma mulher que há muito vem sendo descriminada. Deixada de lado. Zoada. Tudo porque não gostam de mim. Desde então tenho me vingado de todos que um dia já me descriminaram.

– Mas eu?! Não sei nem ao menos quem você é.

A mulher retira a máscara preta do rosto. Serg fica atônito. Agora ele entendia, ele sabia o porquê de tudo aquilo. Mas sabia também o que ela sentia, todo o sentimento dela havia captado Serg agora. E ali, onde parecia ser um galpão de fábrica estavam dois infelizes. Incompreendidos. Imersos na triste ilusão que chamamos de realidade. Ali, solitários, vazios. Serg olhou para Mariana com uma cara de sofrimento, abaixou a cabeça e disse:

– Mari… Não era para isso acontecer… Você sabe que…

– Não me venha com essa! Você sabe que foi sua culpa. Culpa de todos.

– Todos são culpados Mari, mas ninguém é culpado, entende?

– Tsc. Não banque o estúpido achando que vai me confundir. Você fez isso! Você desfigurou minha cara! Você é a chave final para minha vingança.

– Eu não queria…

– Mas fez. Desde que me empurrou no fogo quando nós éramos crianças eu tenho sofrido com isso. Eu e minha família tivemos que nos mudar por causa da humilhação. Eu sofri Bullying por causa dessa porra dessa cicatriz. Nunca tive namorados por causa dessa cicatriz, nunca tive nada! Sempre fui olhada com maus olhares. Sofri a porra da minha vida toda! Por sua causa.

– Foi uma brincadeira! Você que sugeriu brincarmos de pega-pega. Eu era uma criança, eu não teria essa intenção. Eu me culpo até hoje por isso. Eu gostava de você, foi difícil te perder.

Serg não conseguia encarar a queimadura que consumia 50% do rosto de Mariana. Era difícil de encarar ela, que um dia já fora tão bonita. Ver aquela carne degrada em sua cara. Serg não conseguia encará-la. Não conseguia, pois sabia o que ela sentia, ele um dia já a amou e não queria perdê-la novamente. Mas não era a mesma Mariana. A menina sorridente e alegre, tudo o que ele via era uma pessoa envelhecida, cansada, triste. Tudo o que Serg via era aquilo. Aquela mulher. Serg chorou.

– Oh, agora você chora. Vou acabar com seu sofrimento, pode ter certeza. – Dirigiu-se a uma mesa. – Que bosta. Bem, o álcool acabou. Vou ali ao supermercado comprar e já volto.

Tudo o que Serg precisava, um tempo para reagir. Merda, já era dia 9 e ele estava preso com aquela psicopata que ele amava. O que fazer? Serg percebeu que a cadeira em que ele estava não era tão forte quanto parecia. Mexeu-se e caiu sobre o braço esquerdo. Gritou de dor. Soltou o braço, parecia que Mariana não conseguia amarrar uma pessoa na cadeira, parecia amadora. Ou Serg era muito foda para se soltar. Puxou um cigarro do bolso e se escondeu no canto do quarto, nas sombras. Não deixaria que prendessem Mariana. Ela não merecia. Terminou o cigarro e o apagou na cadeira para provocar Mariana.

Mariana entra saltitante com uma ecobag. Quase cantarolando ela diz:

-Serginho. – Quando percebe que Serg não estava lá, ela se dirige a cadeira quebrada e vê as cinzas do cigarro. – Filha da puta.

Ela coloca a ecobag em uma mesa ali perto, retira o álcool e pragueja enquanto prepara tudo. Coloca um pouco de Álcool em um potinho, retira uma caixa de fósforos de uma gaveta. Enche duas taças com champanhe. Aquela comemoração tinha que ter estilo. De repente começa a tocar “Money” do Pink Floyd em um canto escuro do galpão. Mariana puxa uma faca de cima da mesa e diz:

– Por ter tentado fugir irei arrancar seu pau fora Sérgio.

Ela se aproxima com a faca e desferi um golpe. No nada. Serg estava atrás dela, a agarrou e se jogou no chão junto a ela, chutou a faca longe. Serg chorava. Mariana não entendeu. E aos prantos ele disse:

– Mari, não era para nada disso acontecer. Eu te amo, sempre amei e não será diferente no futuro. Quando você e sua família se mudaram eu quase morri, sofro até hoje com a sua perda. Não quero que nada de mal aconteça a você, me desculpe, sempre fui meio bruto nas brincadeiras e admito que naquela festa junina há vários anos atrás não foi diferente, eu exagerei. Eu te amo, me desculpe. – Serg beijou Mariana. Mariana começou a chorar. – Não importo com sua cicatriz, você é linda. Vamos viver junto, tenho um amigo que pode apagar sua ficha e assim você não será perseguida pela Justiça, ninguém sabe que foi você, posso prender qualquer idiota na rua, forjar provas e assim nós viveremos juntos, para o resto de nossas vidas.

– Serg… Você faria isso para mim? Mas não é contra as leis?

-Quem joga de acordo com a lei, Mari? Ninguém. Fica comigo, em uma semana nem saberão quem foi. Você me dera essa chance de provar que te amo?

– Me provar mais?

E ali, no chão daquele galpão na Rua Fred Moyer, repousavam dois infelizes. Chorando. Beijando-se. Amando-se. Permaneceram lá por horas. Serg arranjou um mendigo que também se matou quando Serg ameaçou prendê-lo. Ele criou uma desculpa para as mortes. Eric brincou:

– Eles se matam quando vêem você Serg. Você deve ser assustador.

Toda equipe não gostou que Serg tinha saído em uma missão sozinho, sem ao menos dar um sina de vida, todos pensaram que algo havia acontecido.

Mariana fez uma plástica e começou a morar com Serg no seu apartamento. Como havia se formado em Advocacia, fez um concurso para promotoria e passou. Virou promotora de justiça e trabalhou conjuntamente com Serg e sua equipe. Viveram em paz por muito tempo. Mas o trabalho de Serg somado ao distrito em que viviam não dava descanso a ninguém.

Em busca de Justiça – Então é Halloween?

– Então é Halloween? – Disse Serg soltando lentamente à fumaça de seu cigarro.

– É Serg, o dia mais assustador do ano – Disse Eric rindo com o cigarro na boca.

– O que temos para hoje, Eric?

– Parece que algum megalomaníaco estúpido anda matando pessoas e costurando abóboras em suas cabeças. – Eric expelia a fumaça como uma chaminé – Está fazendo isso desde a meia-noite de hoje.

– Porra! Já fazem 18h00min que um filho da puta está matando pessoas e só sou informado agora?

– Achávamos que eram casos isolados, chefe.

-Claro, pois todos assassinos colocam abóboras na cabeça das vítimas. – Disse Sérgio com um tom sarcástico.

-Eh…

– Temos que parar com essa burocracia Eric. Quantas vítimas?

-Quatro.

-Quatro vítimas?!  Porque não me falaram antes?! A partir da segunda com toda a certeza não são casos isolados.

– Bem, chefe, nós estávamos investigando até então, chamaríamos você em último caso… – levou o cigarro à boca – E no caso, estamos fodidos.

– Puta que o pariu. – Apagou o cigarro no cinzeiro – O que vocês já sabem?

-O assassino mutila as pessoas e deixa abóboras com sorrisos felizes no lugar. – Apaga o cigarro no cinzeiro. Solta um suspiro e diz. – Ele está atacando aqui em nosso distrito, por isso a merda toda foi empurrada para a gente.

-Ok, Ok. – disse Serg se levantando de sua cadeira e indo olhar na janela. Do outro lado da rua ele viu um mercadinho, sorriu e virou-se – Diga-me, Eric, Quantos supermercados têm aqui no distrito?

-Vou saber? Uns 40?

Calmamente Serg lhe disse, com um sorriso na cara:

– Tudo bem… Volte para sua sala e abra o Google Earth, olhe nosso distrito e conte quantos mercados. Vou conversar com a Sandy, para ver o que mais ela achou na autópsia. Imprima o endereço de todos os supermercados. Chame-me no Nextel quando terminar.

– Tudo bem, chefe.

Serg sentou-se em sua cadeira e suspirou. Virou-se para a janela e ficou olhando a lua subir no céu. Serg estava cansado. Todo dia maníacos faziam merdas em seu distrito. Abriu uma garrafa de uísque, encheu um copo e bebeu. Logo após decidiu falar com Sandy.

Desceu as escadas e foi ao andar onde se localiza o laboratório. Ajeitou sua gravata vermelha abaixo de seu coleto e então entrou. Sandy estava debruçada sobre um morto, procurando por indícios do crime.

– E aí Sandy? Novidades?

– Serg! Você por aqui? Bem… Ele usa facas que o exército usa, sabe? Aquelas que têm alguns dentes em parte inferiores. Ah, as abóboras são cortadas com a mesma faca. Ele deve ter algum conhecimento de anatomia, pois ele corta a garganta em um ponto que a pessoa morre sofrendo. Fora isso a forma com que ele liga a abóbora ao corpo é perfeita.

– Hm… Entendo… Já tentou abrir a abóbora?

– Como?

– Abrir à abóbora. – Serg pegou uma faca em cima da mesa e abriu à abóbora. – E aqui está!

Dentro da abóbora havia um bilhete. Serg o leu em voz alta:

– “Feliz Halloween! Diga-me uma coisa, qual a maior travessura que você cometeu? Sabe a minha foi ‘iluminar’ a cabeça desse indivíduo”.

– Como assim? – Perguntou Sandy.

– Bem, iluminar é um termo subjetivo. Pode ser desde ensinar até iluminar literalmente.

– O que você acha?

– Não sei ao certo, preciso que você me diga mais algumas coisas. – O nextel de Serg apita – Um minuto, Eric, eu já subo aí. – Guardou o Nextel no bolso. – Trace o perfil psicológico das vítimas e do assassino para mim. Me chame no nextel quando terminar. Vou dar uma saidinha com o Eric.

– Tudo bem.

Serg subiu as escadas e encontrou Eric encostado na parede flertando com Gabriella. Serg deu um tapinha nas costas de Eric e disse:

-Vamos lá seu bastardo.

– Ah… Chefe… Eh…

– Não precisa se explicar Eric… Vamos até o estacionamento.

– Tudo bem.

Foram conversando sobre várias coisas no caminho. Quando chegaram Serg encostou-se ao carro, puxou um cigarro para fora do maço e perguntou:

– O que descobriu?

– Bem, temos 43 mercados no distrito.

– Tem os endereços?

-Sim. – Disse Eric tirando um papel dobrado do bolso.

-Deixe-me ver – Serg tirou o nextel, apertou o botão e disse – Roberto?  Ta aí? – Roberto responde – tudo bem, junte mais três homens e venham aqui no estacionamento.

Após algum tempo quatro homens chegam e Serg diz:

– Pessoal, temos 43 mercados que podem vender abóboras. Vamos nos dividir. Cada um de vocês procura em 8 desses supermercados, eu e Eric procuramos em 11. Mantenham-me informado pelo nextel. – Serg cortou o papel dos endereços em 5 partes. E entregou a cada um. – Vamos lá! Temos um Filho da puta para prender.

Cada um se dirigiu ao seu carro, Serg e Eric entraram no Corolla preto de Serg. Serg ligou o rádio e colocou um pendrive. Ele disse:

– Espero que goste de Pink Floyd.

Procuraram em todos os 11 mercados para ver qual deles vendia abóboras. Todos vendiam. Assim como todos os 43 mercados vendiam. Serg disse aos outros para pegarem as fitas das câmeras de segurança e histórico de vendas. Todos voltaram ao QG, onde Serg passou horas averiguando as fitas dessa semana que havia começado há pouco – ainda era quarta-feira – e as fitas da semana passada. Na fita de quarta-feira de humana semana atrás do mercado ‘extra’ havia um homem com um carrinho onde só havia abóboras laranja. Serg sorriu. Era um homem alto, branco, com um moicano moreno e com um piercing inusitado, que mais ninguém teria. Um piercing que se assemelhavam a pequenos espinhos, todos em sua mandíbula inferior. Seu nextel toca.

– Chefe, todas as vítimas são homens que moravam em um condomínio de casas. Todos sumiram hoje cedo e suas famílias já entraram com B.O. para procura. As levo para o reconhecimento de cadáver?

– Sandy… Como irão reconhecer sem a cabeça? Faça teste de D.N.A. neles.

– Tudo bem. E você? O que descobriu?

– Encontrei um homem comprando um monte de abóboras semana passada. Passe me por e-mail o endereço desse condomínio, irei lá dar uma olhada.

Serg abriu o e-mail, terminou seu uísque e cigarro e foi dirigir. Chegou ao condomínio, ele se chamava Carpe Diem e era um condomínio de casas medianas. Pediu ao síndico para convocar uma reunião extraordinária. E lá estava ele. Nessa reunião, Serg anunciou a morte de 4 moradores. Todos ficaram em choque e a reunião acabou.

Serg seguiu o jovem que era o suspeito. Após um tempo que o homem entrou, Serg bateu na porta e disse:

-Doces ou travessuras! – Socou a cara do homem o derrubando. Fechou a porta, sentou o homem em uma cadeira e disse – Você está preso, sobre acusação de assassinato em série.

– Porra! Meu nariz! – O nariz do homem sangrava. – Afinal, o que eu fiz?!

-Você comprou abóboras recentemente, não?

– Sim, um vizinho me pediu esse favor, já que estava ocupado, me deu 200 contos e me disse para ficar com o troco.

-Puta que o Pariu! Não foi você?!

– Eu o que porra?!

– Tudo bem, me diga aonde esse vizinho mora.

-Ele mora aqui em frente. Mas saiu, foi jogar o lixo fora, sei lá. Estava com um puta dum saco no porta-malas.

– Ah… Muito obrigado… Desculpe pelo nariz.

Serg se dirigiu a casa da frente. O cara ainda não tinha chegado. Arrombou a porta. Era uma bela casa, havia um grande bar. Serg se serviu de um uísque Gold Label. Pegou um charuto cubano e sentou-se na cadeira. Quando terminou o charuto, Serg ouviu um barulho no andar de cima. Sacou sua 9 mm e subiu devagar. No quarto dos fundos havia algumas cabeças avulsas, onde havia vários miolos e muita carne em um canto do quarto, que fora as cabeças e um armário estava vazio. Essas cabeças estavam vazias e com uma vela acesa dentro delas. Serg pensou que tipo de maníaco faria isso. O armário mexia e se ouvia ruídos de dentro. Serg abriu o armário e três corpos caíram ao chão, todo atônitos.

Serg sussurrou para eles dizem que estava tudo bem e era para ficarem quietos, pois ele iria soltá-los.  Quando Serg puxou seu canivete para cortar a corda das mãos ele ouviu a porta sendo aberta. Serg se escondeu atrás da porta. O maníaco entrou pelo quarto dizem.

– Meus queridos! Eu voltei para nossa diversão.

Serg encostou o cano frio na nuca do Maníaco e disse:

-Vamos com calma, Cowboy, você está preso.

Serg o Algemou no corrimão da escada, chamou reforços e começou a interrogá-lo.

– Qual o seu nome?

– Matheus Garcia – disse o homem quase chorando.

– Por quê?

– Eu apenas queria salvá-los, queria dá-los a luz, fazer deles seres iluminados.

Serg o olhou com um olhar torto e disse:

– Tudo bem, Zsasz, você cometeu muitos erros e isso não ocorrerá de novo.

-Quando eu for solto eu farei de novo, você sabe muito bem.

-Sim eu sei. – Disse Serg com um sorriso de uma orelha à outra. Colocou uma luva na mão direita e colocou o revólver na mão de Matheus, direcionou o revólver para a boca e o fez apertar o gatilho. – Vá se foder.

Serg serviu-se de uísque e fumou um cigarro. Quando o ‘reforço’ chegou após meia hora, todos ficaram assustados. Lá estava Matheus, com a pistola na mão, morto. Serg lhes contou o que aconteceu.

– Quando eu estava o interrogando, ele pegou a arma com a mão que deixei livre e rapidamente se matou, não deu nem tempo deu impedi-lo. Foi tudo tão rápido.