(Pseudo)Nomes

I

Deveria me chamar Gabriel, pois assim está escrito e assim alguns poucos me chamam.

Deveria ser, num entanto, Gabriel R., pois R. também me nomearam. Por R. tenho carinho, mas não sou.

Teria de ser G.R.M., pois M. ao meu sangue está ligado, e por mais que não haja contato, ou carinho, o que lhes sobra é desdém, pois M. querem que eu seja, mas M. eu não sou.

Disseram-me que de F. eu sou, por de F. também tenho carinho, e muitos insistem para que assim eu seja, mas de F. também não sou.

Por fim, restara-me apenas Dias, que desejo e finjo ser, mas não sou.

 

II

Sou Timóteo Pinto, antigo profeta da Discórdia, primeiro dos zenarquistas.

Sou Monty Cantsin, o não pecador, dono de todos os “novos-ismos”

Sou Karen Eliot, uma punk louca da Inglaterra, segunda na linha de sucessão de todos os  “novos-ismos”.

Sou Tae Ateh, uma mineradora de dados, e trabalhadora psíquica, psicogeógrafa do sindicato dos trabalhadores mortos

Sou Luther Blissett, o italiano, pai de todos os nomes de múltiplo uso.

E por fim, sou TimóTae PinTeh, filho maldito de Timóteo e Tae, nem profeta, nem mineradora, tão pouco zenarquista e trabalhadora psíquica.

III

Não sou quem deveria ser, mas sou quem não deveria ser.

Dizem por aí que teu nome te define, teu nome é tua essência.

Minha existência precede minha essência. Assim quero que seja, e assim é.

Não sou nem Gabriel, nem R., nem M., nem de F., nem Dias

Nem mestres, nem deuses.