Pseudônimos / Pseudonyms

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Criada no dia 16/10/16

Com o planejamento para a criação do Paçoca, eu decidi adotar um novo pseudônimo, nesse caso “Viktor Andrejnovich Dias”. E pelo fato de eu ter ido em dois eventos de investidores e empreendedores e ter usado traje formal, eu decidi adotar esse visual para ele.

As cores utilizadas foram roxo e verde, que são espectros opostos, e o laranja. Tentei fazer ar-1296333-1371128705-5021 utilização do azul, que é um espectro oposto do laranja, mas não vi uma forma visualmente agradável para encaixar. Essas cores utilizadas numa foto minha com cara de “mas que porra é essa” – se você acha essa uma descrição fraca, o problema é seu, sinceramente. Essa mistura de cores tem um apelo pra mim, pois são cores que foram utilizadas no álbum “To sell the truth”(1996) do Youth Brigade. Um dos álbums que mais me ajudaram a acordar lá em meados de 2013. A minha foto de roupa formal foi colocada em cinza fazendo uma alusão ao Caracinza, antagonista erisiano.

Utilizei duas fotos minhas usando roupa formal, a primeira (paletó e gravata) usando um blend com hardlight junto ao background, fazendo com que o rosto ficasse mesclado com as cores roxa e verde, mostrando que não sou tão Caracinza (Greyface) assim. A outra foto foi uma foto minha de camisa social, sem o paletó, que eu coloquei por cima com um overlay. O interessante é que ambas fotos foram tiradas com um Plano Americano, mas sem intenção alguma. Talvez porque o Plano americano seja o plano mais comum quando você pede pra alguém tirar uma foto sua. Infelizmente a posição da câmera estava diferente, nas duas fotos, sendo uma delas tirada de frente e a outro num “2/4” – se é que isso existe. – Nas duas fotos eu estava com a mão no bolso, o que ajudou a formar a silhueta e o terno preto, uma das minhas manias com essas calças formais é colocar a mão no bolso. É possível ver que é uma foto em cima da outra, porque existe um “espectro” no ombro direito, e no braço esquerdo (próximo ao escrito). A minha cara também ficou distorcida, dando uma impressão de sombra embaixo dos olhos.

Na parte escrita está: “Seria esse cuzão” seguido de uma lista com pseudônimos que já adotei, como Timóteo Pinto, Anders Dias, G.R. Dias e o mais recente que inspirou a foto, Viktor Andrejnovich Dias. Além de algumas identidades colaborativas, das quais vocês podem se apropriar também, que no caso são Tae Ateh (Neoista, embora tenha uma cultura própria fora do neoismo), Monty Cantsin (neoista), Karen Eliot (neoista), Timóteo Pinto (discordianismo), e Luther Blissett (tem uma cultura própria, mas já fez parte do discordianismo no Brasil e do neoismo também). Além de dois nomes aleatórios: Greyface, nome discordiano para uma pessoa chata, geralmente representado usando um terno, motivo pelo qual inclui na lista; e Oscar Wilde, pelo bulldada/shitpost/piada interna do discordianismo brasileiro, acerca de assassiná-lo. E vem a pergunta “Ou ele é apenas o Dias?”, retomando a ideia de pseudônimos colaborativos, onde Tae Ateh afirma que “I are we am Tae Ateh”, ou o exemplo Brasileiro, do Timóteo Pinto, “Entre contato com você mesmo hoje, seja você um Timóteo Pinto também” – algo assim – como que insinuando “Esse cuzão é tudo isso, e é apenas o Dias”.

A tipografia, inicialmente, era para ser Helvetica, mas ficou com um visual muito clean para o fundo sobrecarregado, como um amigo meu disse “ficou uma bosta”. E as palavras estavam todas largadas, do meu lado esquerdo (direito de quem está vendo), mas então decidi alinhá-las de acordo com a silhueta, e colocando uma linha de respiro no canto direito da imagem. Para isso, acabei ajustando o tamanho dos nomes, para encaixar certo com a silhueta e o espaço de respiro da imagem. Pedi ajuda a um dos Capistas da Ordem Amendoal em qual tipografia ficaria melhor com a imagem, e ele me passou essa tipo glitcheada, que casava bem com a imagem (tanto pelo espectro na minha silhueta, quanto no fundo sobrecarregado). Tirei o stroke que estava usando para dar leitura, e diminui a opacidade da letra para 80%, já que sem stroke ficava um branco forte que machuva os olhos, e também não dava leitura.

Olhando agora, o que eu mudaria:

  • A frase: “Or is he just Dias?”, diminuindo ela, para ela se alinhar ao começo da frase “Is this asshole here”.
  • Incluiria o nome coletivo “Vitoriamario”, um grupo de artistas e anarquistas brasileiro, que esqueci na hora.

 

Eu não entendo porra nenhuma de design, além do pouco que vi na faculdade. Isso é um progresso das minhas diversas brincadeiras com o photoshop.

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Pense dentro da caixa

Não é segredo que eu vim do interior do estado. Até me orgulho, em meio as piadas auto infligidas. Mas o modo como eu fui criado causa estranheza a alguns amigos e amigas. E quero que eles se fodam.

Sinto-me desconfortável ao andar pela capital. Seja pelo fato de haver olhos e ouvidos por todos lugares, ou por terem me ensinado enquanto criança que não devia confiar em estranhos, especialmente na capital.

Talvez meu paladar mórbido – essa minha paixão sádica – pelo sensacionalismo, de nada me ajuda. Ver aquele gordo filho de uma puta – que se diz cristão – gritar e berrar por e pela morte, deixando subentendido em nosso consciente que os crimes nesse país saem impunes – o que não é verdade. Esse sadismo faz parte das minhas – às vezes noites – há pelo menos 7 anos. Não é parte do que sou, embora eu finja ser.

A noite sem as estrelas me assusta. Muito embora tenhamos trazido as luzes para próximo de nós. Uma sombra desce a rua, em minha direção, e solta um suave e sonoro “boa noite”, enviando arrepios à minha espinha. “Quem é você? / Eu não lhe conheço. / O que você quer? ” são minhas respostas mais comuns.

Das duas vezes nas quais fui assaltado era dia, mas é a noite que me deixa desconfortável. Especial quando se tem muitas pessoas na rua. A minha paz com a noite se dá no silêncio sepulcral, com ninguém à vista, quando eu posso gritar meus mantras pessoais e sagrados, rompendo o silêncio eterno.

Eu subia a ladeira que leva à minha casa e não havia ninguém, apenas uma matilha de cães, desbravando a noite com sua diversão infinita. E seu líder ancião, do outro lado da rua os observava, a irreverência de seus enteados o colocava em um estado contemplativo. Das pequenas coisas da vida que ocorrem na madrugada da capital, certo?

Não sou apenas eu, acredito, que vive e sente-se dessa forma. Ainda mais na capital. Olho para suas caras nas filas do metrô, nas filas dos bancos. Vivemos todos presos nesse universo próprio e esquizofrênico, com suas próprias regras que desafiam a biologia ou lógica. Somos todos claustrofóbicos. Presos em uma pequena caixa, sem qualquer esperança de nos livrarmo-nos em um futuro próximo.

À noite, pessoas e pessoas dormes, deixando as almas imortais e cérebros inquietos vivos, planejando e conspirando contra a caixa, contra a máquina. Minha mente grita na calada da noite. Ninguém responde.

Estaremos sempre confinados?