Perceba Ivair, a petulância do discordiano

Também conhecido como “Como o Dias ficou puto para caralho com a burrice de outros discordianos”.

tumblr_ne4k5gVNHA1rljgjjo1_1280
Eu não ia escrever nada, mas o bagulho agora vai ficar estranho.

Eu não iria escrever nada sobre o assunto, sabe como é? Porque se eu escrevesse qualquer merda, iriam (e vão) me chamar de ideologista. Mas como já escreveram um texto – escroto para caralho – e totalmente ideologista se disfarçando de não ideologista, vejam isso como uma resposta.

Fui acusado, por um (pseudo) discordiano, de usar o discordianismo para fins meramente políticos. E enquanto eu nunca escondi minhas preferências políticas e inclinações anárquicas, eu nunca forcei isso em cima de ninguém. E se perguntarem a qualquer uma de minhas amigas, ou amigos anarquistas, perceberão que é exatamente ao contrário: Eu sempre usei o anarquismo para promover o discordianismo.

O texto todo foi justificado, porque alinhar à esquerda, ou à direita é estúpido – quiçá centralizar.

Por que socialismo?

Roubo esse subtítulo de um texto escrito por Einstein, acerca do socialismo, para também incitar um debate maior entre nosso círculo. Usarei textos e artigos de fontes confiáveis, não algum vídeo idiota do youtube, com uma montagem de imagens no Windows movie maker, que traz informações um tanto quanto duvidosas. E me sinto compelido a falar – uma última vez – acerca do socialismo num geral. Primeiro porque, apesar de eu apresentar as ideias acerca do socialismo – e por consequência o comunismo – as mesmas estupidezes são repetidas, mais e mais. Eu tenho meus próprios grilos com o comunismo e com o socialismo num geral – merda, tenho até meus grilos com o anarquismo! – e irei apresenta-los nesse texto também, porque percebo que eu me abstendo de mostrar meus pontos de vista, é fácil alguém apontar e me taxar de qualquer outra coisa que eu não sou.

sKwxWFl
Não compreende o capitalismo? Nos culpe em vídeos do youtube feitos no moviemaker.

Não devemos confundir Socialismo com Comunismo. Exista, talvez, essa confusão porque muitos socialistas utilizam da obra de Marx em seus estudos. O que não é de todo ruim, diga-se de passagem, mas que sempre cai na mesmice. Simplificando: Comunismo é uma forma de socialismo. Socialismo Científico, como foi chamado por um de seus fundadores Marx. Científico, pelo fato de se basear em dados empíricos e fazer uma análise materialista acerca da nossa sociedade e de sua história. Chamando assim os outros socialistas de utópicos – que desagradável, Marx!

A teoria Marxista, resumindo, se resume em descentralizar os meios de produção e colocar o poder de decisão nas mãos dos trabalhadores. Uma fábrica sem patrão, basicamente. Quem dizer que nunca pensou em chutar a bunda do próprio chefe, estaria mentindo. O Socialismo, nesse sentido, vai além de simplesmente pensar: Ele apresenta todo um método de como os trabalhadores podem se organizar, e trabalharem sem serem subjugados.

“Estou convencido de que há somente uma forma de eliminar estes graves malefícios: através do estabelecimento de uma economia socialista, acompanhada por um sistema educacional que seja orientado para fins sociais. Em tal economia, os meios de produção são propriedade da própria sociedade e utilizados de maneira planejada. Uma economia planejada, que ajuste a produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho entre todos aptos a trabalhar e garantiria os meios de vida a todos, homem, mulher e criança. A educação do indivíduo, além de promover suas próprias habilidades inatas, intentaria desenvolver em um sentido de responsabilidade por seu próximo, em lugar da glorificação do poder e do êxito em nossa sociedade atual” – Albert Einstein.

Contextualizando essa citação do Einstein – para não só parecer que eu removi de contexto – ele traz uma análise da economia capitalista, e como ela causava sofrimento para uma massa de indivíduos, enquanto poucos indivíduos vivem bem (seja ele Estado ou Capital). Recomendo a leitura do texto do Einstein.

O Socialismo é comumente divido – embora haja divergências – entre estadistas e não-estadistas. Mas nenhum socialismo se resume a Estado. O Estado, para os socialistas estadistas, é meramente um instrumento para descentralizar os meios de produção, e após atingirmos o socialismo – teoricamente falando – o Estado sumiria. Já os anarquistas e outros socialistas não-estadistas, reconhecem que a utilização do estado subjuga o indivíduo, não resolvendo o problema. O Estado, no caso dos Estadistas, é um meio para atingir o fim (fins justificam os meios, na lógica maquiavélica). Para os não-estadistas, os meios são os próprios fins. O que isso quer dizer, você se pergunta? Ao invés de o Estado assumir os meios e depois passar esse domínio aos trabalhadores, os trabalhadores vão lá e assumem o poder, sem depender de ninguém.

2en5YqN
Sobre Socialistas Estadistas (clique pra ampliar)

Os Estadistas têm diversas táticas para assumir o poder. Um comunista, por exemplo, nunca assumiria o poder do Estado ganhando uma eleição. Quem ganha eleição é socialdemocrata. E por mais que o PCdoB, se diga comunista, eles nunca serão comunistas fazendo o mesmo jogo da ordem burguesa e alimentando a máquina – tanto estatal quanto capital. Um comunista pega em armas e assume o poder. A infame – e mal compreendida – dita dura do proletariado. Proletariado somos todos nós, que não temos meios de produção. Não somos donos de fábricas, de TVs, ou grandes redes de supermercados. A nossa dita dura é o Estado transitório do qual falei anteriormente, a grosso modo. O meu grilo com a dita dura do proletariado, é que para descentralizar o poder, ela centraliza em uma vanguarda primeiro, até poder garantir que a burguesia não vá desmoralizar o movimento. Isso nós mesmo façamos, é o povo pelo povo, não o Estado pelo povo. Já os Estadistas que jogam pela ordem burguesa, é de se esperar que com o impeachment eles vejam que não se joga pelas regras da burguesia, porque as mesmas empresas e bancos que foram favorecidas pela socialdemocracia petista, cuspiram de volta e estão depondo a presidente do poder. Mais do que justo, devo dizer, para aprender que socialismo se faz com armas e com poder ao povo, e não favorecendo a burguesia.

Com essas explicações na cabeça, vem a hora de eu responder à pergunta do subtítulo: Porque socialismo? Pelo fim do Caracinza, seus seguidores e sua maldição! No ano de 0 YOLD, o Caracinza decidiu que todos deveriam ser chatos e sem humor, como ele era. Ora essa, que pretencioso, não é mesmo? E qual é a Ordem mundial atualmente? Ponto para aquele que disse Democracia Burguesa e imperialismo mercadológico! Se você perceber, o Estado e o Capital são constituídos por seguidores do Caracinza: caras engravatados, que passam o dia reclamando e falando sobre contas e impostos e ganhar dinheiro. Ou que passam o dia todo votando algumas leis para impor sobre nós, espíritos livres – ou as vezes nem vão votar, como é o caso do Bolsonaro.

A Maldição do Caracinza divide o mundo entre Ordem e Desordem. Desordem, no seu sentido político, é a subversão da Ordem atual. Os anarquistas, nesse sentido, buscam a subversão da ordem, buscam a desordem, o caos. A POEE, que a Deusa os tenha, propôs um novo modelo para subverter a maldição do Caracinza, que dividiria ordem e desordem em duas categorias: Destrutiva e Criativa. Nesse contexto, a Ordem destrutiva seria o capitalismo, como é hoje, o antro de caracinzas. A Ordem criativa seria quando um caracinza coloca um sorriso na cara, e finge não ser um caracinza, como a Economia compartilhada – que é defendida tanto pela esquerda, quanto pela direita, mas que tem um monte de grilos sim. A Desordem Destrutiva, seriam os socialistas estadistas, que iriam repetir o mais do mesmo com o Estado – a caracinzação do movimento socialista, se você me perguntar. E a Desordem Criativa, seriam os anarquistas e socialistas libertários, que buscam uma maneira divertida – tipo pegar em armas e matar a burguesia e os políticos, a violência é divertida, qualé! – subverter a ordem social e econômica, e acabar com o caracinzismo!

200px-Jair_Bolsonaro
Não é só porque um caracinza sorri, que ele deixa de ser um caracinza!

Aquele artigo postado na tudismocroned, foi desonesto, mas para não ser tão cruel, vou fingir que foi apenas inocente, e foi escrito por um cara que tem aproximadamente a minha idade, mas que nunca foi ativo – ou pensou em ser – politicamente antes de 2013, e que após de dois mil e treze, apenas viu alguns vídeos idiotas no youtube, ou leu umas bostas sem fundamento do Olavo de Carvalho, e tomou aquilo como verdade absoluta para ele. A VIDA É ABSURDA, CAMARADA!

Acho bem bosta quando me chama de ideologista. Primeiro porque eu já fui de tudo – até mesmo “anarco”-capitalista! – e eu sempre busco entender melhor um ponto de vista, antes de qualquer coisa. Motivo número um, pelo qual sempre que me envolvem em uma treta da qual não tenho domínio, eu geralmente me esquivo, leio sobre o assunto e tiro as minhas próprias conclusões baseadas no que eu estudei. Mas quem sou eu para mudar a realidade de alguém, não é mesmo? Se elx prefere acreditar que eu sou um ideologista, então eu sou um ideologista.

Pelo fim do dogmatismo discordiano

A vida é irônica, não é mesmo? O discordianismo foi feito para ser uma religião que zoasse outras religiões e zoasse a dogmatização delas. O Discordianismo traz ensinamentos budistas, de uma forma libertária, sem uma autoridade ou dogma. O que é bom, todos nós concordamos com isso. O problema é quando esse anti-dogmatismo vira dogma. Mas não é um dogma contra um dogma – o que seria um dilema um tanto quanto engraçado – mas sim um dogma onde o discordianismo se tornou apenas ha-ha. Todas as críticas sociais e toda a filosofia absurdista, que relativiza a moralidade, se tornou apenas ha-ha. Ora essa, sigam esse conselho:

principiahahah
Página 00075, Principia Discordia

De tempos em tempos, eu olho os textos discordianos e fico “mano, que merda, não estou entendo mais nada”, e após ler o PD novamente – numa cagada – tudo volta ao normal e tudo faz – mais – sentido. Não é uma imposição, onde você tem que ler o PD sempre para ser discordiano, é uma recomendação, para que não se caia em uma punhetice glorificando o poder – conceito caracinza – ou um seguidor do caracinza por si só!

E veja: não estou – em nenhum momento – criticando a SFD por aderir novos conceitos ao discordianismo, longe disso. Incentivo e muito a inclusão de novos conceitos, você pode ver isso no manifesto da F.O.D.A.-S.E., e por mais que o fato dos annunakis serem um conceito bem bosta, onde eles controlam tudo – e controle ser coisa de Caracinza – não tem problema algum. Mesmo que a SFD confunda – diversas vezes, aliás – os discordianos com os illuminatis da Bavária. RAW uma vez disse que a inclusão dos illuminatis da Bavária foi feita para serem os inimigos dos discordianos. A questão é: De que lado está a SFD? No estado atual, não do meu lado, isso é com toda certeza.

E eu não quero que vocês, sejam anarquistas ou discordianos, se tornem discordianos e anarquista (respectivamente). É uma mistura interessante, alguns conceitos se batem, mas outros caem perfeitamente. Mas dá muito bem para viver sem um ou outro, da mesma forma que dá para viver sem Caos Magick ou qualquer outro tipo de ocultismo, sem ser discordiano. Nós queremos é dar risada do Caracinza e seus seguidores, mas sem cair no discordianismo há-há!

Eu quero que vocês fiquem loucos, que fiquem pirados, que vocês olhem as injustiças e a coerção no mundo e veja que ali reside a ordem, e que nós temos que trazer o caos para sociedade. Eu não quero você adote uma ideologia política, eu não quero que você vire

large
Caos é só o começo!

ativista, eu não quero que você distribua comida aos pobres, – embora isso seja bem legal da sua parte – eu não quero que você que você pegue em armas e destrua a máquina. Eu quero que você entenda que a Máquina é obra do Caracinza, e que ela subjuga, fere e transforma outros em caracinzas. Eu quero que isso te deixe louco, te deixe puto, te deixe cagando na própria calça de raiva. Eu. Quero. Que. Você. Traga. O. Caos.

Finalizando

Quando trabalhamos com o discordianismo, nós trabalhamos com a liberdade. Não vivemos num mundo livre, nem espiritual, nem materialmente falando. Informação tem para dar com pau, você pega, você lê, você interpreta. Tanto se fala nas grades, mas ficamos presos a elas e tentando comparar umas com as outras – eu faço isso também – o problema é você ficar agarrado a uma grade, sem ao menos ver a outra grade sozinha. Ver uma grade pela outra é ridícula. Que leiam a oposição, que leia o seu lado, e tomem as decisões, mas não leia o seu lado falando sobre a oposição, é a pior merda que você pode fazer. Ainda mais quando são vídeos do youtube que são montagens feito no movie maker. POR ÉRIS, COMO ALGUÉM CONSEGUE LEVAR A SÉRIO UMA MONTAGEM NO MOVIE MAKER?!

Relativizem mais, abaixo aos torturadores, abaixo a toda ordem, abaixo ao Estado, abaixo ao Capital, abaixo ao Caracinza e seus seguidores.

Leitura CRUA (recomendado, ein)

Another Time and Place

Eu desci a rua que estava morta, apenas carros e seus motores, carros e seus motores, com suas buzinas altas, estridentes e ecléticas. As árvores mexiam suavemente, inertes ao mundo a sua volta, em sua paz anciã, murmurando cânticos e orações, cânticos e orações, que há muito foram esquecidas pela humanidade.

Eu vivi ali, sabia? Aquele guardião de concrete e seus olhos de vidro. É, morei ali. Logo que vim o Inferno Paulistano. Quantas e quantas vezes não ajudei meus pais a carregarem as compras, com meu 5 ou 6 anos, eles me davam as coisas mais leves, claro. Pegávamos aquele elevador pequeno e velho, que fedia perfume por conta da vizinha velha que morava no nosso andar. Mas a minha diversão mesmo eram as escadas, que no domingo à noite, após o culto, eu subia nos pulos em minhas pequenas pernas de moleque. Era eu e meu irmão, apostando corridas, não só entre nós, mas contra a mãe e o pai, que muito cansados pegavam o elevador.

Ali de frente era o ponto de táxi, onde taxistas sentavam para fofocar pelo maldito dia a fora, interrompidos pelo telefone que tocava. Atrás deles tinha um posto abandonado, já sem as bombas, apenas sua estrutura. Em um natal, ou dia das crianças, ou qualquer maldito feriado consumista, eu e meu irmão ganhamos carrinhos de controle remoto, e enchíamos o saco, fosse do meu tio, do meu pai ou da minha mãe, para que um deles nos levasse ao posto, onde pegávamos nossos carrinhos e corríamos freneticamente, no chão de concreto frio, com nossas curvas mirabolantes e nossos gritos loucos e espontâneos, loucos e espontâneos, de toda a beatitude e santidade infantil.

E eu estou aqui, parado, encarando o vazio do terreno, que um dia fora o posto. As árvores estão mais velhas e a calçada esburacada. Solto um suspiro e continuo a descer a rua. Aquela casa, por exemplo, tinha pássaros nas gaiolas, e eles cantavam toda manhã quando eu ia em direção à Thomaz Galhardo, a escola que eu fui na primeira série. Talvez cantassem por ser a única coisa que os tirava da melancolia de estarem presos, mas isso não importa mais, não é mesmo? As gaiolas estão vazias na parede, e a escola fora fechada em meados de 2008~2009.

Só tenho boas lembranças da Thomaz Galhardo, escola que não só eu, mas meu padrinho e meu pai, antes de mim estudaram. E era mágico, levar bisnaguinhas com requeijão e suco tang de morango, sentar-se em uma mesa velha, e passar a primeira parte do recreio comendo, e a segunda correndo e correndo e brincando com as outras crianças. Lá também foi a primeira de muitas vezes na qual fui para a diretoria. Talvez motivado pela TV e os desenhos que passavam, em um dos intervalos para o recreio, peguei meu tubo de cola e desperdicei em todas as cadeiras da sala, inclusive a da professora. Inocente do jeito que fui, não coloquei em minha cadeira, e meus colegas igualmente inocentes sentaram sem nem olhar. A professora mandou um bilhete na minha agenda, para a minha mãe, que no outro dia foi na escola. Não durei muito tempo naquela escola, de qualquer maneira. Um amigo meu, que tinha síndrome de Down, me empurrou num pequeno barranco que tinha na frente da escola, e eu rolei e rolei, e caí num arbusto de pequenos espinhos, e logo no dia em que tinha ido com um dos meus jeans novos – naquela época era um luxo! – Minha mãe, claro, ficou louca da vida e me tirou da escola. Mas apesar disso, o que destacava a Thomaz Galhardo era aceitar alunos com deficiência. Foi uma experiência importante ter contato com crianças que tinham deficiência, e eram da minha idade – as vezes mais velhas. Por fim, essa escola se tornou a diretoria educacional de Pirituba, mesmo sendo localizada na lapa, e não em Pirituba, mas seus muros continuam grafitados, o que é sexy pra caralho.