A Ponte do Diabo

On nothing have I set my heart,
So in the world I bear my part”
– Goethe

 

Poderia contar a História de Twardowski, ou a de Fausto, mas não irei e embora essa história tenha lá suas semelhanças, ela serve para provar que velhas tradições nunca mudam, e são carregadas por todas décadas. E de exemplos é o que não falta no mundo. Minha professora de português dizia que toda história tem começo, meio e fim, então evitarei me enrolar nas questões do ‘antigo’ e do ‘novo’, e começarei a maldita história.

Você, leitora ou leitor, já deve ter ficado pendurado em uma janela, num dia de verão chuvoso, e se pegou apenas encarando a chuva, por minutos e minutos, refletindo sobre a vida e diversas outras coisas. Se nunca fez algo assim, lhes recomendo, pois é bem esclarecedor. Aprendi esse pequeno gesto com uma amiga, e nunca mais me esqueci dele. Ela sempre faz isso, independente do tipo de chuva.

Mas foi num dia chuvoso de verão, em que o mundo dela virou de ponta cabeça. Vejam só, camaradas. Ela tinha alugado um chalé, que ficava longe da civilização, e bem próximo da natureza – o que alguns poderiam dizer como próximo de Deus – e tendo ido apenas ela e sua namorada, é de se esperar que se tenha muita paz, e inspiração a fluir de tudo ao redor dela. O que é importante para um artista, não?

Margô era uma artista plástica. Diria que uma das melhores que já conheci, mas sou suspeito para dizer, porque sempre amei Margô e suas obras. Ela usava de traços simples, e conseguia trazer significados profundos e complexos aos seus desenhos, coisa na qual eu tentei me inspirar para escrever, tentando trazer uma linguagem simples, com um conteúdo profundo e complexo, o que claramente não consigo, pois fico preso a uma linguagem romântica barata, digna de um Rimbaud ou Baudellaire ou Poe produzido na China – o que claramente muitos amigos e amigas me criticam por.

E por mais que ela pudesse estar ali com sua amada, num lugar que qualquer babaca chinfrim poderia chamar de ‘romântico’ – é um chalé no meio mato, afinal – algo a perturbava. E isso era nítido, como me confidenciou sua amada após todo o ocorrido, pois ela estava sentada na janela, encarando a doce chuva de uma mata atlântica, mas ao invés de um olhar contemplativo, como se estivesse refletindo sobre qual a verdadeira natureza de Deus, Margô tinha um semblante melancólico, como se encarasse a morte, e visse ela como um destino próximo. Nem mesmo Beatriz conseguia animá-la.

“O que foi amor? ”, Beatriz perguntou, de forma doce e solene. Mas recebeu um vazio “Sei lá”, seguido de um suspiro e “Nada. Eu acho”, ela então se virou para Beatriz, e soltou um sorriso forçado, onde podia sentir um leve grau de melancolia.

Os próximos três dias foram conturbados, Margô tentava desenhar. Sentava-se na janela com um caderno e um lápis, e rabiscava e rabiscava e rabiscava, arrancava a folha, amassava e soltava no chão. Às vezes tentava desenhar em uma tela, mas logo soltava a paleta e o pincel também. Sentava no pequeno sofá, e trocava constantemente de posições, de forma impaciente. Qualquer pessoa diria ser a monotonia do lugar, mas essa pessoa provavelmente não conhece a Margô.

Desespero, um dia ela talhou na madeira do chalé com seu canivete. Nesse mesmo dia, Beatriz saiu para colher algumas ervas para fazer chá, e na volta trouxe uma margarida para sua amada. Margô olhou para a pequena flor e disse: “Ela vai morrer”. O que é extremamente niilista, coisa que ela mesma nunca foi. A maior amante das artes, da vida, do universo, olhou para uma flor, e ao invés de extrair a sua beleza, só pode ver a morte.

Quando o sol nasceu no outro dia, ela não estava em nenhum lugar no qual poderia ser vista. E de frente para o chalé só restava uma pequena fogueira, com as brasas morrendo. Beatriz reacendeu o fogo, e colocou uma chaleira para esquentar um pouco d’água, para as duas tomarem um chá, quando Margô voltasse. Ela havia ido dar uma volta na mata.

Encontrou uma longa ponte, que atravessava um pequeno riacho – provavelmente já projetada em caso de cheia? – mas sua estrutura era de uma natureza não-humana. Era de pedra, e tinha um arco inconcebível para as mãos e mentes humanas, e a julgar pela sua aparência, ela fora construída há séculos.

Margô ficou parada, encarando a ponte. A desenhava com o dedo, como se tentasse memorizar seus traços e detalhes. Aproximou-se. Pisou no riacho, e tocou a pedra, cheia de musgos. Atravessou o riacho e subiu na ponte, passando sua mão no corrimão a sua esquerda. A pedra estava gelada. No outro fim da ponte, virou-se e passou a sua mão esquerda no outro corrimão. Por fim, parou em cima da ponte e debruçou-se sobre ela. Soltou um suspiro e abriu um sorriso.

“É bonita, não é mesmo? ”, disse uma voz vinda do lado direito de Margô. Ela virou o rosto, assustada. Até porque, é dito que aquelas matas eram inabitadas por humanos, sendo que a cidade mais próxima ficava há 23 quilômetros dali. “Quem é você? ”, ela perguntou. “Me chamo Mensogisto”, disse o homem que vestia um casaco preto e longo “Moro em uma das cidades vizinhas. Sempre que preciso ir à outra cidade, faço esse antigo caminho, apenas para atravessar essa ponte. Acho ela bonita”, ele sorriu. Margô concordou com o fato da ponte ser bonita. O homem tirou um cigarro de dentro do bolso do casaco, ofereceu um a Margô, que se recusou. O homem acendeu o dele, e perguntou, “O que faz aqui? Mora aqui perto? ”.

Ele era estranho, alto, com uma voz doce e suave. Margô se sentia um pouco incomodada em conversar com o homem, mas estranhamente, isso não a impediu que dissesse que não morava ali, mas tinha alugado um chalé para passar um mês com a namorada, e que desde que chegara ela sentia um vazio dentro do peito, não conseguia nem mesmo sentir afeto pela namorada, com a qual convivia há 10 anos. E enquanto ela falava tudo, o homem estava encostado no corrimão da ponte, fumando em silêncio, como se analisasse cada palavra que ela dizia. Ou isso talvez fosse alguma loucura de sua cabeça?

O homem sorriu e disse, “Você parece frustrada”. Ela suspirou e concordou. “Por sorte”, disse o homem, “eu vivo para resolver problemas”. Margô olhou para o cara, incrédula, como se não acreditasse em uma palavra que o homem dissesse. “Ok, pode parecer loucura, mas eu posso te ajudar. Digamos que eu faça desejos se realizarem”. “Oh, é mesmo? ”, disse Margô com um tom sarcástico, “Então faça com que eu pinte as maiores obras da arte contemporânea, e que após eu completa-las, eu descubra o verdadeiro significado da vida”. O homem abriu um sorriso amarelo.

“Tudo bem, e em troca disso, o que eu ganho? ”. Margô riu, você conseguia ver que para ela aquilo tudo era uma grande piada. E sem perder o tom sarcástico, ela disse: “A minha alma, é claro”, e continuou a rir. O Homem então começou a rir também. “Perfeito, e prefere firmar esse contrato no papel, ou apenas verbal? ”, Margô ria histericamente, e disse “No papel, vamos manter o estilo”.

O cara removeu um papel de dentro do casaco, estendeu ele no corrimão da ponte e disse: “Vamos aos Termos: ‘Eu, Mensogisto, prometo garantir à Margô Rosana Carvalho inspiração para que ela pinte as mais belas artes contemporâneas, contanto que ela mantenha viva a Margarida que Beatriz Couto Marquês a deu, e após a última pétala da margarida cair, ela descobrirá o verdadeiro significado da vida. Em troca, Margô Rosana Carvalho, me entregará sua alma por toda a eternidade’. Alguma coisa que você gostaria de mudar? ”. Margô estava com os olhos arregalados, ela não havia mencionado o seu nome ao homem, o que dirá seu sobrenome, ou o nome de Beatriz. O homem colocou a mão direita atrás da orelha de Margô, e quando trouxe em seu raio de visão, ele tinha uma caneta em mãos, ele sorriu e disse: “Eu sou um mágico, um artista como você, Margô. Mas também vivo para resolver problemas, por isso sei seu nome e o de Beatriz”, assinou o próprio nome na folha. Estendeu a caneta pra Margô, que pegou a caneta, e mesmo receosa, assinou o contrato. O homem sorriu. “Mais uma coisa”, disse o homem, colidindo uma palma com a outra, e quando separou as duas mãos, ele segurava com cada mão a ponta de uma corrente com uma chave. “Embaixo dessa ponte, tem um cachorro preso a uma corrente. Seu nome é Caleb, ele é meu emissário. Ele ficará próximo de você o tempo todo, e verá você concluir cada etapa do tratado”, o homem sorriu e entregou à Margô a chave, “Essa cópia fica para você”, disse ele retirando o papel do tratado do corrimão, enquanto embaixo havia outro igual, do qual o homem guardou dentro do casaco.

Ele então subiu no corrimão da ponte, e sorrindo, acenou para Margô. Abriu os braços, como se estivesse numa cruz, e caiu de costas. Margô correu para ver o que ocorrera com o homem, mas ele não estava mais lá. Ela saiu da ponte, e viu que embaixo da ponte tinha de fato um cachorro, que não estava ali quando ela chegara. Caleb, o cão, estava deitado no riacho. Quando ela se aproximou, ele se levantou e se sacudiu, molhando-a. Abanou o rabo e colocou a língua para fora. Não tinha raça, mas era muito bonito. Ela agachou e usou a chave para abrir sua coleira, o cão latiu e latiu, como se comemorasse a liberdade.

Sem saber que horas eram, mas tendo a certeza que perdera ao menos 2 horas, desde quando ela havia saído do chalé. Ela finalmente voltou, para encontrar Beatriz meditando diante da fogueira. A chaleira começou a apitar, Beatriz abriu os olhos, e viu Margô parada, encarando-a e sorrindo. Beatriz sorriu de volta, se levantou e correu, pulando nos braços de sua amada e a beijou. “Que bom vê-la sorrir”, disse. “Não sei, estou me sentindo renovada, como se estivesse pronta para desenhar novamente”, disse Margô. “Andar na mata é sempre bom para renovar os ares”, respondeu Beatriz, “Mas venha, vamos tomar um chá”. Ela colocou um pouco de camomila em dois saquinhos, os amarrou e colocou em duas xícaras, as entregou a doce Margô e foi buscar a chaleira na fogueira. Despejou a água nas xícaras, e então colocou a chaleira na cozinha do chalé, voltou à sacada, onde sentou-se ao lado de Margô, e ficaram lá, conversando.

Margô explicou como conseguiu Caleb e contou a ela toda a história, com um tom de dúvida na própria voz, como se não acreditasse no que tinha acontecido, e Beatriz ouvia tudo com o maior entusiasmo, e pediu para ir ver a tal ponte mais tarde. As duas beberam o chá, e Beatriz foi dormir, enquanto Margô ficou sentada na sacada, desenhando, como num estado de epifania, enquanto Caleb ficava deitado aos seus pés.

No final da tarde, Beatriz acordou, e viu que Margô tinha pintado duas telas, com a paisagem que via, e tinha feito outros três desenhos em seu caderno. A margarida que ela havia dado à Margô estava na janela, numa garrafa long-neck cheia d’água. Já Margô estava estendida na grama, de olhos fechados e com um sorriso na cara.

Ela pediu para que Margô a levasse na ponte, para ela ver a beleza do lugar também. Margô pegou na sua mão, e as duas foram correndo, uivando, gritando, quebrando o silêncio sagrado e ancião daquela mata. Mas quando chegaram no lugar, não havia ponte alguma, ela jurou que a ponte estava lá, e que tudo fora real, mas Beatriz disse que ela talvez tenha dormido por algumas horas na mata, e acabou por sonhar com a tal ponte. E apesar disso, elas voltaram com a mesma felicidade e empolgação para o chalé. Sentaram-se na varanda do chalé, e ficaram contemplando o pôr-do-sol.

No dia seguinte, um décimo das pétalas da margarida havia caído. Margô decidiu que seria interessante desenhar a margarida e as pétalas caídas. Desenhou sua namorada meditando, sua namorada fazendo chá, sua namorada brincando com o Caleb. E mesmo Caleb andando perto do Chalé, dormindo, e sentado contemplando a paisagem. A cada dia um décimo das pétalas caia. E um dia, só restou uma única pétala.

Margô desenhou a margarida, com uma única pétala. Na sua cabeça, aquilo tinha um simbolismo melancólico, mas ao mesmo tempo era excitante, pois logo mais ela descobriria o verdadeiro significado da vida. E o que humanos em toda sua existência tentaram descobrir, como se houvesse um abismo que separava toda a humanidade desse segredo, mas ela descobriria de uma forma tão simples, como se houvesse uma ponte no qual ela atravessaria. Teriam outros feito o mesmo pacto, e já descoberto o verdadeiro significado da vida? O que aconteceu com essas pessoas?

Durante a tarde desse dia, uma terrível tempestade veio, com ventos fortes que derrubaram a última pétala da margarida. A chuva também veio forte. Essa tempestade tinha um teor místico, pois não tinha como ela ocorrer numa tarde de janeiro. Com toda a certeza não era uma chuva de verão. Margô sentou-se à janela, com uma caneca de café e ficou encarando a chuva e a ventania. Os antigos diziam que é um vento doente, aquele que não sopra nenhuma mente. E toda aquela tempestade, aquela ventania, trouxe a Margô o verdadeiro significado da vida. Não faço questão de saber qual era o significado, e de fato não sei, e vocês camaradas que me acompanharam até aqui, também não saberão qual é, felizmente.

Caleb começou a latir freneticamente, Margô estava em transe. Beatriz saiu para ver porque o cachorro tanto latia. Reparou na margarida na janela, sem nenhuma pétala, murcha, morta. Olhou para sua namorada, e a viu encarando a chuva, mas sem de fato ver a chuva. Ela encarava o vazio. Beatriz então indagou qual era o verdadeiro significado da vida, e recebeu como resposta um seco “você não vai querer saber”.

Durante a madrugada, enquanto Beatriz dormia, Margô saiu para a mata, em busca da ponte. Caleb a seguiu. Para sua surpresa, a ponte estava lá. Ela subiu na ponte e gritou “Mensogisto! ”. Ele apareceu, com um sorriso na cara, e um cigarro no canto da boca, ele disse “O que foi, minha criança? ”. Ela estava frígida, mas lentamente disse, “Quero revogar o contrato”. Mensogisto balançou a cabeça, “Você não pode fazer isso, criança, você não quis adicionar uma clausula de revogação do contrato”. “Então eu quero fazer outro pedido”, ela replicou. “Ah é? E o que você vai me oferecer? A alma de Beatriz? Da sua mãe? Do seu irmão? Do seu Padrasto?!”, ele disse em fúria, “Você não tem poder sobre outras almas, você não pode jogar com outras almas, e a sua alma já é minha. Eu satisfiz todos os seus desejos, não existe nada que você possa fazer”. Margô caiu de joelhos, sem reação e sem conseguir chorar, encarando as botas de Mensogisto. “Não há nada que você possa fazer, vá para casa. Você é a maior artista contemporânea”, ele disse suspirando. “E do que vale tudo isso? ”, ela indagou. “Eu não sei, e você sabe que não me importo. Aproveite a noite, e tente viver bem, nos vemos do outro lado, criança. Vamos Caleb”. E ele saiu andando, para a linha do horizonte, sumindo no meio das árvores.

Margô voltou para o chalé, não conseguia nem mesmo chorar, ou gritar. E durante a manhã, Beatriz teve uma surpresa, pois a sua margarida, estava morta, e segurava uma carta, com um último desenho, e que pedia para que todos os seus trabalhos fossem publicados, pedia desculpas pela partida, e dizia que nenhum humano deveria descobrir o verdadeiro significado da vida, e que se um dia os humanos descobrissem o significado, isso significaria o nosso fim.

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Demônios da Discórdia

É sabido que os discordianos não acreditam no conceito de céu e inferno, pois todos temos noção que nenhum ser etéreo – não confundir com hétero – aturaria os humanos, em toda nossa insignificante arrogância. O mesmo vale para os demônios, uma vez que preferimos não nos posicionar no aspecto moral cristão. Todos seres imortais são deuses e demônios e nada, simultaneamente, em suas complexas existências aos olhos mortais. Citarei alguns sub-deuses discordianos, que se prendem em nosso subconsciente e nos espantam.

Sheogorath, o príncipe daedra da loucura, já se colocou em diversas confusões com o Wabbajack, desde colocar esse cajado no pau de Jesus-Sorridente – o que o ajudou a conceber milagres por excitação, literalmente – até beber sangue com a galinha ferdinanda.

Temos também o Sanguine, príncipe Daedra do deboche e da zombaria. O tipo de cara que você encontra em um bar, e ele te desafia numa competição de quem bebe mais, e quando você se dá conta, você se casou com uma cabra.

Se você já acordou de ressaca um dia na vida, além da boca seca e o murmurar dos seus ancestrais lhe amaldiçoando, você teve ter percebido um gosto horrível na boca, não? Pois é, isso é obra do sub-deus punitivista conhecido como Bafomhé, o demônio da Saúde. Você não tem cuidado com a própria saúde? Se prepare para receber uma visita dele. Vai te dar um bafo filha da puta, que nem o Santos Jo vai querer te beijar. Boatos que o bafo é a consequência de ele gozar dentro da sua boca, mas só boatos.

Astro mia sim. Miau! A estrela da manhã: Lucifer Sam, um gato siamês, ele sempre fica ao seu lado, seeeeeeeempre ao seu lado (8). Para quem curte gatos, esse sub-deus é um amor. Longe de mim, por favor.

Você gosta de jogar dominó? Não, é claro que não. Ninguém gosta de jogar dominó! Sabe aqueles velhos que ficam na praça jogando dominó o dia todo? Eles também não gostam de jogar dominó, mas eles são escravos do Sub-deus Dohminor. Você gosta de jogar MMO ou qualquer jogo online? Seu futuro é jogar dominó na praça. Fun Fact (1): Beethoven foi escravo de Dohminor desde pequeno, pois sempre dedicou sua infância aos jogos eletrônicos, e quando ele inventou a música, ele dedicou uma nota a ele: Dó Menor. Fun Fact (2): A palavra dominar foi cunhada por Mal-1, baseado no ato de escravatura desse demônio.

Sabe porque uma das cores predominantes na palheta de cores do design da Barbie é o Rosa? Por conta do demônio Freudigid Pink. É, a verdade choca, né? Ele criou essa cor no evento histórico que ficou conhecido como “Tratado de Atlântida”, onde todos os deuses e subdeuses se reuniram com as pessoas que moravam em Atlântida e os sumérios, e pintaram o mundo com canetinhas. Um Sub-Deus muito glorificado no começo do discordianismo, na década de 60, por bandas discordianas como Pink Freud e Freudigid Pink. Nota: Não confundir com Pink Floyd e Frigid Pink.

Já ouviram falar de Stan? Os cristãos que são iletrados o chamaram de Satan. Ele foi o inimigo de todos reis, e os chamava de repolhos diante de seus súditos. Dizem que foi aprendiz de Zarathud, e o presenciou desafiar o Cao Sagrado, e daí herdou a mania horrível de chamar os adversários de repolho. Boatos dizem que todos presidentes eleitos do mundo são escolhidos previamente por ele. Stan dá ordem e os comanda, para que eles façam o que ele bem entender, comando assim o mundo e a economia. As guerras? Todas de fachada para a diversão de Stan.

Eu provavelmente devo ter deixado alguns sub-deuses/demônios de fora, e vocês podem muito bem me corrigir e me lembrar de outros sub-deuses/demônios. Quem sabe assim a gente escreve um livro de demonologia discordiana?

 

–><–

Postado original aqui.

Steloj

As civilizações antigas sempre recorreram às estrelas em busca de respostas,

Um rito sagrado há muito perdido, que guiou civilizações a suas ascensões e quedas,

A maneira na qual os deuses se divertem às nossas custas.

Elas viram, veem e verão, sempre com um olhar misto de desdém e compaixão,

Não se importam conosco, pois somos minúsculos; não se sabe porque nos ajudaram.

 

As civilizações modernas querem se vingar das estrelas, porque tudo o que ocorreu,

Um ato científico já muito explorado, que traz a ascensão de nossa civilização, e será nossa queda,

A maneira na qual nós nos divertimos às custas dos deuses.

Nós criamos luzes fortes, fortes, mas tão fortes, que ofuscamos o brilho delas,

Hoje olhamos para cima e vemos o vazio, reflexo de nossa civilização e cultura, chamamos de isso de progresso.

 

O motivo número um: Somos filhos e filhas de Narciso, Elas ofuscavam nosso reflexo;

O segundo motivo: Temos medo do Universo, quem já o viu longe das luzes, sabe que ele é um monstro;

O terceiro: Não gostamos dos deuses, ou de nossa própria existência;

O quarto: Os deuses não sentem dor, mas são narcisistas como nós;

O quinto: Sem as estrelas ou o Universo, o homem fica disponível para se submeter ao progresso.

 

Embora narcisistas, devemos admitir, não somos e nunca seremos poderosos como os deuses,

Na calada da noite, na escuridão e vazio, os astros rebeldes emergem.

Estrelas poderosas o bastante para desafiar o poder e a vontade humana.

Filhos de Vênus, filhas de Vênus, seres tão complexos, que não se encaixam em termos mundanos.

Em toda nossa grandeza, temos que categorizar tudo em nossos termos.

 

As cinco rebeldes: Sirius, a Estrela do Cão, primogênita de Lúcifer.

Canopeia, a Terra Dourada, pirata cósmica, segunda filha de Lúcifer.

Toliman, regente do Centauro, terceira filha de Lúcifer.

Arcturus, a guardiã do Urso, quarta filha de Lúcifer.

Vega, a Princesa, a Águia que mergulha, quinta filha de Lúcifer.

 

O quinteto Luciferiano, as filhas de Vênus, lutando contra o ego narcisista humano,

Lado a lado com Luno, nessa batalha incansável pela iluminação humana,

As únicas coisas que se destacam no céu noturno moderno.

Não mais vazio, mas não mais completo, uma mudança no paradigma social.

E quando a Aurora chega, com a alvorada, os rebeldes dormem e Lúcifer sorri.

 

Nós humanos não tememos os deuses diurnos, pois eles nos protegem dos outros.

Suno, a Eternidade Dourada, em sua arrogância, brilha ocultando o Universo.

Brilha de forma intensa, assim os humanos não o encaram abertamente,

Dessa forma não o temem, ou levantam bandeiras contra. A humanidade teme o que desconhece.

A escuridão é a pureza da vida, e o crepúsculo sempre vem, independe da vontade humana.

 

No escuro, ao ar livre, aos olhares dos deuses, com medo, intrigados, contemplando-os,

O homem primitivo assim nasceu, no útero da Tero, fecundado pelo pênis do Universo,

Mas não apenas os deuses, outras coisas espreitam a noite primitiva.

Milhares de anos, escondidos, acovardados na noite, apenas o dia salva.

Então veio a civilização e o progresso, o começo de tudo o que temos hoje.

 

Tivemos fome, estávamos fracos, viramos nossos olhos e mãos ao céu,

“Ajudai-nos”, entoamos em coro, e assim eles fizeram. Bênção ou maldição.

Surgiram assim as primeiras civilizações, todas com os olhos ao céu noturno.

Todas agradecendo pela maldição que nos fora rogada, nossa queda.

O jogo sem fim, e quando entendemos, decidimos nos vingar, e assim fizemos

 

O que falhamos em entender, em toda nossa insignificância, é que nós perderemos.

Não temos força para competir com os deuses, com a natureza.

Civilizações virão e irão, poderemos construir mais luzes brilhantes

Poderemos ignorar os deuses ao nosso redor, mas nunca venceremos essa guerra.

Levante sua cabeça e olhe para o alto: steloj ne mortas.