Seu Bobalhão

Nós somos muito bobos, como dizem volta e meia. O problema é quando isso vem de pessoas, que deveriam entender o lado Trickster da coisa, não por obrigação, mas por sabedoria. Afinal, isto está escrito no ‘P.D.’, mas nunca é demais relembrar: Não confunda nossas piadas com entretenimento. Elas servem para expor o nosso ridículo, afim de atingir uma desconstrução do indivíduo para, por fim, ele acender a lanterninha interior e atingir a iluminação. Não sejamos pretenciosos, não se atinge a iluminação do dia para a noite. Só colocamos querosene no lampião, quando estamos quase no escuro. Assim como é sempre mais escuro antes do amanhecer. Uma lanterna acesa de dia, só serve para encontrar pessoas honestas, como diria o São Dio.

Por que tem uma chave nas minhas costas, Nancy? Olha, não importa. O fato é que existem sim pessoas que não querem nada com nada no nosso, que estão confusas com nosso movimento. E eu não as culpo, assim como não culpo nenhum de nós, está em nossa matriz, e é um de nossos pilares: a confusão! Assim como nós vivemos nesse ciclo infinito, as pessoas que olham nosso movimento se veem presas nesse ciclo também. Isso é um padrão que é observado em toda sociedade moderna, e relatado no ‘P.D.’. Essas pessoas podem estar confusas agora, mas logo vem a burocracia, e elas se prendem em um estudo mais profundo do movimento, o que as leva as consequências e, por fim, ao caos. Bobo é quem pensa não estar condicionado a esse ciclo.

Existem muitas pessoas que reclamam do Shitposting e trollagem no movimento, sem perceber que esse é o Dadaísmo Moderno. Dada é a vanguarda do shitposting. Ou, ou! Cuidado com esse machado, Eugênio! Onde eu tava? Ah, dadaísmo moderno, sim. É feio, bizarro, ninguém entende, aberto pra múltiplas interpretações, mas todo mundo curte. Ficar cagando regra, para dizer quem faz ou não parte do movimento é a coisa mais ridícula que existe, pois é ser protofascista, em um movimento que questiona toda forma de autoridade. É tipo julgar fetiche alheio – como uma vez eu fiz com o Victor da F.O.D.A.-S.E. de Santos, malz aí, chapa. – É afirmar que existe uma forma exata e correta de agir, num movimento que preza pelo relativismo moral e múltiplas verdades.

Parem com essa putaria de mandar nos outros, vai fazer papel de bobo assim! Coma seus vegetais, use drogas só de vez em quando, lave bem as mãos antes de danças, e vai tomar no seu cu, por ser uma pessoa filha da puta, que interpreta o ‘P.D.’ como a Igreja Católica interpreta o ‘P.D.’ cristão – a tal da bíblia.

Salve Éris, Salve Discórdia

Sumo-Sacerdote Anderson Victorious Molotov Dias, o lunático

Fonte: https://seitaengracadista.wordpress.com/2015/12/27/seu-bobalhao/

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Moosemas – o fim do ano

O ano se aproxima do seu fim, 64 dias dAs Consequências, e já nos aproximamos do Caos. Hoje é dia 22 de dezembro, nessa sexta-feira será natal. Eu ando um pouco reflexivo, nessa semana, especialmente hoje. Mais niilista e claustrofóbico que nunca, claro, mas isso é bom – em algum sentido – eu consigo entender a vida, e ver a felicidade das pessoas – quando essa é vinda do coração – e simplesmente fico feliz por elas.

Essa semana tentei escrever um texto sobre Fé. Tentei escrever um texto sobre Discórdia e Anarquia também. E digitei mais duas palavras no Livro Secreto dos Amendoins. Não tenho estado empolgado para escrever, e esse texto é como um vômito, não me preocuparei em deixa-lo bonito e sem erros. Mas não vim aqui para reclamar, embora eu tenha tentado escrever um texto anti-natalino esse ano também. É mais como um: “ei, foda-se tudo, encha a cara e se divirta”.

Não me importo com sua religião. E embora pessoas de outras religiões, estejam submissas às comemorações cristãs do natal, não tenho do que reclamar sobre. O natal é a porra duma tradição ocidental, onde desde o século passado se é exaltado o consumo excessivo, em prol do mercado. Sim, de fato é, e isso deve ser combatido. A questão que fica é, como você vai combater o consumismo? Textões no facebook? Lambes no centro de Sampa? Passeatas? Exaltar o próprio ego, enquanto você grita pros favelados que eles tão errados em consumir? Exaltar o próprio ego, enquanto você grita pros riquinhos que eles tão errados em consumir?

Tá na hora de darmos um passo à frente. Palavras de ordem podem ter dado certo com vanguardas, na era vitoriana. Ninguém precisa mandar em ninguém. É fácil dizer ‘sem mestres, sem deuses’ enquanto você ordena isso, não? Leve-se menos a sério, chapa. Beba água. Fique bêbado, ria, esteja próximo das pessoas que ama. Ame.

Hanukkah, Saturnália, Dia dos Presentes, Natal, aniversário de Brian, que seja. É mais fácil reclamar da tradição alheia, ao invés de tentar implodir a coisa. Não gosta do consumismo? Divirta sem consumir, comemorações coletivistas, beba, beba e beba anti o consumismo excessivo.

Leve-se menos à sério, chapa. A revolução um dia chega, mas a insurreição começa agora. Então ligue pra mamãe, pro papai agora, se estiverem brigados, se perdoem. Vão passar o natal com suas famílias e amigos, pois é disso que se trata o espírito do Moosemas, no fim das contas, não? Amor, redenção, e anti-consumismo.

Eu ainda vou escrever o texto matando o papai noel, esse ano, mas ele vem depois do natal, ok? Eu vou aproveitar pra encher a cara e adiantar os projetos e as leituras atrasadas.

Paz e Segurança para todos vocês, irmãos e irmãs.

 

Feliz Moosemas!

Bomba, bomba, homem-bomba, bomba, bomba, bomba

Americano é um bicho paranoico. E por americano me refiro aos norte-americanos, nascidos nos EUA. Eu fui para os Estados Unidos uma vez, e devo dizer que não foi a melhor experiência da minha vida. Primeiro pelo fato de que a volta para o Brasil foi um verdadeiro inferno. Antes de entrar em maiores detalhes, devo contextualizar vocês de quem e como sou, tanto físico, como mentalmente: Tenho 23 anos, sou moreno e tenho uma barba grande e bagunçada. E pelos deuses, eu sou arrogante, cabeça quente e sarcástico pra caralho.

Ironia do Destino ou não, fui aos EUA para comprar coisas, e estava de olho em um relógio, com um design mais moderno e bizarro, que acabei por comprar. Na hora de entrar no aeroporto, passei pelo detector de metal, minha bolsa não. Vou descrever o diálogo em português, para melhor entendimento de todos, mas prosseguiu dessa maneira.

“Senhor, o que seria isso? ”, perguntou uma guardinha, enquanto revirava minhas cuecas, CDs e livros, para tirar o lindo relógio lá do fundo. “Obviamente não é uma bomba”, eu repliquei com meu singelo sarcasmo. “Bomba?! ”, alguém atrás de mim gritou histericamente, e isso se alastrou rapidamente, como a fumaça das torres gêmeas no onze de setembro de 2001. Logo, todos gritavam e eu estava no chão. Alguns guardinhas gritavam comigo, “ONDE ESTÁ A PORRA DA BOMBA?! ”, e eu replicava: “NO CU DA SUA MÃE, DE TANTO QUE EU ME IMPORTO”. Aí entra um fadeout, provavelmente porque devem ter me dado um murro, tão forte que só o cacete.

Corta a cena e entra um fade in, eu estou sentado numa cadeira, com as mãos algemadas na costa, levando tapinhas na bochecha direita, enquanto uma outra pessoa abria um dos meus olhos e apontava uma lanterna para ele. “Ele está acordando”, disse a moça que segurava a lanterna e o meu olho. O cara parou de dar tapinhas. Chacoalhei a cabeça e abri os olhos. Na sala só nós: eu, o cara, e a mina. O cara era negro e tinha um cavanhaque maneiro, que dava a ele um ar de durão. Ela era asiática, – chinesa? – usava óculos e tinha cara de intelectual. Então ela perguntou:

“Onde está a bomba, senhor? ”, com uma voz suave. Eu, ainda meio tonto, respondi “Não tem nenhuma bomba, senhora”, com um tom sarcástico, dando ênfase no ‘senhora’. O cara não ficou nenhum pouco feliz com isso, aparentemente. Ele bateu as duas mãos na mesa, se apoiando e disse: “Não banque o engraçadinho comigo, camarada”. Aí que eu saquei a deles, é a policial boa e o policial malvadão. “Tenho cara de palhaço pra brincar com você, chapa? ”, repliquei, pedindo o tapa que veio logo em seguida.

“Eu estou tentando te ajudar, senhor, você só tem que colaborar comigo”, disse a moça, como se tivesse saído de um filme policial clichê dos anos 80. Maldito seja os anos 80. “O quê? Tão brincando de policial bom e policial mal? ”, um tapa, “Tá, já entendi. Mas deixa eu deixar claro: Não tem bomba alguma”, outro tapa, “Sarcasmo, Sarcasmo! Eu estava sendo sarcástico! ”, gritei, virando a cara esperando outro tapa, que veio quente, “Olha pra mim, eu sou um bobalhão, eu não tenho nenhuma bomba”, esse tapa fez eu cair no chão, com cadeira e tudo, já que estava algemado com a mão nas costas.

“O que vocês querem de mim? ”, perguntei, quase chorando. “Onde está a porra da bomba?! ”, gritou o cara. “Não banque o engraçadinho comigo”, eu disse abrindo um sorriso sarcástico. Tudo bem, falando agora, eu entendo que eu estava pedindo para levar uns tapas. O que de fato aconteceu. Por mais horas e horas. A moça dizia que queria me ajudar, o cara dizia que eu estava brincando com a cara dele, e eu pedindo tapas abertamente do cara. Como não amar os EUA?

Alguém, então, bateu na porta. Meu nariz sangrava, bochechas inchadas. A chinesa abriu a porta, esticou metade da cabeça para fora. Alguém sussurrou algo para ela. Ela fechou a porta, abriu um sorriso sem graça em minha direção e disse, “peço desculpa por tudo, senhor, ficamos sabendo que tudo não passa de um mal-entendido”, “sério? Não me diga. Eu devia tê-los avisado antes, não é mesmo? ”. O cara veio com um pano, estancar o sangue do meu nariz, com um sorriso amarelo e sem graça. A moça continuou: “a perícia chegou ao laudo, de que a suposta bomba era na verdade um relógio”. “Se vocês tinham o objeto, porque me perguntaram onde estava a bomba? ”, eu indaguei, soltando alguns gemidos de dor. “Procedimento padrão”, sorriu o cara.

Conferi minhas coisas, tendo certeza que tudo estava de acordo, para evitar que algo tinha sido levado de ‘evidência’. Eles me colocaram no próximo voo para o Brasil, na primeira classe, o que não dava muita diferença, pois beber champanhe ou uísque com a cara inchada, e cheia de feridas não é uma boa. Me acordaram no meio do voo, porque supostamente eu estava dizendo “bomba, bomba, bomba, homem-bomba, bomba, bomba, bomba”, enquanto dormia. Mas essa, meus amigos, é uma história para outra ocasião, não é mesmo?