Eu odeio Sexta-Feira e a maldição do Kataguiri

Eu odeio Sexta-Feira. Quem me conhece já deve saber. É mais uma questão de subversão de valores, mas bem, eu de fato odeio sexta-feira. Começando pelo fato de que toda sexta tem esse lance de Happy Hour. Todos felizes. Longe de mim ser o caracinza que quer todos tristes, claro.

Eu gosto mais das segundas, são mais pacíficas e calmas, e todos estão confusos, sem saber o que ocorreu no dia anterior. Isso é bom. Eu gosto do Sri, afinal. Acho importante as pessoas ficarem confusas, faz parte do dia a dia nessa sociedade louca. Vejo o Happy Hour como um fato alienante, é uma maneira com a qual as pessoas justificam o alcoolismo, após uma semana de trabalho intenso. Se as pessoas não tivessem que trabalhar, não haveria esse problema, claro, mas longe de mim bancar o Black e falar sobre a abolição do trabalho, claro.

Vou retratar nesse texto os eventos da sexta-feira dia 25 de setembro de 2015.

O dia começou do mesmo jeito, sabe? Alarme tocando, e minha mão tocando tudo, menos o celular. Derrubei algumas coisas no chão, xinguei, peguei o celular e desliguei o alarme. Virei para o lado e dormi. Depois de meia hora, tudo se repete. 7h40, 8h10, 8h40, 9h10, 9h40, 10h10, 10h40, 11h10, 11h40, 12h10. Geralmente acordo umas 10h10, e vacilo entre acordado e dormindo, até umas 10h30. Não nessa sexta. Nessa sexta eu acordei eram 12h30, depois que todos alarmes tinham tocado, e não tinha mais nada para derrubar no chão. Me sentei na cama, e olhei para o olho no teto. Eu me sinto desconfortável olhando as pessoas nos olhos, é como se elas pudessem ver minha alma. Mas é só o teto do meu quarto. Eu olho para ele, ele olha para mim, a gente se entende, eu me levanto e vou para o banheiro.

Tomo meu banho, me visto. Desço as escadas, minha cachorra está deitada no sofá, esperando minha mãe desde ontem. Peguei meu celular para ver notícias da mamãe. Meu pai disse que ela operou às 7h, e que às 10h havia terminado e tudo estava bem. Pedi que ele mandasse um beijão para ela e joguei ele em cima da poltrona. Fui até a cozinha, fiz meu ritual diário para o café. E enquanto a cafeteira fazia o café, eu pensei: “caralho, olha o tamanho dessa louça, tenho que lavar essa bosta antes que meus pais voltem”. Despejei o café na caneca, açúcar, enchi minha garrafa com água, e fui para o computador. Muito para fazer, pouco tempo para fazer.

Sentei na cadeira do computador, pressionei o botão, beep, digitei a senha. Abri o facebook, para receber notícias das pessoas. Marcaram reunião pelo facebook, ‘coisa de meia hora’. Três horas depois estávamos brigando sobre uma decisão. Falei que iria resolver isso com o professor apenas, para evitar desgaste da galera. Eu estava puto, devo admitir. Mandei uma mensagem para o professor, marcamos às 18h a reunião. Cheguei lá às 18h30, e fiquei parado na porta esperando o professor descer. O professor estava lá embaixo, como é de se imaginar.

Desci lá para as 19h, professor puto. Fomos ao Lab, professor deu a aula dele. Eu não fiz nada da aula dele, pela deusa, eu estava sem cabeça para aquilo. Eu deveria ter ido embora, mas fiquei lá, parado, sem fazer nada, apenas tentando conversar com o professor no fim da aula, acertar as coisas. Acredito que o grupo também pensava assim.

No fim da aula, fiquei com aquela minha postura sarcástica, cínica e infantil. Acontece sempre que estou estressado ao extremo. Professor sentou com a gente, trocamos uma ideia, nos acertamos e fomos embora. E foi aí que o meu dia debandou, por mais bosta que ele já estivesse.

Chegando ali perto no Melts Burguers & Beers, vi um branco cabeludo, ajeitando o cabelo. Na hora pensei, “Puts, tem cara de idiota”. Ele parou, e de traz dele surge Kim Fucking Kataguiri. Eles estavam conversando. Eu olhava para a cara do Kim com cara de perplexo. E ele olhou para mim como quem pensasse “Puts, tem cara de idiota”. Eu só consegui pronunciar, “Puts, o idiota do Kataguiri”, que saiu como um sussurro, por conta da barulhenta avenida liberdade. Parei de frente do Melts, puxei o catarro e o cuspi no chão, para tentar afastar a zica.

Se a lei de Murphy me ensinou algo, eu provavelmente não devo ter aprendido nada. Da Liberdade à Sé, da Sé à Barra. 22h45, vou para fila do ônibus. Dou uma checada no celular, dois ônibus, um seguido do outro. Pulei para a fila do outro busão, que sairia às 23h15. Por volta das 23h10, o coordenador dos ônibus da linha chega, e diz que o ônibus tinha batido na Francisco Matarazzo, e só teria o das 23h40.

Quem é de sampa sabe, na sexta estava tendo show da Katty Perry, e os fãs começaram a sair lá para às 23h30, chegavam ali na Barra fazendo uma zona, gritando e coisas do tipo. Jogando capas de chuva no chão. Eu até ficaria ok com isso, existe gente desrespeitosa pra caralho no mundo. Mas hoje não era meu dia, briguei com minha equipe e passei perto do Kataguiri. Essa saída do show fez com que o ônibus chegasse apenas às 00h10 na estação. Saindo logo após a última pessoa da fila embarcar, eu fiquei extremamente puto com isso, quero dizer, fiquei mais puto ainda. Ali pela lapa com aquela balada na guaicurus, ficamos quase 20 minutos parados, por conta de um bando de otário achando que rua é festa.

Lá para as uma hora da manhã, eu estava em casa, feliz? Não, nem um pouco. Mas fiz um chá de camomila, e tentei esquecer meus problemas por uma noite. E embora o dia tenha sido um dos piores de minha vida, eu nunca dormi tão bem assim – até acordar assustado no outro dia, mas isso é uma outra história, para outro dia.

Pitangueira Blues

Eu não tenho escrito há um tempo, salvo o texto sobre a RU1D0, que é mais sobre algo, do que um texto livre. Livre é a palavra. Gosto de dizer que escrevo com a alma, caso contrário eu não estaria escrevendo, apenas organizando palavras em um sentido lógico. Talvez por isso meus textos sejam caóticos: Eu apenas organizo palavras.

Não escrevo há muito tempo, e ninguém quis tocar no assunto, nem mesmo eu. Não que alguém ligue, claro. Comentei com o Tebas que não escrevo com minha alma, desde a morte do Rei do Blues. Considero um dos melhores textos que escrevi, assinei o texto com um pedaço da minha alma.

Não sei porque escrevo esse texto agora. Prazer? Dúvida? Desabafo? Insensatez? Porra, eu estou sentado no banco preferencial do metro, enquanto as pessoas me olham.

Meu iPod sumiu, não ouvi música alguma o caminho todo. Nada de blues, ou jazz, ou folk, ou funk, ou rock, para acompanhar o ritmo frenético e a falta de educação das pessoas do Inferno Paulistano. Vim lendo uma coletânea dos diários de Kerouac. Talvez isso tenha me estimulado a escrever algo. Nesse tempo que não escrevi nada, tentei escrever um ou outro ensaio político, todos largados pela metade, com uma indiferença misantrópica que adquiri da sociedade. Talvez porque eu tentei escrever direto no computador, e o meu Blues, o meu Caos, estão na ponta da minha caneta.

Privar-me do meu blues, jazz, folk, funk e rock diário, me trouxe o blues aos olhos, as narinas, ao sentido. Olhei a minha volta e perguntei, “Mas que porra de cidade é essa? ”, e não tinha ninguém lá para me responder, todos estavam ocupados demais organizando suas vidas. Eu queria dizer que eles teriam os próprios Blues, Jazz e Bebops para viverem, mas são todos organizados e complexos. O Blues, o Jazz e o Bebop são, invariavelmente, o som do caos, da vida, porra, do caos da vida! Suba em um prédio alto, coloque Calloway, Gaillard, B.B. King, Coltrane, Screamin Jay, e você entenderá o significado da vida na sociedade.

Como todo bom paulista, eu não entendo a vida do paulistano. Paulistano não presta atenção para onde anda, podem até desviar das pessoas, mas não prestam atenção para onde. É algo mecanizado, pré-definido. Eu me acostumei a esse meio de vida, ando diariamente mecanizado. Será que o meu amado e caótico blues é o motivo disso? Ou será a chegada da primavera o motivo?

Só sei que hoje mais cedo, após descer do ônibus, indo em direção à estação do trem, percebi que naquele caminho que percorro há um ano tinha uma pitangueira. Parei. Um otário apressado trombou em mim, mostrei o dedo mágico para ele, que saiu apressado xingando. Estiquei o braço e peguei uma pitanga. Ela tinha um tom vermelho alaranjado. Fechei a mão e espremi a pitanga, joguei no chão, junto com outras pingas que caíram naturalmente. Peguei uma, coloquei na boa e fiquei brincando com a semente na língua. Continuei meu caminho, sorridente, cantando um blues que tranquilizava minha alma.

Aliança Global (de masturbação Anal)

Já sentiu o silêncio dessa noite?

É claro que não.

Já ouviu todas essas cores, que ofuscam as estrelas?

Já cheirou os sabores desta cidade maldita?

Já degustou o odor fétido de toda essa sociedade podre?

É claro que não.

Go Johnny, go, go, go.

Terminaram de construir o muro semana passada.

Desenharam um pinto, de fora a fora no muro.

A verdade é que a vida é algo pornográfico.

Tiro do meu rabo, pra colocar no seu,

E assim sucessivamente,

Até formarmos um círculo global

De masturbação Anal.

A volta do incrível RU1D0_BR4NC0_2.3.exe

Eu não acredito, não é que eles voltaram mesmo?!

F.O.D.A-S.E.

Não é segredo pra ninguém que a F.O.D.A.-S.E. é um grupo de neoDadaístas, está em nosso nome, no fim das contas. E como todo bom grupo de neoDadaístas, nós damos apoio ao cenário brasileiro. Nesse post vamos falar um pouco da RU1D0_BR4NC0_2.3.exe, um grupo antigo, pra quem é mais old-school vai se lembrar do grupo. Eles começaram em 1995, com criadores e pioneiros do gênero noise-of-noise.Também foram responsáveis pela popularização do gênero Plunderfunnycs e Fnordwave, no começo dos anos 2000.

Devido a brigas internas, C4/3R4-0-//471C, compositor da maioria das músicas, e responsável pelos barulhos mais graves das músicas, largou a banda por volta de maio de 2005. O resto do grupo combinou que não faria sentido continuarem com a banda, e contrataram hackers cybershamanistas para excluírem quaisquer vestígios da banda de toda a internet, inclusive do internet archive, e contrataram Ninjas Ladinos para invadirem as casas das pessoas que compraram…

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