Sensacionalismo Eleitoral

Esses dias, enquanto olhava para aquele objeto de silício, plástico e vidro. Vou lhes dizer, meus amigos e amigas, que eu senti uma leve saudade de telejornais sensacionalistas. Por isso eu me coloquei de frente a esse objeto, de plástico, vidro e silício. E lá estava Luan, nosso querido apresentador sensacionalista, com seus cabelos penteados para trás, com o terno e gravata pretos e a calça risca a giz. Os óculos não estavam tão caretas, dessa vez. Era algo mais moderninho, coisa de pessoas em crise de meia idade, sabe como é, não?

A verdade é que ele estava falando algo tosco – pasmem. Era algo sobre redução da maioridade penal, e ele cuspia na câmera, enquanto falava. Ele não fazia isso antes, será que ele teve um derrame, ou algo do tipo? Não. Desculpa, não iriei brincar com isso, pessoas que sofreram derrame não devem ser comparadas aos apresentadores sensacionalistas, é crueldade demais com elas ser comparado a um lixo televisivo desses.

Eu tive esse ataque nostálgico, de assistir merda sensacionalista, porque fiquei sabendo que o Luan ia concorrer à prefeitura do Inferno Paulistano. Eu ri pra caramba, porque a primeira coisa que eu pensei foi no primeiro decreto dele, de que toda criança deveria ganhar um sorvete para dar uma chupadinha, para relembrar aquele episódio da criança e do sorvete. Ou ele provavelmente criaria campanhas para reforço de estereótipos caipiras.

Mas agora eu via esse buldogue de óculos hipster, cuspindo na câmera, enquanto proferia alguma coisa estúpida e cheia de ódio. Devo dizer que eu gostava mais dele, quando ele explorava a desgraça alheia para ganhar dinheiro*, mas agora ele explora a desgraça alheia, para reforçar pontos de vista idiotas e retrógrados.

Ao que parece, o nem-mais-tão-querido Luan agora era mais um político: fala merda e todos abaixo dele são plebe. Embora, convenhamos, Luan nunca tenha sido humilde, sempre sendo um cuzão, ele agora tenta forçar seus pontos de vista em cima dos outros. Engraçado que eu me lembrava dele falando que todo político era ladrão, de que ele não faria parte dessa laia de corruptos ladrões, talvez por isso eu tenha dado risada, quando vi que ele anunciara candidatura à prefeitura do Inferno Paulistano.

A questão é: Será que alguém votará no Luanzinho? Será que alguém vai ter a coragem de tirá-lo do telejornal, para perdermos a nossa principal diversão? Não, eu acredito que não. Não votem no Luanzinho em 2016. Não votem em ninguém, fiquem em casa tomando um geladinho de abacaxi com couve, seja feliz!

 

*Nota do autor: Antes de me apedrejarem, eu fui sarcástico, e não apoio qualquer tipo de exploração, que esses abutres televisivos usam para ganhar dinheiro, se você conhece meus textos sobre sensacionalismo, sabe muito bem que eles não passam de críticas e situações absurdas, para ofender esse tipo de prática que, infelizmente, é muito recorrente nas televisões do mundo.

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Cães a uivar

Era por volta das duas da manhã da matina – talvez três – da sexta do dia 17. Meu horário padrão para ir dormir, diga-se de passagem. Meus olhos cansados já não aguentavam manter-me acordado. Vacilava, enquanto tentava jogar uma partida qualquer, de um jogo qualquer. Terminei a dita partida, e decidi que iria dormir. Coloquei alguns Assets para baixar, e desliguei o monitor.

Com muito pesar, e já muito cansado subi as escadas do beliche, cobri-me e fechei meus olhos. Seria uma puta noite de sono, adoro dormir até tarde no sábado, sabe como é? Soltei um suspiro, e esvaziei a minha mente. Mas em algum lugar, longe da segurança de meu quarto, mas ao mesmo tempo bem próximo, era possível se ouvir um uivo. Era agudo e triste, o som partira meu coração, e provavelmente partiria de outras pessoas também, se elas o pudessem ouvir. Mas todas estavam dormindo, como se o mundo tivesse alcançado a paz mundial. Embora em algum lugar lá fora, uma alma sofria, sofria e sofria; e clamava por socorro e amparo.

Abri meus olhos, e encarei o vazio do teto, que repousava a alguns palmos de minha cara. Soltei o ar pela boca, estava frio. Lembro-me de que na cultura popular, uivos são sinais de mal agouro. Nunca acreditei na cultura popular e seus mitos. Quero dizer, não até essa maldita sexta. E lá estava eu, cético, encarando o vazio do teto, refletindo. A verdade é que o maldito uivo havia me tirado o sono.

Um calafrio subia por minha espinha. Era uma sensação estranha, como se algo estivesse erroneamente certo. Tentei me mover, mas percebi que era inútil, a única coisa ao meu alcance era o frio e o vazio de meu teto. Minha respiração acelerava, acelerava e acelerava, e quando percebi, estava em um estado misto de êxtase e hipnose.

O incômodo causado pelo uivo de alguma alma distante e solitária, me lembrou que alguns dias antes eu também não conseguia dormir, porque algo igualmente maléfico e sombrio me irritava. É fácil de criar uma imagem na mente: Demônios, como aqueles retratados em quadros de Blake, vestindo ternos, sentados em mesas com plaquinhas com seus nomes, o Ambiente dessas mesas se assemelhando aos anéis do inferno de Dante, e em algum lugar do Ambiente, um pedaço de pano verde, amarelo e azul, com pequenos adornos brancos, preso a uma haste de metal.

E no meio de todos os demônios ali, havia um peculiar. Pior de todos, eu diria. Educador Unha, era seu nome. Um nome escroto, para uma pessoa escrota, eu diria. Ele era o representante da ‘bancada satânica’, que nada mais era do que um grupo de demônios que tentavam impedir os avanços humanos, ou a liberdade. Assim como também Presidente daquele Ambiente – não lembro o nome do Ambiente, pois não sou atento ao modo organizacional e hierárquico demoníaco. Por isso, chamarei esse lugar apenas de Ambiente.

O Ambiente tinha um único propósito: votar o destino da humanidade. É como um congresso, onde os demônios se reúnem e votam como ele podem afetar o destino da humanidade, direta ou indiretamente. Alguns deles não aceitam perder – eles são demônios, afinal – e por isso sempre arranjar um jeito de ganhar. Uma prática muito comum no meio Demo-corporativista, diga-se de passagem. Uma das pessoas que não aceitam perder, é nosso querido Presidente-do-Ambiente, Educador Unha. E por mais cômico e irreal que pareça, – lembre-se que quando falamos de demônios, tudo é possível! – o Educador Unha tem diversos laços no meio demo-corporativista. Então ele é o maior puxador de tapete de seus amiguinhos demônios, e o maior puxador de saco de demônios-corporativistas.

Algumas escolhas e boicotes de Educador Unha me deixaram sem sono, por diversos dias. Ele é o exemplo mais nítido de corrupção, que eu consigo manter minha mente. Ele consegue, de alguma forma, mobilizar diversos grupos satanistas anti-corrupção. Algo que não entra na minha cabeça, e me deixa confuso. Ele pega essa camada satanista, e coloca ela contra outro grupo satanista, acusando esse grupo de corruptos, enquanto a própria bunda está suja. A verdade é que nenhum demônio dentro do Ambiente, e ambientes similares, é bonzinho. Primeiro porque o objetivo deles – assim como o dos demônios-corporativistas – é foder os humanos. Algo que humanos satanistas (tanto os azuis, quanto vermelhos), não notam. A simples existência do Ambiente e dos demônios é uma forma de coerção à liberdade humana, uma forma de oprimi-los e deles fazer de capacho.

E enquanto eu encarava o gélido e vazio teto, que repousava a alguns palmos de minha cara, eu só consegui pensar na necessidade que os humanos deveriam ter, para abolir os demônios da terra, e coloca-los embaixo da terra, para assim finalmente ser livres. Eu só conseguia pensar no crânio demoníaco de Educador Cunha, preso em uma estaca em frente ao Ambiente. E enquanto eu pensava em diversos meios de emancipação e exorcismo social, para livrar os humanos dos demônios, assim como livrar alguns humanos de seu satanismo-ideológico, o horário passava, e por fim o sol subia tímido no horizonte.

O vazio gélido do teto, e a maneira com a qual os demônios que repousavam solenemente no Ambiente me incomodavam. Minha respiração acelerava, acelerava e acelerava, e eu percebi, eu estava em estado de êxtase e hipnose. De uma forma grotesca, que me punha em reflexões sobre morte, exorcismo e liberdade. E me fez perder o sono por dias e dias consequentes.

O vazio gélido do teto, e a maneira com a qual uma alma solitária em algum lugar lá fora sofria, clamando por amparo e socorro me incomoda. Minha respiração acelera, acelera e acelera, e eu percebo que estou em um estado de êxtase e hipnose. De uma forma sublime, que me põe em reflexões sobre a morte, possessões demoníacas e autoritarismo. E me fará perder o sono por dias e dias subsequentes.

No fim, a forma com a qual os demônios (demônios-corporativistas inclusos) tratam o mundo e os humanos, e a forma como alguns humanos satanistas defendem os demônios, faz com que meu cão interior uive, uive e uive, até que as gargantas sangrem, em busca de amparo, ajuda. Em busca de que apenas seja ouvido. Deveríamos todos usar uma de nossas noites, para ouvir cães a uivar.

O fluxo da Confusão

Docemanhã, dia 50 da Confusão de 3181.

 

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“Tava no fluxo, avistei a novinha no grau, sabe o que ela quer? ”

– Antigo provérbio profano

Confufluxo, o fluxo mais fluxoso de todos os outros fluxos. Talvez porque seja o fluxo da 3 estação, marcada por dois fluxos antes, e dois fluxos depois. Significa também que a estação da Confusão está quase no fim, até aqui Caos e Discórdia deixaram nossas vidas confusas, por isso o nome da estação, eu acho. E como o bichinho Anerístico que vive dentro de todos nós, tentamos botar nossas vidas em ordem, o que sabemos que é impossível!

Depois que a Confusão chegar ao fim, começa a Burocracia, que nada mais é que a Estação onde caracinzas tentam impor ordem. O que é impossível, como eu disse acima, por conta da Lei da Escalada, ou Lei Erística da Escalada. Essa lei se baseia no princípio básico do Caos; você impõe ordem, e colhe caos. Quanto mais imposta é a ordem, mais grave se torna o caos. Tem algo haver com Éris e Anéris brigando, mas eu não lembro.

Por isso a Burocracia gera As Consequências, e por fim retornamos ao Caos. Mas isso está longe ainda, embora hoje demarque que já se passou 2/3 da estação, e faltam apenas 25 dias para seu fim (é quase um mês para os católicos, eu acho), são 25 dias de Partyhard, onde ninguém entende o que diabos está acontecendo, até o dia em que você acorda de gravata, e se vê assinando e carimbando papéis, para serem despachados ao outro departamento da sua miserável vida.

A estação desse ano fez jus ao nome, porque ninguém sabe ao certo do porquê o Cunha ainda está na Câmara. Todos sabemos que os primeiros comentários Anerísticos sempre saem da boca de políticos, e que políticos são tão necessários, quanto Barretos é necessário para o resto do mundo*. Além dessa confusão do Cunha estar no poder da câmara – esperemos que haja alguma explicação em breve – também teve o incidente da maioridade penal, onde em um primeiro momento não tinha sido aprovada, eu fui cagar, e quando voltei os outros tinham feito merda – e aprovado.

E claro, não podemos esquecer que nessa estação foi revelado a nós a personificação de Sri Syadasti Syadavaktavya Syadasti Syannasti Syadasti Cavaktavyasca Syadasti Syannasti Syadavatavyasca Syadasti Syannasti Syadavaktavyasca, o terceiro apóstolo e santo. Essa personificação é Felipe Smith Seucu. Alguns dizem que Sri Syadasti decidiu entrar em contato com Felipe, por meio duma bala de LSD, para espalhar palavras de sabedoria como “Traz um incenso pra mim”, “Jamais serão” [sic], “Bruno? O que você tá fazendo aí embaixo da ponte? Sai daí tu é mó playboy” e “Romero Britto”. Lembrando que todas essas frases de sabedoria, foram proferidas em um certo tom confusão, e que Felipe não tem nenhuma ligação com nenhuma cabala – o que faz dele um verdadeiro profeta, e não um picareta qualquer.

Aproveite o fim da noite do Fluxo, e use a droga mais forte que vocês têm perto de você, em homenagem ao Grande Sri Syadasti, patrono dos confusos e psicodélicos, filho do gentil chefe da tribo Peiote, Semente-de-Girassol e da mais bela mulher da tribo, Maria Joana.

Papa Anderson Victorious Molotov Dias, o lunático.

*Barretenses, não se ofendam, eu também nasci em Barretos – e não, não sou caubói.*

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Paz e Segurança

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Propaganda Gratuita!

Não deixem de conferir a revista Discordia Brasilis, a revista discordiana que não só discorda de você, como também não se importa com você!

Primeira Edição, Segunda edição.

Pela liberdade religiosa

O que falta nas famílias e nos círculos sociais brasileiros é tolerância, principalmente tolerância religiosa. Cada um tem a maldita religião que quiser, ou mesmo nenhuma religião, se assim o indivíduo desejar. Estamos em 2015, e ainda existe hipocrisia e intolerância entre as religiões.

Esses dias eu estava vendo um muçulmano dizer, que o grupo Estado Islâmico não são muçulmanos, e apenas terroristas, e que essa comparação do EI com muçulmanos doía em sua alma, principalmente quando dizem que eles são ‘muçulmanos ruins’. Logo vieram dizer ao cara que eles são sim muçulmanos, que seguem à risca o Alcorão (o que é impossível, na minha opinião). Então esse jovem muçulmano diz: “Mas, e as cruzadas? Elas seguiam a bíblia também, porque para vocês eles não são considerados cristãos? “. E é triste pensar que esse ponto relevante foi um tiro dado ao próprio pé, pois aos montes surgiam pessoas vociferando bobagens ao cara. Acho interessante que aos cristãos é permitido negar seu lado extremo, e não aos muçulmanos. Como eu amo a internet.

Aceitem, cristianismo e suas ramificações estão longe de serem a melhor de todas as religiões, ou a mais pacífica e a que ensina melhor o respeito e o amor. Primeiro porque o livro, em um primeiro momento, retrata um Deus de uma forma na qual todos devem temer e, em um segundo momento, ele é o Deus do amor e piedade. Cristãos nunca dão a outra face, eles apenas revidam.

Enquanto eu concordo que existam pessoas que sigam o lado ‘bom’ do livro, são poucas as que fazem. Começando pelo conservadorismo, a maioria dos cristãos conservadores adoram vociferar sobre liberdade e amor, enquanto negam o aborto, pedem a redução da maioridade penal, e pior – pasmem! – pedem a pena de morte. Jesus recebeu pena de morte, e isso foi a 2014 anos atrás. Pai, perdoa-lhes; pois não sabem o que falam fazem. O novo testamento ensina o Amor e o perdão, coisa que é totalmente oposta ao que muitos ‘cristãos’ falam e fazem. Mas existem bons cristãos sim, pessoas como Tolstói, que afirma que não se deve resistir ao mal, usando o próprio mal.

Deve ser bem triste ouvir que um grupo como o EI pega um livro tão bonito, e interpretam de uma forma tão bárbara e escrota, como eles fazem. O Deus retratado no Alcorão é aquele que exige o respeito, mas que também respeita. E ele é o mesmo Deus cristão e mesmo Deus judaico, só muda a forma com a qual seu profeta o retratou. Mas infelizmente, o EI se nomeia muçulmano, assim como os cruzados e os caçadores de bruxa se nomeavam cristãos. E que daqui décadas, pessoas estudem esses grupos, para que isso não ocorra novamente.

Nas camadas mais jovens da sociedade, a religião que reina é a ciência. Os jovens costumeiramente enchem o peito para falar da ciência, falar sobre o mito evolucionista. Falo disso por conhecer diversos amigos e amigas, que assim o fazem – e ter feito isso um dia. Chegamos a um ponto onde a religião é mais científica que a ciência, e ao ponto de a ciência ter os mais fiéis seguidores que as religiões. A ciência provou algumas coisas, mas nunca provou a inexistência, ou existência de Deus, nem mesmo provou como surgiu o universo. Ela é uma manifestação desse belo desejo humano de entender o universo. O problema é que muitas pessoas que se dizem ‘homens da ciência’, não passam de cuzões que seguem uma teoria cegamente, sem questionar nada. Pessoas que acham que Einstein está 100% certo. Como Jane Roberts disse uma vez: “Quando acreditamos que a ciência, ou a religião tem ‘A Verdade’, nós paramos nossas especulações. Enquanto ainda se referindo a teoria da evolução, a ciência aceita o fato, sobre a existência e, portanto, qualquer especulação que ameaça essa teoria, torna-se quase herética”. Não use a ciência para contradizer argumentos religiosos, são duas coisas distintas. Ciência não deve ser religião, nem a religião uma ciência, as duas deveriam cooperar mutuamente, para o bem da humanidade.

A maioria das pessoas que usam argumentos científicos, na maioria das vezes, são ateus. Esses que já sofreram com intolerância, hoje fazem a mesma coisa que alguns religiosos faziam. Eles ainda sofrem alguns preconceitos, principalmente de famílias mais tradicionais/conservadoras. Contudo a maioria dos ateus não respeita outras religiões. São os primeiros a dizerem que os outros estão errados, que os outros são idiotas e cegos, que são levados pelas rédeas como carneirinhos. Se você é esse tipo de pessoa, você é só mais idiota ordinário, que se diz de mente aberta, um estudante das ciências, mas que provavelmente acredita no mito evolucionista, você não é muito diferente dos extremistas religiosos. Mas assim como os cristãos, sei que existem bons ateus, que são indiferentes em relação a fé alheia.

Os budistas em um geral, tentam manter uma relação de respeito e amor com o próximo, embora eu já tenha visto alguns budistas caçoarem de outras religiões. Eles, diferente das outras religiões, percebem que a busca da paz – que todas religiões pregam – depende apenas do indivíduo, que busca a paz em si próprio e consolida a harmonia na sociedade. A problemática é que alguns monges budistas, apenas se lamentavam sobre as injustiças do mundo, assim como alguns também ficavam ao lado de líderes orientais, enquanto eles cometiam graves atrocidades e violência contra a humanidade – algo natural de qualquer tipo de liderança, devo dizer.

No ocidente, essa religião é tratada como uma filosofia, ou estilo de vida. Frases inspiradoras compartilhadas no facebook, yoga, estátuas dum homenzinho careca e gordo, coisas do tipo são um certo sucesso. Budismo é bem difundido entre a elite, e mesmo que os monges não façam uma diferenciação social de seus ‘devotos’, é importante notar isso. Como toda religião, o budismo evoluiu junto a sociedade, e uma das suas ramificações é o zenanarquismo, ou anarcobudismo, que aponta semelhanças nas práticas anarquistas e as práticas budistas – especificamente do zen.

A ideia surgiu com um ensaio de Garry Snyder, onde ele ressalta o fato dos monges não adotarem uma posição contrária aos líderes-genocidas, e onde ele fala da adoção de táticas como desobediência civil, protesto pacífico e poder de voz. Garry faz uma crítica contundente, tanto ao capitalismo, quanto ao comunismo.

O Comunismo foi – e em alguns grupos, ainda é – bem desrespeitoso com a religião alheia. Talvez porque na sociedade deles, a liberdade individual estava fora de questão. Marx dizia que a religião era o ópio do povo, ideia que – espero eu – tenha mudado em diversos círculos marxistas. Os chineses enviavam monges budistas para a guerra. Imagine ser um indivíduo que decide devotar sua vida ao pacifismo e ao dharma, e ser privado dessa sua decisão por algum senhor da guerra. Uma revolução onde não há liberdade religiosa, não é minha revolução. Quando uma pessoa se converte a uma religião, por livre escolha e não tenta força-la as outras pessoas, não há porque priva-lo desse direito. Todas as religiões ensinam respeito e amor, a sociedade ensina exatamente ao contrário. Sempre dizem que a religião não deveria influenciar na política, mas tristemente deixamos a política interferir nas religiões.

E antes que levantem alguma questão sobre a laicidade do Estado, eu sou totalmente contra a proposta do Daciolo, de alterar a proposta da constituição que diz que ‘o poder emana do povo’, para ‘o poder emana de Deus’, pelo simples fato de que a devoção de uma religião vem do indivíduo e não deve, de maneira alguma, ser imposta por outros grupos de indivíduos. Isso é uma decisão individual, e não social. Embora não possamos deixar que essa decisão afete a decisão alheia.

O que infelizmente não é o caso, pois atualmente no Brasil tem surgido uma onda de ódio, contra pessoas de religiões Afro-brasileiras. Até mesmo com declaração de pastores, evangélicos, para que apedrejassem umbandistas. Ou a infeliz declaração do Datena, que disse que ateístas cometem crimes, pois não tem Deus no coração.

Uma pessoa pode ter uma religião, se assim ela quiser, assim como essa mesma pessoa pode muito bem viver sem uma religião, se assim ela desejar. Ninguém está certo ou errado. Isso não é uma questão de competição, isso é uma questão de fé: Ou você tem, ou você não tem.

Nota: Não citei o hinduísmo, por conhecer pouco da religião e do que eles pregam, mas acredito que não seja muito diferente das outras [em relação a pregar amor e paz], uma vez que Gandhi era hinduísta. Além de que não existe tantos hindus aqui no Brasil, como nos EUA e na Inglaterra, onde há um preconceito fodido contra a religião, mas a ideia se mantém a mesma da retratada no texto. Também não citei religiões mortas (os panteões gregos, romanos, nórdicos, célticos, etc), por mais que exista um ‘renascimento’ dessas práticas pagãs, seu impacto social é quase nulo, mas a ideia se mantém a mesma, em relação à tolerância. E não citei freak-religions (discordianismo, pastafarianismo, kopimismo, etc), por questões óbvias, assim como também não citei cientologia, por ser um culto e não uma religião.