John Constantine, exorcista, demonologista e mestre das artes das trevas

*É altamente recomendado o uso de Sex Pistols, como música de fundo, durante a leitura*

Hellblazer é uma série de quadrinhos problemática, e até mesmo polêmica. Misturando cristianismo com ocultismo e política, Hellblazer consegue ser uma das HQs mais interessantes dos últimos tempos. Sou suspeito para dizer, claro, gosto dessas coisas mais politizadas e que geralmente andam na contramão. Hellblazer consegue seguir numa linha contrária ao da maioria das HQs, onde um herói salva o mundo, em nome dos Estados Unidos da América, uma nação abaixo de Deus. Ela leva essa perspectiva a outro nível, ao assumir que toda forma de governo é corrupta e dominada por demônios, que querem dominar o mundo.

A tentativa de adaptação para filme não foi lá muito fiel à HQ, mas manteve o estilo único de John. O filme merece uma espiada, embora seja um John diferenciado do John das HQs. O filme carrega o Sobrenome do anti-herói. O mesmo ocorre com a série, que chega a ser mais fiel às HQs, sendo John um filho da puta arrogante, que finge não se importar com ninguém a sua volta e, mesmo cheio dos mais diversos vícios, tem um bom coração e zela pela vida de todas as pessoas.

A série começa com John internado em um hospício, por conta dos eventos de Newcastle, e ele percebe que está apenas perdendo seu tempo ali dentro. A série tenta incluir uma moça (Liv) para ser companheira de John e Chas, mas ela não saiu do projeto piloto, aparecendo apenas no primeiro episódio. No começo da série, Constantine é um camarada meio tímido, não fuma ou bebe em excesso, mas conforme a série vai se desenvolvendo, nós vemos o mesmo Constantine de ‘Hábitos Perigosos’, especialmente nos últimos episódios, onde a BBC não fazia muita pressão, e dava mais liberdade criativa aos roteiristas, que tentaram manter uma série mais fiel aos quadrinhos.

Algumas pessoas têm me perguntado se vale a pena assistir, já que a série não tem um futuro certo. E embora eu seja suspeito para dizer, eu recomendo do fundo do meu coração. Eles conseguem manter uma plot instigante, que o mantém preso, enquanto faz referência a diversos tipos de magia, com aquele ar meio sujo e punk, dando aparecer que o próprio Alan Moore escreveu a adaptação para a série. Como no terceiro episódio, em que John pede ajuda de Johnny Rotten (colocando fones de ouvido ao som de Anarchy in the UK), para não ouvir a voz do ‘Primeiro dos Caídos’, que poderia leva-lo a cometer suicídio. E embora alguns episódios aparecessem meio arrastados, eles acabam carregando mensagens profundas, como o questionamento de Zed sobre seus dons em ‘Anjos e Ministros da Graça’, ou como o comprometimento de Manny, John, Chas e Zed em salvar o mundo da Brujeria, o grupo envolvido na Ascensão da Escuridão, que não tem absolutamente nada a ver com a Banda.

Até o momento de escrita desse texto, a série não tem um futuro certo, havendo especulações sobre a série ir para o SyFy com o nome de Hellblazer. Mas a certeza que fica é a de que haverá uma continuação. A série pode ser assistida via Popcorn Time, ou pelo canal Space de TV, atualmente não está disponível no Netflix.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s