Pretty Woman

Ela era a confusão encarnada. Sempre em busca de uma picuinha, como uma velha nazista com algum retardo mental. Era casada com o Josevaldo, um cara de 27 anos, enquanto ela faria seus 29 dentro de algumas semanas. Tinha cabelos castanhos de uma tonalidade bem escura e era bem alta, mais alta que Josevaldo.

“Calma Patrícia”, dizia Josevaldo em um de seus excessos de raiva (ela era incontrolável, histérica). “Por favor não me bata”, “Pegue leve” e “Eu prometo ser bonzinho” eram frases que Josevaldo repetia diversas vezes ao longo de um dia.

Essa mulher era um animal! E, para o pesar de Josevaldo, não uso esse termo como conotação sexual. E todo animal pode ser facilmente domesticado (com exceção dos dinossauros, eles são o cúmulo da malvadeza), mas essa regra não se aplica à Patrícia, ela é o cúmulo da malvadeza (Seria ela um dinossauro? A interpretação é por sua conta).

Patrícia irritava a todos e, quando a ofendiam, demonstrava-se totalmente sentimental. Isso irritava Josevaldo, é claro. Pois quando ele falava de sua inteligência ela ou ficava triste e chorava, ou ficava extremamente brava e o enchia de porradas.

“Como você pode ficar bravo comigo? Eu sou a vítima aqui”. E logo em seguida dizia: “Sabe… Quem deveria estar puto com você sou eu, e não ao contrário! Você é um frouxo incompetente”. Pobre Zévaldo (como o chamamos lá no bar), a única coisa que dizia era: “Sim, a culpa é minha, eu sou uma merda”.

No dia de seu aniversário, Zévaldo a ofereceu um passeio ao parque, com todo prazer do mundo. A implicância começou antes mesmo de saírem de casa, o que era natural. “Não, não vamos ao parque nessa lata de lixo, que você chama de moto, vamos no meu carro. Você dirige”.

Era um calhambeque conversível cor-de-rosa, brilhava como uma pérola no lusco-fusco. Dentro daquele carro, os dois pareciam um casal feliz da Califórnia, indo à Frisco ao som de Fuller. Mas eram apenas um casal paulistano infeliz, que ia à um parque ao som do leppo-leppo, que o cara ao lado estava ouvindo.

Josevaldo encostou o carro em uma viela e começou a beijá-la, ela ficou bem excitada, levantou a camisa e pediu uma massagem. Ele escorregou seus dedos pela sua pele e começou a esfaqueá-la. Esfaqueava por todas as vezes que ela o humilhou em frente aos seus pais. As vezes que ela o rebaixava, dizendo que ele não conseguiria um emprego decente, que ele era fraco e morreria sendo sustentado por ela. Essa era a prova final da força de Josevaldo. A jogou no banco de trás e 15 minutos depois tocava minha campainha.

Contou-me a história toda, fiquei abismado! Ele teve que tolerar um engarrafamento mais o leppo-leppo! Esse cara é meu herói! Pediu-me para dar um fim no cadáver, pois tinha alguns compromissos e que depois falava comigo.

Mais tarde fiquei sabendo que foi pro rio. Apenas consigo imaginá-lo com o calhambeque rosa, passando pela Rio-Santos. Ao som de Pretty Woman ele ia por aquelas curvas, em busca de um amor mútuo e não uma vadia louca como Patrícia.

O que eu fiz com o corpo? Sempre achei Patty bem gostosa, então fiz essas coxinhas, que estamos comendo. Pretty woman, walking down the streets, Pretty woman is now some raw meat.

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2 comentários em “Pretty Woman

    1. Essa cena foi uma das únicas que eu acabei não alterando, do texto original (feito no caderno). Tenho tentado mudar meu estilo de escrita, pelo feedback que tenho recebido, parece que tem melhorado. 😛
      Agradeço o comentário, Gus. o/

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