Blues na cidade

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Som incessante do blues, com sons guitarras chorando e suas gaitas clamando por ajuda. Esse som percorre todos os cantos da cidade, sai pelos bueiros e das bocas da pessoas. Um caminhão, rapidamente passa ao meu lado, com um suave dum-dum, de um baixo tremido e desesperado. Blues, blues e blues, por todas as partes. Blues no chiclete preso ao chão, em qual eu pisei; blues nas placas partidárias, que alguém chutou (juro que não fui eu); blues nas estradas a fora, com vagabundos e suas mochilas da marinha; blues nas pichações que ficam no alto, bem no alto, de um edifício qualquer; blues nas folhas das poucas árvores nesse urbos; blues no ponto em que vou descer; blues na mulher que cutuca o nariz, sentada ao meu lado; blues naquele cara mijando no poste; blues na calça legging daquela morena, socada belamente entre as nádegas, a visão do paraíso; blues em Glasgow buscando a independência, que deus esteja com os irmãos da Escócia; blues na andorinha voando no céu azul, ela sabe que vai encontrar seu destino, em algum lugar entre as nuvens lá em cima; blues no Punk Rock, que agora reside morto, no coração daqueles que se renderam ao sistema; blues ao pôr-do-sol, todos dançando felizes, praise the sun; blues entre os membros do IRA, Tiocfaidh ár lá, irmãos; blues na estação da imperatriz Leopoldina, din-don, próxima estação: domingos de Moraes, desembarque pelo lado esquerdo do trem; blues na mega operação do Rappa, é queima de estoque rapaziada, 3 por 2; blues das pessoas amontoadas na lata, próxima estação é a da lapa; blues da minha escola antiga, amigos e mais amigos na frente do banheiro; blues do foda-se o skaf, aquele rato manja de política; blues nas TVzinhas do metrô, nos dizendo o que fazer ou como nos vestir;  blues da mulher que espia sobre meus ombros, para ver o que diabos estou escrevendo; blues da vida urbana, correria maldita a qual estamos sujeitos até o dia de nossas mortes! Amém.

Remando contra o fluxo.

A queda do deus Sol

Os raios solares lentamente batendo nos gigantes de concreto;
As pessoas, correndo, o fluxo constante da cidade;
Aquele mendigo ali pedindo dinheiro
O blues constante nos meus ouvidos, com suas gaitas chorando;
As sirenes do medo, provavelmente caçando alguém.

Os raios do Senhor do Fogo tocam minhas mãos, mas agora ele está para trás, passado;
Crianças nas ruas, com seus skates, patins e patinetes, este já fui a rodar as ruas do interior;
Folhas caem lentamente daquela cerejeira, uma chuva eterna do brilho rosa em contraste ao cinza;
Associação Comercial de São Paulo, no distrito da lapa;
Estátuas maçônicas, reforçando teorias da conspiração;
Um senhor ouvindo um forrózinho em seu calhambeque, lembranças de sua terra;
Minha vó na padaria ali da esquina, não sabia que ela estava na cidade;
Ruas da Lapa, sempre sujas e nojentas, os partidários do Aécio passaram por aqui?
E. E. Prof. Perreira Barreto, cheio de gatas sensuais em calças leggings, paraíso paulistano.
Casa Mafalda e seus grafites antifascismo, abaixo ao poder!
E lá se vai o grande e imponente senhor das chamas, com sua cor sangue em solidariedade ao Mike Mike (Brown) e tantos outros mortos;
Repressão Policial, repressão policial, é notícia de jornal, todo mundo fala mal aplaude de pé, na ditadura não havia esse tipo de sem-vergonhisse.

Remando contra o fluxo.

Porco Social Democrata Brasileiro

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Acabei de ver uma galera pró-Aécio em frente a facul, uma renca de gente da força sindical, carregando bandeiras e fizeram uma sujeira nojenta com panfletos e copos plásticos e caixas dos Habbib’s. Bando de porcos, escrotos. Isso me emputece.
Havia algumas crianças no meio, provavelmente filhos dos sindicalistas. Crianças num jogo de adultos, todos felizes: tudo faz parte duma grande brincadeira. Pobres coitados. Ninguém deveria forçar os filhos a seguir suas convicções políticas e religiosas.
Uma zona total, fretados e mais fretados, carregados de pessoas.
Aquele homem com um walki-talk, velho, de camisa aberta e pêlos que devem cair em sua comida, é um tipo de segurança, me olhou feio quando ameacei chutar uma placa do Aécio, ontem. ‘Tá ali no meio, talvez guardando a camionete, deve ‘tarde me marcando, eu amassaria aquela porta, provavelmente. Não, talvez não. Muita gente, iam arrancar minha cabeça, na certo, me acusar de ser petista: irmão espiritual deles.
Um cara distribuindo bandeiras, adesivos amarelos com um 45 azul pra todo lado, mesmo em pessoas. Não vejo mais o sol, onde ele foi? Pessoas, fumaça de cigarro, carros buzinando, a guitarra de sultans of swing, calma e melancólica em meus ouvidos. O vento começa a ficar frio, cadê o maldito sol?
Trombando em pessoas por todo lado, e vejo tucanos e  45’s pra todos os lados, onde diabos eles vão? Eu não me importo, mas deixem a maldita liberdade limpa, porcos. É sério que votarão nele? – escrito às 18h30.

Remando contra o fluxo.

Pretty Woman

Ela era a confusão encarnada. Sempre em busca de uma picuinha, como uma velha nazista com algum retardo mental. Era casada com o Josevaldo, um cara de 27 anos, enquanto ela faria seus 29 dentro de algumas semanas. Tinha cabelos castanhos de uma tonalidade bem escura e era bem alta, mais alta que Josevaldo.

“Calma Patrícia”, dizia Josevaldo em um de seus excessos de raiva (ela era incontrolável, histérica). “Por favor não me bata”, “Pegue leve” e “Eu prometo ser bonzinho” eram frases que Josevaldo repetia diversas vezes ao longo de um dia.

Essa mulher era um animal! E, para o pesar de Josevaldo, não uso esse termo como conotação sexual. E todo animal pode ser facilmente domesticado (com exceção dos dinossauros, eles são o cúmulo da malvadeza), mas essa regra não se aplica à Patrícia, ela é o cúmulo da malvadeza (Seria ela um dinossauro? A interpretação é por sua conta).

Patrícia irritava a todos e, quando a ofendiam, demonstrava-se totalmente sentimental. Isso irritava Josevaldo, é claro. Pois quando ele falava de sua inteligência ela ou ficava triste e chorava, ou ficava extremamente brava e o enchia de porradas.

“Como você pode ficar bravo comigo? Eu sou a vítima aqui”. E logo em seguida dizia: “Sabe… Quem deveria estar puto com você sou eu, e não ao contrário! Você é um frouxo incompetente”. Pobre Zévaldo (como o chamamos lá no bar), a única coisa que dizia era: “Sim, a culpa é minha, eu sou uma merda”.

No dia de seu aniversário, Zévaldo a ofereceu um passeio ao parque, com todo prazer do mundo. A implicância começou antes mesmo de saírem de casa, o que era natural. “Não, não vamos ao parque nessa lata de lixo, que você chama de moto, vamos no meu carro. Você dirige”.

Era um calhambeque conversível cor-de-rosa, brilhava como uma pérola no lusco-fusco. Dentro daquele carro, os dois pareciam um casal feliz da Califórnia, indo à Frisco ao som de Fuller. Mas eram apenas um casal paulistano infeliz, que ia à um parque ao som do leppo-leppo, que o cara ao lado estava ouvindo.

Josevaldo encostou o carro em uma viela e começou a beijá-la, ela ficou bem excitada, levantou a camisa e pediu uma massagem. Ele escorregou seus dedos pela sua pele e começou a esfaqueá-la. Esfaqueava por todas as vezes que ela o humilhou em frente aos seus pais. As vezes que ela o rebaixava, dizendo que ele não conseguiria um emprego decente, que ele era fraco e morreria sendo sustentado por ela. Essa era a prova final da força de Josevaldo. A jogou no banco de trás e 15 minutos depois tocava minha campainha.

Contou-me a história toda, fiquei abismado! Ele teve que tolerar um engarrafamento mais o leppo-leppo! Esse cara é meu herói! Pediu-me para dar um fim no cadáver, pois tinha alguns compromissos e que depois falava comigo.

Mais tarde fiquei sabendo que foi pro rio. Apenas consigo imaginá-lo com o calhambeque rosa, passando pela Rio-Santos. Ao som de Pretty Woman ele ia por aquelas curvas, em busca de um amor mútuo e não uma vadia louca como Patrícia.

O que eu fiz com o corpo? Sempre achei Patty bem gostosa, então fiz essas coxinhas, que estamos comendo. Pretty woman, walking down the streets, Pretty woman is now some raw meat.