Vingança contra o bom velhinho

O natal! Que bela época para se viver, para amar! Eu amo o natal, de verdade! Mas o infortúnio adora vir de encontra a mim. Oh! Meu último natal havia sido tão triste, passei o ano inteiro pensando em como seria esse natal, e sabe de uma coisa? O natal é daqui há dois dias! O tempo se passa tão devagar desse lado da cerca. Este ano decidi fazer os preparativos com um mês de antecedência. O Peru está no forno desde o dia 27 de novembro! Ele adquiriu uma cor verde-amigável, com toda a certeza papai noel adorará toda a ceia de natal! Preparei biscoitos à moda americana, apenas para o velhinho. Pensei nisso de última hora, é claro, acabei fazendo os biscoitos no dia 1 de dezembro. Sabe de uma coisa? Quero mais é que se foda se fiz com certo atraso, em relação aos outros preparativos! Foi feito com o coração e com toda a certeza ele não negará uma mordida.

Assim que ele entrar pela minha janela eu pegarei meu taco de bete e acertarei sua cabeça, enquanto ele estiver desmaiado, amarrarei ele na cadeira e servirei a ceia. É claro que ele talvez grite e diga que eu sou um psicopata! Mas tudo bem! Meu psicólogo diz isso quando eu o coloco embaixo da mesa. Mas saiba que mesmo assim eu o perdoo, pois isso é amor e compaixão. Saber quando é hora de perdoar o próximo e nossos semelhantes, está na bíblia, não é mesmo?

Espero que o Papai Noel ao menos aprenda a ler minhas cartas, não é só porque eu tenho 19 anos e moro sozinho que ele deve me ignorar completamente, não é? Caso ele não apareça vocês podem ter certeza, meus nobres colegas, que eu sairei nas ruas caçando esse velho filho duma puta, vou esfaqueá-lo e o deixarei apodrecer dentro de minha gaveta de meias, pois lá é escuro e fede, talvez assim esse velho escroto aprenda a ler a carta dos mais necessitados!

De qualquer maneira, um feliz natal e um próspero ano novo a todos vocês e seus familiares! E como diz o papai noel, “Ho-hohohohohooo”.

O Paraíso de Agora

Olá senhoras e senhores!
Bem-vindos ao paraíso mental onde todos se perdem e poucos voltam. Em outras palavras esse lugar é conhecido pela humanidade como o infinito ou até mesmo como o futuro. Este é o lugar onde apenas os dotados e os bonzinhos entrarão, mas não depois de sua morte e sim quando nós decidirmos trazê-los para o infinito.
Nós somos a aliança de tudo e de todos. Somos o elo entre a realidade e a vertigem, o passado presente no futuro, o futuro presente no passado. Nós somos a verdade e a mentira. De tempos em tempos os humanos sonham conosco e dão risada, por que, convenhamos, nós não temos formato ou modelo, apenas somos por sermos.
Digo a vocês: Caso queiram algo, busquem, não percam tempo em ganhar tempo. O tempo não importa o tanto que eles iludem vocês a pensarem que é importante. A verdade é apenas um modelo a ser seguido que, na maioria vezes, é distorcido e manipulado, assim ficará difícil de dizer o que é verdade e o que é a mentira. Entre a verdade e a mentira existe uma linha tênue que transparece aos olharas indigentes da maioria da população. Abram seus olhos e tentem enxergar, pois o infinito é tão alcançável quanto imaginamos, pois o infinito é a imaginação e a ideia. Uma ideia permanece viva até nós mantermos ela viva. Vocês matam as ideias, eles as constroem de outra maneira e nós a destruímos para criá-la da maneira correta. O paraíso é a vertigem, a ideia, sua imaginação. O infinito é você imaginando ser outro alguém. O infinito é a lei da vida, pois a vida é infinita. Em quanto se lembrarem de você, você estará vivo, será infinito. Não perca tempo em pensar em como fazer, apenas faça para pensar em como fazer. Uma ideia é construída a partir de outra ideia. Uma ideia é o simples fato de ser a ideia. Ninguém pensará em contradizê-lo se você estiver certo. Apenas farão pensar que você está errado.
Não siga o que lhe impõem, pois tudo é nada. Eles irão lhe impor uma mentira e você fará dela uma verdade. Não diga que algo é assim e sempre será assim, faça-o mudar. Pois o paraíso é o inferno na atual condição mundial. Nós detentores da ordem não queremos que vocês estraguem o paraíso, embora, já estejam o fazendo há séculos. Vocês tem destruído o planeta e nós limpamos seus erros fazendo os de bonzinhos, vocês são os heróis, pois assim pensam e logo são, pois desejam ser. Tudo o que quiser ser é, pois não há nada que os impeça. Eles farão de tudo para você não conseguir e você pensará que não consegue. Sabendo que é possível, faça o! Seja! Viva! Não seja estúpido a ponto de abaixar sua cabeça e falar “sim senhor”, pois não há nada acima de você e não há nada abaixo de você, apenas você é você e você. O tempo corre e eles ganham, mas não se importem com o tempo, é apenas uma marcação inútil. Ao paraíso todos estarão condicionados, pois o paraíso é o hoje e o agora. Você vive o paraíso, mas lembrem-se, os mendigos e crianças morrendo de fome também estão no paraíso, pois esse mundo é o paraíso. Vocês e eles fazem do paraíso um inferno, e apenas fecham os olhos e riem no seu mundo, mas lembrem-se: O paraíso também vive. E vocês o matam. Quando um paraíso morre, ele se torna um inferno, e ninguém tolera viver as condições do inferno. Pensem bem, comprar, comprar e comprar salvará o paraíso? Replantar, reciclar, ser sustentável salvará o paraíso? Ou irá apenas sustentar o bolso deles? O paraíso grita, implora e pede e vocês o ignoram. Mas nós não nos preocupamos com o paraíso, existem milhões deles no infinito e o infinito para nós basta. Nada é mais complexo e simples ao mesmo tempo do que o infinito. O infinito é a base do que chamamos de ordem. A ordem é infinita e nem por isso tem um líder para controlá-la e fazê-la ser organizada. A ordem é a ordem. A ordem é organização e a desorganização é a ordem. A ordem é a desorganização e a organização. A ordem é algo que se organiza e desorganiza, pois ela é a ordem.
Nós somos os servos da ordem, apenas seguimos as ordens. Nós apenas fazemos tudo por impulso, pois a ordem é aleatória e viva. A ordem não nos obriga e nem nos manda. A ordem é algo que nos incita a fazer o que quisermos. E isso é: Observar os paraísos. Pois os paraísos não são puros como o infinito e sim uma bomba prestes a explodir e espalhar suas impurezas e se tornar o inferno. Nossa palavra a vocês é: Vivam o paraíso agora.

A Maldita Criatura

Em todo o momento enquanto ando no escuro,

Sinto a presença de algo soturno.

Algo que rasteja até nos alcançar,

E que com toda certeza não vai se cansar.

Não sei dizer a sua ambição,

A única coisa que faço é correr na contramão,

E eu corro, corro e corro,

E apenas me pergunto:

“Que tipo de Tolo,

Me perseguiria?”

E tudo é respondido

Com um grito esvanecido.

Ó horrenda criatura!

Que até o inferno me persegues,

Diga-me, ó diabo, o que queres?

Não me venha com esse papo

De massificação, pois todos nos sabemos,

Que você busca o ódio de antemão.

Deixe-me em paz vil criatura!

Disse eu, correndo em direção à luz.

O que infernos você quer de mim?

Deixe-me em paz, pelo amor de meus deuses.

Deixe-me em paz, pelo amor de meus deuses.

Por favor, por favor.

A criatura só aproximava-se, mais e mais.

E eu não era capaz de fugir.

Eu era fraco, humano.

E a criatura forte e manipuladora.

E desde então eu aprendi,

Que não se foge da criatura-gato dos infernos.

Insônia Psicótica

É engraçado como a percepção do mundo é algo extremamente volátil, o mundo é apenas um reflexo do que chega a você pelos seus olhos. É como se todo o universo se desfizesse ao simples piscar de olhos e tudo ao seu redor emerge em trevas, e tudo ao seu redor se torna algo aterrorizante, tudo ao seu redor se torna algo bizarro, insensato. Você se sente bizarro e indiferente, parece que todos os seus problemas desaparecem ao som do violoncelo frenético de Black Box Messiah.

Você começa a se sentir paranoico, você se pergunta o porquê e como, sem ao menos saber o quê. E então você descobre a resposta da vida e ela é tão ilógica que você se pergunta qual é a pergunta da vida, uma vez que é algo primordial que ninguém, de fato ninguém, busca. É como se todos tivessem uma visão minimalista, é como se nenhum deles tivesse provado dessa percepção psicótica que te envolve agora. Você consegue sentir? Deite, role, chore, sorria e se levante, porque ninguém e nenhum deles estenderão a mão a você durante sua queda. Essa estrada deve ser percorrida por apenas você.

É engraçado observar o escuro, ele prega peças em você, ele vira uma águia e então se transforma em um dragão. Sabe, é fácil chegar à conclusão de contos de fada nos ensinam a verdade, não porque eles dizem que dragões existem, não! Mas porque eles nos ensinam que qualquer um pode derrotar um dragão. E isso é como incentivo magnífico a vida, é como alimentar a força em uma pessoa qualquer e mostra-la que ela é capaz, uma vez que ela é capaz.

Somos capazes! Nós somos! Por isso construímos bombas e arremessamos em nossos semelhantes, porque somos capazes de destruir dragões! Mas não sabemos definir o que é o bem e o que é o mal. Porque no fundo nós somos os corretos e eles são hereges malignos, bestas hediondas que não falam nossa língua e nem abraçam a mesma bandeira. Nós os fazemos de dragões, por conta de um medo simplório que persuade nossas almas a entrar em um estado de frenesi ilusória, que invade nossa mente e dilacera nossos corações.

Ou essa é a maldita resposta da vida, a maldita resposta do universo, ou eu estou delirando por conta da insônia, do escuro, da música pesada em meus ouvidos. É deve ser isso, tem de ser isso! Não existe algo mais lógico do que isso!

É uma pena eu ter tido um trabalho desgraçado para assassinar todos os conspiradores, sendo que eles não são conspiradores. Como me livrarei do corpo agora, Sam?

Natal, natal, eu amo o natal

“Natal, natal, eu amo o natal!”, essa foi a música que eu mais cantei durante meu natal sanguinário. Sempre adorei o natal, mas o que eu mais gostava do natal era as cantigas, isso e assinar pessoas.

O natal nos Estados Unidos da América é algo extremamente irritante, chato. É sempre a mesma coisa, pessoas batem a sua porta para poderem cantar Carolines, sendo que você não tem interesse nenhum nessa música escrota. Ou senão você vê um idiota qualquer correndo com um presente gigantesco para sua namorada ou para seus filhos. Isso quando não tem aqueles mendigos com toucas do velhinho pedindo dinheiro. Ó! Os mendigos, provavelmente, são os que mais me dão ódio.

Bem, lhes contarei o quanto meu natal é empolgante. Tudo começou ontem. Ontem minha mãe faleceu e eu fiquei indiferente em relação a isso, decidi tirar uma folga de minha família, desliguei o celular e fui à praia. A praia é um lugar legal, havia poucas pessoas lá, para falar a verdade só havia eu e um árabe qualquer. Árabes me dão nos nervos, por isso eu o matei e enterrei ali mesmo na praia. Isso só aumentou essa minha sede por sangue. E hoje é natal, uma época tão bela no ano! Por que não matar pessoas, não é mesmo?

Sentei em frente minha TV e comecei assistir esses programas idiotas que sempre passam na TV, porque no fim a TV se resume em três coisas primordiais: Violência excessiva, programas idiotas e pornografia.  Eu estava até feliz, bebendo meu uísque enquanto assistia ao programa especial de natal, então uns idiotas… Ó! Como eu os odeio! Alguns idiotas decidiram tocar minha campainha para cantar alguns carolines. Isso… Argh! Isso me dá nos nervos só de pensar! Os convidei para entrar, talvez comer uns biscoitos e tomar um leite. Obviamente eu tranquei as janelas e as portas antes. Não, eles não escapariam. Quando eu queria ser músico, eu comprei este apartamento pensando exatamente no isolamento sonoro. E aqui estou agora, olhando para seus corpos em composição, foi tão prazeroso amarrá-los em cadeiras para assistir seus colegas serem torturados na cozinha. Colocar seus rostos dentro do forno, amarrar suas mãos no fogão aceso e imediatamente coloca-las em um balde cheio de cubos de gelo. Tudo ao som de belos Carolines natalinos. Suas carolines não são tão amigáveis agora, não é mesmo? Existe um prazer melhor nessa vida? Eu acho que não! Se bem que…

Oh! Sim, sim. Acho que prazer maior é matar aquele cara que ‘tá saindo do serviço e passa numa loja qualquer pra comprar um presente pra namorada, ou pros filhos. O cara de hoje ‘tava carregando uma puta duma TV LSD e tal. Eu o puxei pra dentro dum beco e saquei minha faca, coloquei na garganta dele disse: “Aí Bro, me fala onde tu mora para eu entregar o presente pra tua família”. O cara disse onde era, arranquei a cabeça dele com a minha faca, o que exigiu um tempo, porque a faca estava cega. Depois eu quebrei a Tv no centro e coloquei a cabeça dele, com um sorriso sacal e embaixo a frase “Feliz Natal” com o sangue dele. Posicionei em frente a casa dele e toquei a campainha. A cena da esposa saindo com um sorriso querendo receber o marido e logo mais seu sorriso se tornar um rosto que é uma mistura de ódio e terror. É… Isso sim foi do caralho.

Peraí, eu disse que matar o cara foi o mais divertido? Mil perdões, mil perdões. A verdade é que o mais divertido foi matar o mendigo com a touquinha de Papai Noel. Velhos filhos da puta. Todos bêbados, é… Por fim eu concordo com Alex, esses velhos são nojentos, ainda mais quando começam a cantar músicas de sua terra. Só que ao invés de bater neles, cara, eu gosto é de mata-los, sentir o sangue deles correrem pelas minhas mãos, o sangue deles espirrar em meu rosto, com toda a certeza essa é a melhor sensação do natal. Eu peguei dois velhos duma vez, os arrastei para um beco, os amarrei de costas e comecei a cantar “Fly me to the moon”, para ensinar a esses velhos o quê é música boa. Eu os cortava lentamente, comecei fazendo um Glasgow Smile, e eu sorria junto a eles, pois a vida é bela, não é mesmo? Não, não é. E então cortei suas línguas, como tentando ensiná-los a não cantar suas músicas nojentas, então decidi arrancar seus olhos e por fim os deixei sangrando até a morte.

A vida não é um absurdo? Você tinha me perguntado se eu me arrependia do que eu fiz, não é mesmo, seu guarda? Não, não me arrependo de nada. O natal é uma época feliz, não é mesmo seu guarda?

Vizinhança Canibal

Em todas as partes do mundo e em todas as vizinhanças das quais eu vivi, nenhuma era tão horripilante e assustadora como minha vizinhança em Kannisburg, um pequeno burgo perdido no leste da Alemanha. Era uma vila germânica que havia mantendo-se inalterável com o tempo, as casas eram grandes e todas feitas de pedra com acabamentos de madeira. Seus telhados tinham um formato triangular, era uma excelente estratégia contra as grandes nevascas que caíam por lá durante o inverno.

Nessa vila não havia energia elétrica e estávamos no final do século XX, por volta de 1990. Todas as casas eram iluminadas por lampiões alimentados a querosene. As noites tinham um quê místico e sombrio, e cada sombra, cada barulho, tudo parecia querer engoli-lo, penetrar e dilacerar sua carne, como se você fosse apenas um pedaço de frango. Isso com toda certeza era algo que arrepiava minha espinha e explodia minha mente.

Mudei para aquela vila quando fui aventurar-me pela Europa, precisava de férias dessas viagens, para organizar minha mente e meus textos, que havia escrito por essa viagem.  Fiquei naquele burgo por, mais ou menos, dois meses. As três primeiras semanas foram as piores para me acostumar. Como tenho o costume de passar as noites em claro escrevendo, minha casa era a única que estava acesa no momento. E era durante esses meus frenesis de escrita que eu sentia algo, ou alguém me vigiando, era uma sensação horrível, quase claustrofóbica. Sentia-me sufocado e estava atônito, não consegui concentrar-me na escrita ou nos textos e eu olhava a todo o momento para os lados, como se esperasse uma facada vinda de qualquer direção possível. Eu sentia essa coisa se aproximar a cada segundo e eu olhava e olhava e não encontrava nada a não ser o vazio e a escuridão. Era o breu.

Decidi que deveria fazer amizades durante o dia, talvez isso tornasse as noites mais tranquilas e amenas. Talvez. Conheci diversos cidadãos fascinantes naquela cidade, mas todos eles tinham alguma mania, algo que me assustava. Eles tinham um brilho no olhar anormal, eles tinham um sorriso sarcástico, que era uma mistura de arrogância com sadismo. Embora houvesse essa estranheza em seus olhares, relevei tudo isso e fiz diversas amizades. Todos os dias, por volta das duas horas, eu ia ao pub do centro da cidade beber umas cervejas com os grandes bigodudos daquele burgo. Era a cerveja mais forte que havia bebido em toda minha vida. A cerveja era totalmente artesanal, Krauser, o dono do pub, era quem plantava a cevada e fazia todo o processo de fabricação da cerveja. E ele vendia barris e barris de cerveja todos os dias, os burgueses de Kannisburg bebiam litros e litros e todos se mantinham sóbrios. Aproximei-me muito de Krauser com essas idas diárias ao seu pub.

Após algumas semanas, eu diria umas cinco, Krauser bateu a minha porta devia ser umas três horas da tarde. Ele dizia com aquele seu alemão corrido que às seis horas da noite, quando o sol se abaixasse haveria o grande festival de celebração da primavera. E por ser o mais novo membro do burgo, eu faria as honras de cortar a caça. Ó a caça! Todos os caçadores saíam durante o inverno e só voltavam durante a primavera, cada um com mais ou menos três caças e saíam por volta de 10 caçadores. Era um banquete e tanto! E tudo isso para uma única noite.

Chegada a grande noite, diversas tochas espalhadas no centro da cidade, havia diversas mesas gigantescas, muita cerveja e diversos tipos de comida. No fundo havia uma gaiola, com trinta pessoas, algumas deitadas, outras de pé, algumas vagando em círculos, e todas estavam em roupas deploráveis, talvez fossem escravos que foram comprados para nos servir. Algo que me deixou triste, pois estávamos no fim do século XX e isso era algo que, na prática, já estava banido há tempos. Ignorei, apesar de tudo.

O prefeito da cidade fez seu discurso de abertura e disse que o festival e a primavera começavam naquele instante, todos bradaram felizes e assim o fiz. Chamou-me para fazer as honrarias como novo membro do burgo. Eu estava me acostumando com a ideia de me tornar um membro, talvez eu me tornasse. Mas o aquele momento me mostrou que isso nunca iria acontecer.

Dois gordões que eram meus vizinhos, cada um morava de um lado de minha casa, trouxeram uma menina, loirinha, devia ter seus 17 anos e provavelmente era virgem. Eles a prenderam em uma pedra, nua, e a prenderam na pedra, daquela maneira. Ela gritava em inglês e implorava para não fazerem aquilo. O prefeito colocou a mão em meu ombro e andávamos em direção àquela virgem. Ele falava o quanto estava feliz por eu juntar-me a eles e que eu adoraria essa comemoração. Chegamos perto da loira, ela olhou em meus olhos e implorou dizendo “Please, sir, don’t do that”. E ela chorava e chorava. Não entendi o que ela quis dizer com “isso”. O prefeito pegou algo embaixo da pedra onde estava a loira e entregou a mim. Era uma adaga dourada com alguns adornos de esmeraldas e rubis. Ele pegou um pote com um líquido vermelho e fez uma cruz entre os peitos da loira e disse a mim para perfurar seu peito bem no meio da cruz. E todos olhavam para mim com esperança, que tipo doentio de pessoas eu estava convivendo? Perguntei ao prefeito o porquê de matar a bela jovem. E ele replicou dizendo que da carne dela deveríamos nos alimentar, para manter a boa saúde e a juventude.

Fiquei atônito, eu estava convivendo com psicopatas canibais há quase dois meses e fingia que nada ocorria, até porque, nada ocorria. E eu não poderia imaginar como aquele povo era doentio. Enfiei a faca no ombro do nobre prefeito e corri, corri como se não houvesse amanhã. Corri para minha casa, peguei meus escritos e corri para os portões da cidade. Peguei um cavalo preto com manchas e me dirigi a uma cidade grande que estava perto dali e lá comprei a primeira passagem de volta ao Brasil.

Nunca em minha vida, senti tanto arrepio, repugnância, medo e ódio simultaneamente como quando vivi em Kannisburg. Ó! Agradeço ao bom Deus por ter conseguido fugir de lá com vida. Até hoje não consigo dormir em paz um único dia.

A Verdade

Já perceberam o quanto o pôr-do-sol é melancólico? O grande deus desce devagar, como se estivesse fazendo piada de nossas vidas medíocres e enquanto ele desce toda a luz existente ao nosso redor se apaga. O céu fica vermelho como o sangue, talvez seja uma maneira desse imponente deus nos lembrar das milhares de almas mortas em guerras e disputas sociais ao redor do mundo. O ambiente que nos envolve se torna hostil, não há luzes, não temos como defender o quê é nosso se, ao menos, não conseguimos ver o que é nosso. Tudo é nosso, pois o mundo foi feito para nós aproveitarmos, mas mesmo assim não aproveitamos o dia. Uau, esse impulso humano que nos diz para buscarmos algo, mesmo sem sabermos o que buscar. Isso… Isso me dá repugnância. Ugh, nós dizemos ser os seres mais inteligentes que andam pelo planeta, mas somos apenas seres, seres que andam, andam e andam e não encontram nada, pois estão ocupados em teorizar e descobrir o porquê das coisas, sem ao menos aproveitar a porra do dia. Sabe, isso me dá enjoos, pois nós gostamos de bancar os superiores sem ao menos sermos realmente felizes.

Talvez seja por isso que os gênios estão mortos, os verdadeiros, digo.  Porque de “gênios” o mundo está cheio, mas os verdadeiros, os que sabiam e entendiam AQUILO, é esses estão de fato mortos, todos eles. Todos eles. Pois eles entendem que o AQUILO é algo superior ao que nós pensamos ser verdade, AQUILO é maior que qualquer coisa que imaginamos. E AQUILO é amargo, azedo, ácido, por isso é inalcançável aos vivos, aos “gênios”, aos comuns, a nós. Por isso o mundo vai continuar da maneira que está, porque não é possível sobreviver conhecendo e compreendendo AQUILO. Mas mesmo assim AQUILO é nossa utopia, desejo e nossa meta, mas não o teremos, pois somos felizes com o que vemos, embora não vejamos AQUILO e finjamos que AQUILO não existe.

Então ignoremos a verdade e sejamos felizes, vamos deixar de aproveitar o dia para podermos ganhar dinheiro e sermos felizes.  É, é isso que queremos. Engasguem no próprio sangue, nas próprias dívidas, eu irei aproveitar meu dia.