Bronies Malditos

Sentem-se crianças, sentem-se, que hoje a história que contarei é o drama da vida de um amigo, que por diversas desventuras que retratarei aqui acabou por despedir-se de nós. Não, não, ele não morreu não, garoto. Qual seu nome mesmo? Matheus? Sério? Ó! Que nobre coincidência! Ha-ha. Pois bem, a história que contarei é de um amigo meu traz o mesmo nome que você.

Matheus era um menino que devia ter a mesma idade que eu tinha e isso foi em 2012. O coitado se foi em 2013. Matheus era um garoto inteligente e muito criativo, mas muito criativo. O tipo de pessoa a qual você se encanta na primeira conversa, Matheus era um amante da natureza e tinha ódio mortal de qualquer um que fosse uma ameaça a grande deusa.

Em meados de 2012 uma infeliz empresa de carros lançou uma propaganda comercial com intuito de divulgar sua marca e a propaganda trazia uma música expressamente irritante que repetia a mesma frase diversas e diversas vezes seguidas de uma repetição de lá, lá, láá. Era algo como: “Pôneis Malditos, Pôneis Malditos, lá, lá, láá”, não me lembro ao certo. Isso foi como um soco na cara de Matheus, uma vez que ele amava a natureza e adorava pôneis. Não que ele fosse homossexual, ou algo assim, ele apenas gostava, pois achava que um cavalo pequeno era algo fofo e bonitinho, como ele mesmo gostava de dizer.

Então, Matheus acabou comprando um bichinho de pelúcia da Flip Flop, oi? Como assim não tinha nenhum pônei chamado Flip Flop? Era um pônei rosinha e feio. Como? Pork Pie? Ah, sim. Ok. Como eu dizia, Matheus comprou um bichinho de pelúcia da Pork Pie, mas esse foi só o começo, pois ele queria comprar mais e mais e mais e no fim ele estava com uma coleção extensa de bichos de pelúcia dos pôneis malditos, ele tinha quase todos, mas em sua coleção faltava apenas um. Era uma princesa, algum de vocês sabe o nome?  Isso! Isso mesmo, bela garotinha, Princesa Mula, que deve ser algum tipo de Pônei de uma Mula, não sei dizer, não sou fã da série.

E seu amor por esse bicho e essa série de desenhos só cresceu e então ele decidiu virar um brownie, comprou milhares de pôsteres da série, comprou a trilha sonora e por toda a rua ele caminhava cantando uma música estranha sobre amizade e compreensão, esse tipo de papo de comunista dos anos 19.

Matheus piorava a cada dia, até que um dia ficou febril e de tanta febre comprou um pônei e virou um eremita em uma floresta qualquer do norte do Acre, onde criou diversos pôneis. E isso já faz 3 meses. Ó! Bons e velhos tempos.

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Geração Consciente

Sabe, as pessoas costumam falar demais da tal “Geração Saúde”, isso de fato me aborrece. Ora! A Geração Saúde é apenas uma desculpa para imporem uma maneira escrota de se pensar, uma maneira de colocar um padrão de beleza nessa sociedade. Ó! Que coisa monótona! É, esse papo de Geração Saúde já está meio batido, isso foi coisa da década passada e coisa de boyzinho.

O que eu tenho visto atualmente é uma transição, e como qualquer transição é algo que vai demorar bastante para acontecer, mas já é algo notável hoje em dia. A Geração Consciente está ascendo em nossa sociedade.

A Geração Consciente não exige que você compre coisas para se encaixar em um padrão, para se encaixar em um sociedade, para se tornar alguém. Não! Ao contrário, totalmente ao contrário! Você não precisa de nada a não ser você mesmo. A Geração Consciente é constituída de pessoas que constroem a si mesmos a partir de seu próprio intelecto, pessoas que tem consciência que o mundo precisa mudar, que tem consciência que os governantes estão fazendo diversas cagadas com nosso querido planeta, consciência de que estamos destruindo o planeta, consciência de que diversos fatores que nós causamos tornam nosso mundo uma merda, consciência de que o mundo é uma merda e por isso devemos aproveitar o dia!

Conscientes de que devemos aproveitar nosso dia, mas não devemos ser limitados como as pessoas eram durante o Barroco. Devemos viver nossas vidas alegremente, pois temos consciência de que iremos morrer e essa consciência nos mostra que não devemos, por motivo algum, descriminar uma pessoa por qualquer que seja o motivo, pois todos iremos morrer algum dia.

Os Conscientes serão sempre aquelas pessoas que estão lendo ou escrevendo algo, pessoas que buscam um desenvolvimento da própria mente, que não jogam lixo no chão, que não usam um milhão de sacos plásticos para pequenas coisas, pessoas que apagam seus cigarros e os jogam no lixo, que guardam o lixo em seus bolsos(ou bolsas) até alcançarem uma lixeira, pessoas que ajudam os mais necessitados, que evitam o consumismo, pessoas que querem apenas o bem ao próximo e não pedem nada em troca, pessoas que cultivam o Amor e colhem a Paz, que ajudam cegos a entrar nos trens e metrôs, pessoas que fazem intervenções urbanas para deixarem a cidade mais bonita, pessoas que são educadas, pessoas que são pessoas! Pois pessoas não tem de se limitar por uma lei ilegítima, por dinheiro, por opiniões de pessoas alheias que não conhecem o mundo, ou por um emprego que os obriguem a colocar uma forca embaixo do paletó, que não se limitam por um sensacionalismo barato que tenta distorcer a verdade e a legitimidade das coisas.

Buscamos a essência de ser humano, buscamos um mundo melhor para nós mesmos e para todas gerações que estão por vir. Buscamos a validação das pessoas por suas habilidades e não impomos a elas um padrão de inteligência ou beleza. As pessoas demonstram suas habilidades com o tempo.

Façam da Geração Consciente algo real, pois estamos cansados da monotonia do dia a dia, cansados do cotidiano maçante. Estamos cansados de sermos amordaçados por padrões e pensamentos elitistas e fascistas. Seja Consciente de si mesmo e seja consciente do mundo ao seu redor. Nada irá mudar do dia para a noite, você não mudará seus pensamentos do dia para a noite, você não vai perder certos ideais e preconceitos do dia pra noite, mas a consciência é exatamente isso, saber que você está errado, mas sempre buscar a evolução e a sua re-evolução mental. Porque no fundo somos todos humanos, fracos, imperfeitos e idiotas, mas é exatamente isso que faz da vida o que ela é: Maravilhosa, tediosa, infeliz e alegre.

Carta de Despedida

Vamos brindar, caros amigos! Pois o cheiro de nossa carne se demonstra podre. Já podemos ver nossos sangues coagularem e já podemos sentir o doce beijo da morte.

Poderemos morrer felizes agora! Nós finalmente nos livraremos de todas sanguessugas e parasitas que de nosso sangue se nutrem. Mas vos digo, meus amigos, diferente deles eu não preciso tomar banho para manter-me limpo!

Apesar de tudo, hoje verei o sol se pôr pela última vez, mas mesmo assim estou feliz, pois minhas dívidas com a humanidade serão pagas, se é que devo algo a eles.

Hoje uma carta chegou até mim. Trazia um cheiro doce e a marca de um batom vermelho, aliados a uma mensagem melancólica, que dizia: Já cavaram tua cova e montam tua forca. Era eminente.

A morte sempre é eminente e ela sempre nos aguarda na esquina, com um cigarro na boca, sorrindo. Por isso não me sinto triste, ao contrário! Sinto-me feliz por não ter de olhar para suas caras melancólicas e sádicas. E não chorem por mim, pois sou apenas mais um nesse vasto mundo.

Vamos, homens, vamos! Brindemos até a morte nos alcançar e nos beijar!

Triste e Entediado

Era uma vez um garoto, que não gostava de história que começavam com “Era uma vez”, isso realmente o deixava triste e entediado. Esse garoto era um escritor que levava uma vida corrida e maçante e isso o deixava triste e entediado.

Por muitos ele não sabia o que fazer, pois sentia-se desolado e por muitas não sabia em quem confiar, e isso o deixava triste e entediado. E ele vivia num bucolismo, pois achava a cidade triste e entediosa.

Este garoto tinha a necessidade de conversar com as pessoas, mas as pessoas eram fúteis, e ele se sentia triste e entediado. E seu gosto por sair andando pela rua sem rumo era brutalmente dilacerado pelos seus pais, que por sinal eram bem autoritários, e isso o deixava triste e entediado.

Pobre garotinho, sua vida era tão triste e tão tediosa, que faz com que fiquemos com dó dele. Ó! Era uma vez um garoto. Era.

//Texto inspirado em diversas pessoas que vivem ao meu redor//