Praia.

Praia é o lugar mais tedioso do mundo. Eu não costumo ir à praia, talvez porque eu odeio sol, ou porque eu odeio areia, ou porque eu odeio pessoas tentando me vender algodão doce vestido de teletubies ou homem-aranha, ou talvez porque eu odeio pessoas, ou porque eu odeio o preço abusivo dos quiosque, mas talvez, apenas talvez, seja porque eu odeio o ambiente chamado de praia, vai saber. O fato é que eu amo o mar! Não aquele mar cagado das praias do sul de São Paulo, mas o mar das praias do Norte de São Paulo.

Acho sensacional (e tem até um ar poético) olhar o mar e pensar no futuro, na insignificância da humanidade (isso sem contar o céu à noite), pensar nos segredos escondidos na vastidão que é o oceano. Aí eu começo a pensar nos primos do meu Kraken nadando para lá e para cá, livres.

Por quê odiar a praia? Vou exemplificar item por item.

Areia. A Areia entra do nada em tudo que é lugar. Ela está em tudo. Você faz parte da areia agora, filho. É uma espécie de simbiose. Isso quando você não fica empanado na areia, parecendo uma coxinha humana. Que delícia.

“Gata, você tem tanta areia pelo corpo que eu te comeria como uma coxinha. Devagar, apreciando a carne.”

Sol. Orra, esse nem tem o que falar! Sol cara, sol! Ninguém gosta de sol! Ele mata, da câncer. Não preciso dizer mais nada.

Os quiosques são um barato! Pagaram 6 reais numa coca-cola em lata, quem nunca? Delícia. Eles gostam de meter a faca. “Mais fundo camarada, pra ver se acerta o coração”.

Vendedores de algodão doce. Nada contra, é um trabalho muito justo. Mas vestir-se de Teletubies e Homem-Aranha. Eu tinha um medo mortal de vocês, sinceramente.

Pessoas. Num geral eu odeio pessoas. Principalmente em praias, nas praias elas chutam areia e água na sua cara, dentro da sua latinha e saco de salgadinho. É uma falta de educação do cacete. Seria engraçado se eu jogasse areia na sua farofa? Farofa de areia com frango, que delícia.

Num geral: A praia me enoja. Pombas criam ninhos no guarda-sol que eu acabei de colocar no chão. Mas o mar… Ah! O mar.

Enfim, eu gosto de ir para a praia e ficar sentado na areia (enchendo o cu de areia) tocando violão com meus amigos no fim da tarde. Dormir o dia todo. Sentar na varanda e ver todo mundo se divertindo naquela praia cheia de bituca de cigarro e amendoim. Não existe algo melhor do que isso. Paz.

Senhoras

Eu sou um cara atraente. Bem, talvez não da maneira que eu queira, claro, pois as mulheres bonitas não são atraídas pelo meu campo eletromagnético. Não é aquela ruiva belíssima sentada ao meu lado no ônibus e sim as senhoras que tem um grau avançado de idade a qual levanto-me para ceder o lugar.

Para esse tipo de mulher eu sou atrativo, o que me assusta, uma vez que não sou um desses maníacos sexuais que têm um gosto um tanto que… Alternativo, digamos…

Talvez seja minha educação excessiva, sendo que peço desculpas ao vento por atrapalhar a erosão. Ou talvez minha fala requintada.

Tentarei retratar essas histórias estranhos aqui nesse pequeno texto.

Uma manhã que aparentava ser uma manhã normal (como se esse tipo de coisa acontecesse comigo), sentei-me no ônibus e comecei a ler, com fones de ouvido e música alta, para evitar de ouvir a conversa de duas mulheres sentadas atrás de mim, que discutiam sobre cirurgias plásticas. Após algum tempo uma senhora sentou-se ao meu lado e minha música parecia incomodá-la, coisa que no momento eu não havia notado no momento. Quando Joe gritou “LONDON’S BURNING!!” enquanto Terry batia freneticamente na bateria no mesmo ritmo de Mick nas guitarras. Foi nesse momento que a senhor disse:

-Com licença, você não acha que sua música está um pouco alta? Isso pode incomodar as pessoas e trazer-lhe complicações futuramente…

-Desculpe-me, não havia notado que a minha música estava lhe perturbando. – Repliquei.

A senhora se assustou com minha formalidade e disse:

-Nossa! Você parece meu marido falando.

Em minha educação perguntei:

-Que interessante… Seu marido está bem?

-Ele morreu no começo do ano… – Replicou normalmente.

Por quê essas coisas acontecem comigo? Sinceramente, foi como se esfaqueassem meu coração, a minha sorte foi que eu estava a um ponto de descer na São João.

Outra vez, há certo tempo atrás, era meu primeiro dia usando óculos e estava um frio do cacete e eu estava vestido com minha jaqueta e fiquei com um ar de mauricinho babaca que tem uma vida fútil, ao invés de estar todo rasgado e com ar de mendigo (que é o que eu pareço, segundo alguns amigos), que é como eu costumo andar. Havia dois lugares vazios no ônibus, um ao meu lado e outro do lado de um que se vestia de uma maneira mais humilde.

Uma senhora, uma dessas Velhas Nazistas*, entro no ônibus e julgou que eu seria uma boa companhia para uma viagem de ônibus, até porque eu estava de óculos e parecia um boyzinho. Coitada. Por algum motivo, até hoje desconhecido, o lado negro da minha playlist do iPod decidiu tocar. Logo minha playlist que costuma tocar Clapton, Animals, Pink Floyd, Hendrix, Creedence, Doors e outras lendas dessa mesma época, decidiu tocar: Rise Against, Garotos Podres, Dead Kennedys, Clash e todas outras podreiras punk. Deixo dito que gosto bastante desse lado da playlist, tanto quanto o lado Blues/Blues Rock.

A senhora não aguentou minha música que estava excessivamente alta nos fones de ouvido e se levantou, é interessante notar que quando ela levantou o ônibus estava bem lotado e a Velha Nazista passou 5 pontos de pé naquela lata de sardinha, onde a madame era apenas mais uma pessoa normal.

Existem outras histórias menos constrangedoras, que logo não teriam graça para vocês, seus sádicos. Coisas como “Seu sapato está desamarrado.”, etc. E tem também algumas muito constrangedoras. Essas histórias mostram que eu não tenho tanto jeito com mulheres.

*Velha Nazista: Velhas Nazistas geralmente são mulheres de 50 anos ou mais que colocam aquelas joias excessivamente grandes para mostrarem que tem dinheiro, ou senão usam bolsas que custam 2 mil reais. Mas num geral não são ricas porra nenhuma, só querem se mostrar. Costumam ser extremamente preconceituosas, dizendo coisas como “Coitado, ele é tão pobrinho”, ou se refere a pessoas negras como “Aquela pessoa escurinha”. Num geral essas mulheres são a escória da sociedade. Fingem serem intelectuais, mas no fim do dia sempre assistem a novela da globo.*